João Ricardo

Criador criativo de criações aleatórias

Malabarismo corporal conceitual abstrato de Rob Woodcox

O malabarismo surreal que Rob Woodcox possibilita ao corpo humano é esteticamente deslumbrante e visualmente enebriante.

Rob Woodcox trata o corpo humano de uma forma lúdica. Ele vê o corpo como um poema, encaixando as peças cuidadosamente como se fossem palavras de uma estrofe lírica. O interessante é perceber a relação que o artista faz entre o corpo e a arte conceitual fotográfica5.

Alguns de seus trabalhos são arranjos de corpos no espaço, congelando o tempo que não cessa em decompô-los, degenerando sua forma física, deturpando sua estética. O malabarismo surreal que Rob Woodcox possibilita ao corpo humano é esteticamente deslumbrante e visualmente enebriante.

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Corpos voando no céu límpido, despidos de aforismos e subterfúgios têxteis, empilhados em uma forma geométrica que mais parece os blocos organizados do jogo Tetris, um conjunto de corpos formando um círculo suspenso no ar em uma paisagem árida e inóspita. Em um terreno seco acinzentado, corpos são suspensos no ar e agrupados em forma de árvore o que remete ao poder que o ser humano tem de dar vida a paisagem social morta e fétida a sua volta.

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Este conceito de usar o corpo em forma de poética visual é altamente revigorante para os apreciadores de arte, mesmo porque este próprio corpo que é usado para representar algo divino, é cotidianamente escrachado a níveis animalescos distópicos pelas ferrenhas ferramentas de comunicação de massa e pelo próprio ser humano em si através da própria arte, ou o que sobrou dela (O funk, entre outras fontes de entretenimento como a Moda que encaram o corpo como um objeto, manequim sem vida, oco). Talvez sejamos os únicos animais que matam e dizimam a própria espécie por motivos fúteis como uma mera discussão no trânsito ou uma desavença de personalidade.

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Manipular o corpo em detrimento da arte, como nesse caso, é de extrema importância para o desenvolvimento do próprio ser humano porque demonstra o alto nível que o corpo físico tem de maravilhar a nós mesmos.

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Num mundo onde o ‘humano’ perdeu sua característica principal em uma crise de identidade existencial onde o corpo passou a ser sinônimo exclusivamente de luxúria e prazer, curtidas, e-mails, números de telefone, mensagens e notificações, pragmatizado pela constante e repugnante deturpação da sua imagem e desvinculação de sua inerente identidade, principalmente da mulher infelizmente, o trabalho de Rob Woodcox é um oásis no meio de tanta podridão e depravação do atributo físico daquilo que um dia foi denominado ser humano.


João Ricardo

Criador criativo de criações aleatórias.
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