monolito azul

Tentando desvendar o cinema, e, talvez, as outras coisas também.

Italo Lobo

Apreciador de humor, futebol, filmes, números, chocolate, dormir, comer, procrastinar, crônicas, livros de suspense/investigativos. Se ganhasse cada 1 real para cada asneira que diz ou escreve, não precisaria trabalhar.

20 Anos de Pulp Fiction

Há exatos 20 anos estreava nos cinemas um dos grandes filmes americanos da década de 90.


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Logo após o sucesso de Cães de Aluguel, Quentin Tarantino recebeu propostas para dirigir outros filmes, mas preferiu se “esconder” na Holanda para escrever seu próximo roteiro. Fã de histórias em quadrinhos, o diretor baseou-se nos ‘pulps’, revistas em quadrinhos da década de 40 que contavam histórias de gangsteres. Eis que surge Pulp Fiction.

Na cena inicial, somos apresentados a um casal num restaurante. Aparentemente são pessoas normais, tomando seus cafés, fumando e conversando. E quando menos se espera, elas estão armadas e prestes a cometer um assalto. Esta é uma das marcas registradas do longa.

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O filme divide-se em três histórias e é narrado fora de ordem cronológica. Em uma temos os gangsteres Vincent Vega (John Travolta) e Jules Winnfield (Samuel L. Jackson) indo atrás de uma tal maleta para seu chefe Marsellus Wallace. Em outra, temos novamente Vega, desta vez levando Mia Wallace (noiva de Marsellus, interpretada por Uma Thurman) para sair. E também há uma espécie de fuga do lutador de boxe Butch Coolidge (Bruce Willis). Limito-me a não entrar em mais detalhes sobre elas. Como é típico de Quentin Tarantino, é claro que estas histórias têm alguma relação, assim como seus personagens.

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Além disso, Pulp Fiction conta com outras características “tarantinescas”, como a ótima trilha sonora, referências à cultura pop e diálogos sensacionais, sejam eles longos, diretos e desbocados, ou até mesmo sobre pés (sim, o fetiche podólatra do diretor).

O elenco é estelar. Além de Uma Thurman, a musa de Tarantino, e Samuel L. Jackson, temos também participações de Christopher Walken, Maria de Medeiros, do sempre ótimo Harvey Keitel, entre outros. Bruce Willis, ao ler o roteiro, quis na hora participar do filme, nem que fosse como mero coadjuvante, e mandou bem interpretando o durão Butch. Já o caso de John Travolta é mais curioso: após seu sucesso na década de 70, sua carreira desabou na década seguinte. Inicialmente, ele rejeitou a proposta. Mas depois sentou-se em frente a Tarantino, que lhe deu um “sermão” (acho que esta é a palavra mais adequada) e o fez mudar de ideia. Resultado: boas críticas, indicação ao Oscar de Melhor Ator e sua carreira ressuscitada. Até hoje Travolta diz que Tarantino foi seu ‘anjo da guarda’.

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Mas, sem dúvidas, a grande atuação do filme é a de Samuel L. Jackson. Seu personagem é extremamente rude e sabe como dominar suas vítimas. Sua autoridade e frieza chegam a dar medo. E não tem como esquecer a clássica passagem bíblica Ezequiel 25:17, onde Jackson tem um de seus melhores momentos no filme.

O conteúdo do filme certamente é para adultos: sexo, drogas e, principalmente, violência. Mas, sinceramente, não é tão pesado assim. Pelo contrário, chega a ser elegante. Pulp Fiction não é tão violento quanto se pensa. Bom, para alguns talvez até possa ser, mas eu diria que é muito mais engenhoso e engraçado do que violento.

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Porque é uma obra muito original. Quando assistimos a um filme de ação, ou de terror às vezes, participamos das cenas (torcemos pelo mocinho e adoramos quando o vilão é estraçalhado, por exemplo). Mas em Pulp Fiction isso não ocorre. Corpos explodem ao levarem tiros, há sangue por todas as partes, mas nossos instintos violentos não são estimulados pelo filme.

E mais: o filme (assim como Cães de Aluguel) retrata um mundo onde o matador de aluguel é um ofício como qualquer outro, onde os ‘criminosos’ agem como pessoas comuns. Conversam sobre Deus, sobre Madonna, sobre hambúrgueres, etc. A única diferença é que depois eles matam pessoas. Se bem que não é uma ‘diferença’, pois os assassinos tarantinescos são nada mais do que profissionais. A violência aparece como ossos do ofício.

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Por fim, Pulp Fiction é um filme criativo e diferente dos outros. Com o tempo, Tarantino ganhou tanto fãs quanto haters, devido a seu gigante ego. Mas aqui não há como negar que ele atingiu seu ápice. O cinema independente nunca mais foi visto de outra maneira. Vencedor da Palma de Ouro em Cannes e do Oscar de Roteiro Original (não que prêmios sejam sinônimo de qualidade), logo se tornou um ícone da cultura pop dos anos 90 e talvez seja o principal exemplar do Pós-Modernismo no cinema.


Italo Lobo

Apreciador de humor, futebol, filmes, números, chocolate, dormir, comer, procrastinar, crônicas, livros de suspense/investigativos. Se ganhasse cada 1 real para cada asneira que diz ou escreve, não precisaria trabalhar..
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