João Ricardo

Criador criativo de criações aleatórias

harmonia animal de amy judd

A ideia de retratar o ser humano em harmonia com outros animais faz de sua obra um manifesto plástico fantástico que deveria servir de aviso para as pessoas que vivem esquecendo que, neste planeta Terra, nós humanos somos os intrusos, a espécie estranha, e não o inverso.


As pinturas de Amy Judd silenciam o momento presente e colocam o espectador em um modo natural de hibernação contemplativa, imerso na quietude e pacificidade que seu trabalho proporciona. O movimento pode até existir, algumas obras dão uma leve noção de que algum elemento está se mexendo mas, no conceito plástico escolhido pela artista este momento é congelado, desintegrando todo e qualquer intenção de movimentação por parte do sujeito das obras.

amy01.jpg

O fundo cinza e neutro lembra um ensaio fotográfico e suas obras até parecem fotografias hyper realistas. Seu trabalho de luz e sombra cria suspense em suas composições que tem o poder de suspender qualquer animação que possa existir, criando um ambiente calmo e ao mesmo tempo reflexivo.

Existe uma poderosa conexão entre o ser humano em sua mais íntima essência e o reino animal. O ser humano não é retratado a parte do resto do reino animal. Ele é visto como parte intrínseca da natureza que o cerca, o ser humano é aquilo que essencialmente é: um animal racional que convive em harmonia com os outros seres que habitam o planeta terra.

4_Amy_Judd_art_yatzer.jpg

A forma com que Amy Judd retrata o ser humano, por outro lado, remete a dificuldade de encontrar a verdadeira identidade. Ela não desenha rostos o que nos limita a simples corpos humanos despidos de qualquer acessório que possa deturpar nossa natureza animal.

amy05.jpg

Em algumas obras o ser humano é visto em conjunto com alguns animais como se estes fossem a extensão do homem, no caso da mulher já que ela só pinta corpos femininos. Algumas pinturas remetem a algumas obras de René Magritte, (O filho do homem). Não acredito que Amy se apropria desta ideia mas usa para expressar a ideia da identidade ou da falta de identidade do ser humano.

amy-judd_06.jpg

Os animais escolhidos pela artista são místicos por suas naturezas. A coruja vista como um animal espiritual significa um transição na vida da pessoa, intuição e sabedoria, entre outros. A busca pela própria identidade pode reforçar esta ideia de que o uso da coruja como símbolo espiritual seria um rito de passagem entre a falta de identidade e o encontro consigo mesmo. A raposa como animal espiritual tem a característica de representar habilidade para sair de situações difíceis, afinidade para trabalhos noturnos e uma forte relação com os sonhos.

Amy-Judd-10.jpg

A ideia de retratar o ser humano em harmonia com outros animais faz de sua obra um manifesto plástico fantástico que deveria servir de aviso para as pessoas que vivem esquecendo que, neste planeta Terra, nós humanos somos os intrusos, a espécie estranha, e não o inverso.


João Ricardo

Criador criativo de criações aleatórias.
Saiba como escrever na obvious.
version 1/s/artes e ideias// @obvious, @obvioushp, @obvious_escolha_editor, @erotic //João Ricardo