Mônica Montone

Mônica Montone é formada em Psicologia pela PUC-RJ e escritora. Autora dos livros Mulher de minutos, Sexo, champanhe e tchau e A louca do castelo.

Conheça os efeitos colaterais de um louco amor

Existe um amor que não machuca nem cansa. Um amor cujos efeitos colaterais somam em vez de subtrair. Conheça.


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“Não sinta pena de ninguém! É um sentimento muito feio, pois ao sentir pena você se coloca numa posição de superioridade que é ilusória”. Sim, essa fala é de mamãe. Ela me deu uma ótima educação.

Mas, como sempre fui desobediente, vou desobedecê-la, agora, ao dizer: tenho pena, muita, muita pena das pessoas que não amam (pra valer!) os livros. Não porque me sinta superior, mas simplesmente porque desconhecem essa alegria.

Amar os livros não é o mesmo que colecioná-los em estantes. Tampouco discursar sobre eles para demonstrar cultura. Não é um status! Amar os livros é diferente da necessidade de acumular informação e conhecimento. É diferente de reconhecer que a leitura é importante. É, sobretudo, perceber que não se pode viver sem eles.

Amar os livros é tê-los como aliados e companhia eterna. Quem ama ler nunca está sozinho em suas dores – há sempre um personagem para traduzir ou dar voz ao que sentimos mas nem sabemos que sentimos.

Quem tem o hábito da boa leitura aprende a enxergar o mundo para além do próprio umbigo. Entende que o mundo é grande, imenso, e que tudo pode ser ou não ser dependendo disso e daquilo.

Outro delicioso efeito colateral que o amor pelos livros provoca: dar menos importância para coisas insignificantes.

Tenho reparado que a maioria das pessoas que reclama demais da vida e/ou que se sente vítima das circunstâncias é formada por pessoas que não leem – e quando leem escolhem subliteratura.

Talvez o amor pelos livros seja uma espécie de amor narcísico, não sei, pois, quanto mais lemos, mais nos conhecemos (ao nos reconhecer nos personagens) e quem se autoconhece geralmente tem mais estima por si mesmo.

Quem lê aprende, entre outras coisas, a relativizar; inclusive a própria dor. Quem lê aprende a duvidar; inclusive de si mesmo e das próprias emoções.

E quando digo que quem ama os livros nunca está sozinho, digo por um motivo muito simples: ao perceber que as lágrimas que derramamos estão nos olhos de uma Nástienka, de Dostoiévski, por exemplo, nos damos conta de que o sentimento que provocou nossas lágrimas é velho como o mundo e que, assim como secaram para Nástienka, hão de secar para nós. Impossível padecer de solipsismo durante uma boa leitura.

Nada, absolutamente nada, é mais eficaz na edificação de uma autoestima robusta do que o autoconhecimento. Nem bumbum duro adquirido em horas de malhação, nem conta bancária polpuda, nem cabelo de Gisele Bundchen.

Ficar bonito na foto é fácil, basta colocar um bom filtro e escolher o ângulo certo. Ficar bonito na vida (leia: aprender a rir dos próprios tropeços, relativizá-los sem se martirizar) é que é difícil. Portanto, a melhor dica de beleza que pode existir é: tenha “um relacionamento sério” com os livros; ame os livros.

No entanto, talvez o efeito colateral mais pungente e bonito que o amor aos livros provoque (e ensine) seja o desapego. Ao contrário de qualquer outro relacionamento, quando terminamos de ler um livro espetacular não sentimos dor pelo fim, sentimos alegria por ter lido, por ter vivido toda aquela experiência com o autor e suas personagens, por saber que a experiência vivida estará em nós para sempre. Ficamos gratos. E não deveria ser assim em todos os relacionamentos?!

Eu, nesse momento, me sinto extremamente grata por Noites Brancas, de Fiódor Dostoiévski, que acabo de ler. Ler é acordar para dentro. Estou desperta. Amém. Sobre o livro escrevo em outra ocasião. Por ora, a leitura me fez querer, apenas, declarar todo o meu amor a essas asas que frequentemente carrego na bolsa.

Abaixo uma pequena coleção de deliciosas fotos pinçadas na Internet de apaixonados por livros.

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(imagens: google)


Mônica Montone

Mônica Montone é formada em Psicologia pela PUC-RJ e escritora. Autora dos livros Mulher de minutos, Sexo, champanhe e tchau e A louca do castelo. .
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