monolito azul

Tentando desvendar o cinema, e, talvez, as outras coisas também.

Italo Lobo

Apreciador de humor, futebol, filmes, números, chocolate, dormir, comer, procrastinar, crônicas, livros de suspense/investigativos. Se ganhasse cada 1 real para cada asneira que diz ou escreve, não precisaria trabalhar.

A Morte do Demônio e a Preguiça do Cinema

Lançada ano passado, a mais nova “aventura” na cabana com o livro Necromonicon é somente outro exemplar preguiçoso do terror atual, que só ganhou mais admiradores que o comum por conta de sua distribuição.


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Nota: Durante o texto, para não haver confusão, o filme original será chamado de Evil Dead, enquanto o recente será A Morte do Demônio.

Todos nós, que gostamos à beça de filmes de terror e temos uma queda pelos trashs, B, exploitations e afins, fazemos parte daqueles que têm muito a agradecer a Sam Raimi por ter criado Evil Dead. Embora particularmente não o ache o melhor de seu subgênero, reconhecer sua importância é inevitável. É o principal representante do cinema trash e merece todo o respeito e reconhecimento que tem.

Eis que, lendo por aí, em meados do verão 2012/2013, vejo que é anunciado um remake/reboot do clássico absoluto de 1981. É broxante ver isso. Claro, temos todos os discursos “e daí, não irá afetar em nada o filme original”, ou “o original continuará lá, intocável” e outros da mesma laia. Sim, é verdade isso tudo, mas não deixa de ser desagradável ver que a onda de refilmagens e/ou releituras está cada vez maior. Se pelo menos pegassem filmes que não deram muito certo para tentar melhorá-los seria outra história. Mas não. Preferem os Psicoses, Lolitas e Spider-Men (Raimi gênio de novo) da vida.

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De início, minha vontade de ver A Morte do Demônio estava tão alta quanto a possibilidade de haver uma partida de futebol em nome da paz entre Israel x Palestina, na Faixa de Gaza. Só que aos poucos o panorama do novo filme foi mudando. Temos nada mais nada menos que Raimi e Bruce Campbell assinando a produção. E também muitos dizendo que não seria exatamente um remake, mas sim que apenas conteria alguns elementos que lembrariam Evil Dead. E o principal de tudo: elogios. Embora eu deteste basear-me na opinião alheia, é inevitável você deixar de lê-las quando se acessa sites de cinema. Pois bem. Ser contra remakes muitos o são. Só que as expectativas para esse por parte de vários demonstrava-se muito alta.

Foi despertando-me uma curiosidade de ver? Admito que sim. Com ressalvas, claro. Ainda mais pelas propagandas imbecis, como “O filme mais apavorante que você verá nessa vida”, “Um dos filmes mais sangrentos da história”, e por aí vai. De qualquer forma, lá fui eu, há pouco mais de um ano, no dia da estreia, conferir.

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Cinco jovens vão a uma cabana num local deserto, sombrio, isolado, cheio de árvores. Mia é uma viciada em drogas, e está abalada pela morte da mãe. Seus amigos e seu irmão, que há muito não a via, chegam ao lugar a fim de ter paz, de ajudar Mia. Então eles descobrem o livro Necronomicon, que tem o poder de reviver uma força maligna.

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As semelhanças com o original são limitadas. Temos a cabana, o livro, a floresta ao redor e não muito além disso. As personagens são diferentes. Há todo um drama familiar, de amigos e não temos nem uma pitada de humor-negro, tampouco uma personagem tão insana e marcante quanto Ash.

Quais os pontos altos deste A Morte do Demônio? Bom, todo o sangue, a violência, o gore prometidos estão aqui, incessantes. Muito será usado da expressão “pelo menos promete o que cumpre”. Mas será que é bem assim?

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Sempre procurei fugir dos estereótipos de que o cinema antigamente era melhor, que as produções atuais estão em decadência, não há mais originalidade, é tudo mais gráfico, enlatado, caça-níqueis, etc. Até porque ainda sou um apreciador de filmes em iniciação. A maioria dos que vi até hoje são atuais, e muitos de meus preferidos encontram-se entre os filmes “novos”. Só que desta vez, cambaleei.

Tenho um irmão mais novo e sempre o incentivo a ver filmes, apresentar a ele os que gosto, dentre eles, os de terror. Uma vez, ao assistirmos a Eu sei o que Vocês Fizeram no Verão Passado, durante várias cenas ele tapava o rosto devido aos sustos que levava. E o que reparei foi: o barulho. O barulho utilizado como recurso para assustar. A cena em silêncio pode não gerar reação, por mais que o assassino, ou o amiguinho que chega por trás sem ninguém perceber sejam pegos de surpresa pela câmera. Agora, é só colocar a tal música instantânea de suspense que o pulo da cadeira é mais provável.

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E por que motivo eu disse isso? Bom, deve ser porque A Morte do Demônio é lotado destes sustos por mim descritos. Posso dizer que funciona? Sim. Eu levei sustos durante a sessão. O problema maior foram os exageros. O filme tenta a todo custo te assustar a todo instante, e para isso utiliza do barulho ensurdecedor, dos rostos possuídos pelo demônio, ficando algo artificial, forçado e cansativo. Não é criado um clímax durante o filme. Simplesmente não dá tempo.

Agora o outro lado da moeda: são exatamente os excessos do filme que o farão ter sucesso e ganhar uma legião de fãs. O cara que entrar para ver violência, partes do corpo decepadas, sangue, sairá saciado. Tudo que está no filme já foi visto antes, mas o fato de este ser mais intenso o torna um tantinho superior à maioria dos terrores lançados ultimamente. Adicione o fato de o filme ter estado no cinema. Ora, os tantos outros gores de Alexandre Aja, do cinema francês, ou os Albergues, nunca tiveram tanta repercussão, pelo menos não em território brasileiro. Ponto para os marketeiros.

evil-dead-2013-movie-trailer.jpg Tudo bem que a propaganda é a alma do negócio. Mas também não precisa exagerar tanto.

Analisado isoladamente, A Morte do Demônio é um passatempo de diversão passageira, e somente para seu público alvo. Tire os elementos explícitos e exacerbados já tanto citados por mim e não sobra muita coisa. Não vai te deixar com medo, nem tirar seu sono. Passado algum tempo depois da sessão, você poderá muito bem já ter esquecido. Analisado como cinema, é só mais um exemplar, só que com um holofote maior. E se for analisado com relação ao original... Bom, é uma covardia sem tamanho.

Muito se tem comentado sobre um possível 4º Evil Dead, continuação em potencial de Army of Darkness, de Raimi. Taí um que seria muito bem-vindo.


Italo Lobo

Apreciador de humor, futebol, filmes, números, chocolate, dormir, comer, procrastinar, crônicas, livros de suspense/investigativos. Se ganhasse cada 1 real para cada asneira que diz ou escreve, não precisaria trabalhar..
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