Mônica Montone

Mônica Montone é formada em Psicologia pela PUC-RJ e escritora. Autora dos livros Mulher de minutos, Sexo, champanhe e tchau e A louca do castelo.

A arte da sedução

No baile da sedução só entra quem usa máscara por opção e não por necessidade de esconder-se, por não saber-se.


amorescarmen1.jpg

Não, a sedução nem sempre está num decote profundo, numa bunda dura, num vestido justo, num boquete, num corpete. Tampouco num terno bem cortado, numa barba alinhada, numa barriga tanquinho, num peitoral bem talhado.

Beleza pode até ser fundamental, como bem falou o poeta Vinicius de Moraes, mas quando o assunto é a sedução, a beleza serve apenas como isca, não como sustentação.

Porque a sedução é o jogo de tabuleiro predileto do amor-próprio.

Só seduz, de fato, quem sente paixão por si mesmo e confia no próprio taco.

Quem se autoconhece, se aceita, se respeita e quem a cada pedra que encontra no caminho respira e salta. Salta sem olhar para trás, sem medo de cair, sem "mas- mas".

Só seduz quem se desafia! Quem não desafina no coro dos próprios pecados e quem sabe conversar! Ah, como é importante saber conversar. Não existe nada mais afrodisíaco do que uma boa conversa.

Poucas coisas são mais sedutoras que a autossuficiência, talvez a crença em si mesmo, a autonomia emocional, ou a inteligência, não sei...

O que sei é que nada disso tem a ver com beleza estética.

A sedução não começa na carne! Ela está no jeito de olhar, na promessa muda que certos olhos e lábios disparam, no mistério do talvez, na possibilidade e no bom papo.

A sedução pode ser um convite para a guerra ou para a paz, tudo depende de quando, de onde, de como e de quem.

Pode ser perigosa, pólvora, estopim - como escrevi no texto "Um tipo de homem para se evitar" - ou, deliciosa e doce, como uma calda de caramelo sobre um pudim.

Não se aprende a seduzir! Como ensinar alguém a ter amor-próprio? Como ensinar uma pessoa a adquirir autonomia emocional? Como ensinar alguém a conversar?

No baile da sedução só entra quem usa máscara por opção e não por necessidade de esconder-se, por não saber-se.

Somente os enamorados de si seduzem com precisão, o resto é tentativa, jogo de sorte e azar, necessidade de autoafirmação.

Para os que acreditam que sedução é sinônimo de bunda dura e/ou barba bem alinhada indico o filme "Os amores de Carmen", com a diva das divas Rita Hayworth. A película de Charles Vidor, gravada em 1948, é uma verdadeira ode à sedução.

Meu canal

Venha tomar um café comigo no meu canal do YouTube Dois cafés e uma água com gás. Espaço onde falo de literatura, comportamento, cultura, arte, moda, beleza e o que mais der na telha.


Mônica Montone

Mônica Montone é formada em Psicologia pela PUC-RJ e escritora. Autora dos livros Mulher de minutos, Sexo, champanhe e tchau e A louca do castelo. .
Saiba como escrever na obvious.
version 4/s/recortes// @obvious, @obvioushp //Mônica Montone
Site Meter