monolito azul

Tentando desvendar o cinema, e, talvez, as outras coisas também.

Italo Lobo

Apreciador de humor, futebol, filmes, números, chocolate, dormir, comer, procrastinar, crônicas, livros de suspense/investigativos. Se ganhasse cada 1 real para cada asneira que diz ou escreve, não precisaria trabalhar.

Brasil 3 x 1 Croácia - Primeiras Impressões da Seleção

Uma pequena análise técnica do time brasileiro em sua estreia na Copa.


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Independente de manifestações, eleições ou greves, vai ter copa sim. Começou quinta-feira, 12, e pra quem está torcendo pela Seleção Brasileira, começamos com o pé direito.

Nos minutos iniciais, a Croácia já mostrava que daria trabalho, sobretudo nos contra-ataques. Foi o Brasil quem tomou iniciativa trocando passes e buscando espaço com os croatas todos no campo de defesa, esperando uma bola perdida para dar o contra-golpe. E assim foi numa cabeçada vinda do lado esquerdo da defesa brasileira, no primeiro lance de perigo de gol do jogo. Foi a primeira de muitas lacunas que o Brasil deixou nas laterais durante a partida.

E foi num contra-ataque, pela direita do Brasil dessa vez, que saiu o primeiro gol da Copa do Mundo FIFA 2014. Após o cruzamento na área, Jelavic desviou e Marcelo, atordoado, empurrou para as próprias redes. Pela primeira vez na história, um gol-contra é o que inaugura uma Copa.

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Depois, naturalmente, a Croácia recuou. Mais ou menos semelhante com a postura com a qual começou a peleja. Pletikosa fez duas grandes defesas: uma à queima-roupa num chute do apagado Paulinho e uma fantástica num chute de Oscar que tinha endereço certo. Depois disso, sua atuação não foi feliz.

Pelo lado do Brasil, Neymar era o que o mais chamava o jogo. Não demorou muito para a recompensa vir: roubada de bola no círculo central, Neymar carrega e na entrada da meia-lua da grande área chuta com a esquerda. Não pegou na bola em cheio, como deveria, mas o arqueiro croata aceitou: 1 a 1.

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Os dois zagueiros Thiago e David pouco fizeram defensivamente na primeira etapa, e não foram muito felizes. O Brasil não sofreu mais porque a Croácia pouco chegou ao gol. Mas isso não apaga a má atuação de Daniel Alves. Olic, jogador grosso e lento, deu trabalho à Seleção pela ponta-esquerda, além de fazer uma boa primeira etapa ajudando na defesa.

sbcroacia_jb_12JUN14_866-1.jpg Daniel Alves teve uma jornada infeliz durante os 90 minutos.

O segundo tempo começou morno e do mesmo jeito que terminou o primeiro. Hulk, o pior em campo, nada de útil fez. Neymar não foi tão participativo quanto no primeiro tempo, e Oscar, que nos primeiros 10, 15 minutos de partida estava perdido, consolidou-se como o melhor jogador ao final do jogo.

Eis que o juiz japonês interferiu diretamente no resultado. Bola tocada para Fred, que não tinha encostado nela até então (não por incompetência, mas pela posição em que joga, e com Neymar como referência natural), que cai e o árbitro japonês vai na dele: pênalti inexistente marcado. Neymar bate à meia-altura. Pletikosa chega à bola e falha na defesa: 2 a 1.

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Aliás, quem não lembrou da estreia do Brasil em 2002, com o mesmo Felipão como técnico? Turcos saindo na frente, Brasil empatando ainda no primeiro tempo, e vencendo no segundo com uma penalidade irregular. A partir daí, os espaços deixados pela Avenida Daniel Alves cresceram. Quase todo ataque croata passava por lá. E o Brasil levou certo sufoco, com Júlio César espalmando uma bola no canto, fazendo uma defesa difícil. Mesmo com a insistência, a defesa do Brasil se mostrou mais sólida na segunda etapa, sobretudo com David Luiz e Luiz Gustavo.

luizao_alpayozalan_get.jpg Em 2002, Luizão sofreu falta fora da área e o árbitro marcou pênalti. Brasil começava a campanha do penta vencendo a Turquia de virada por 2 a 1.

E na reta final, a prova de que o futebol é o esporte mais emocionante, imprevisível (e às vezes até ingrato) que há: Oscar erra um passe bisonhamente no campo de defesa, e no ataque da Croácia, Júlio César faz outra defesa importante. No contra-ataque, o mesmo Oscar, que há poucos segundos poderia virar vilão, coroa sua atuação com um belo gol de bico, com o goleiro novamente chegando atrasado. 3 a 1.

oscar-chuta-da-entrada-da-area-e-consolida-a-vitoria-do-brasil-contra-a-croacia-por-3-a-1-na-estreia-da-copa-do-mundo-1402619421701_1920x1080.jpg Oscar chuta para matar a partida.

O time da Croácia demonstrou que pode dar mais trabalho nessa Copa. Seu meio-campo, como muito comentado antes, sabe trabalhar a bola, sobretudo Modric. Vai disputar com o México o posto de segundo colocado do grupo. Aliás, será que a freguesia brazuca diante do México vai prevalecer?

Quanto ao Brasil: o goleiro foi seguro, a zaga errou pouco, o ataque precisa melhorar, o meio ainda não está totalmente pronto. Talvez seja questão de tempo. A Copa apenas começou. Mas uma coisa é certa: se quiser ser campeão, não pode dar tanto espaço nas laterais. Agora, as avaliações individuais de cada atleta brasileiro titular:

Júlio César: Não comprometeu. Bom.

Thiago Silva: Tudo bem que a Croácia não exigiu tanto quanto poderia, mas é de se esperar mais do provável melhor zagueiro do mundo. Regular.

David Luiz: Defensivamente, o melhor da partida. E ainda quase fez um gol. Bom.

Daniel Alves: Repetiu as atuações medíocres que vinha fazendo pelo Barcelona. E seu setor foi o mais vulnerável em toda a partida. Péssimo.

Marcelo: Outro que mais ataca do que defende, mas não comprometeu tanto (além do gol sofrido). Regular.

Luiz Gustavo: Nada brilhante, mas demonstrou segurança. Bom

Paulinho: Chegou pouco no ataque e não foi muito participativo na defesa. Com Ramires e Hernanes no banco, pode tranquilamente perder a vaga. Regular.

Oscar: Era sem dúvidas o mais contestado antes da Copa começar, devido a suas atuações nos últimos amistosos. Respondeu às críticas com um bom futebol, sempre buscando o jogo. Só precisa tomar cuidado com o individualismo excessivo. Bom.

Hulk: Não sei se é só comigo o problema, mas Hulk é aquele típico jogador de clube. Estourava no Porto, numa liga limitadíssima. É oscilante na Rússia, outra liga limitada. Nunca justificou sua presença na seleção, e dessa vez não foi diferente. Péssimo.

Neymar: Foi o melhor brasileiro no primeiro tempo. Caiu de rendimento no segundo, mas fez os dois primeiros gols, então cumpriu o que dele se espera. Bom.

Fred: Não tocou na bola durante o primeiro tempo. Não por incompetência, mas pela posição em que joga. Cavou o gol da vitória de um jeitinho brasileiro e só. Mas antes ele do que o Jô. Regular.


Italo Lobo

Apreciador de humor, futebol, filmes, números, chocolate, dormir, comer, procrastinar, crônicas, livros de suspense/investigativos. Se ganhasse cada 1 real para cada asneira que diz ou escreve, não precisaria trabalhar..
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