monolito azul

Tentando desvendar o cinema, e, talvez, as outras coisas também.

Italo Lobo

Apreciador de humor, futebol, filmes, números, chocolate, dormir, comer, procrastinar, crônicas, livros de suspense/investigativos. Se ganhasse cada 1 real para cada asneira que diz ou escreve, não precisaria trabalhar.

20 Anos de Debi & Loide

Este pequeno clássico da comédia estreava em território estadunidense há 20 anos, e faz alguns saudosistas rirem até hoje.


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Gênero difícil esse da comédia, não? Nem sei se é certo considerar o ”humor” como arte. Eu, por exemplo, enxergo-o como tal. Afinal, todos conhecem o ditado “rir é o melhor remédio”. Dentre tantos sentimentos humanos, como amor e medo, por que não colocar riso, descontração, graça também no rol dos principais? Como toda arte, o humor tem suas vertentes e pode ser manifestado de diversas formas: através de crônicas, anedotas, paródias, séries televisivas, charadas e, como não poderia deixar de ser, pelo cinema.

Existem vários tipos de humor. Ele pode ser sarcástico, pode ser humor-negro, pode ser grosseiro e desbocado como South Park, pode ser pueril e despretensioso como Chaves, pode ser autocrítico como Simpsons, etc; não dá para enumerar porque é muita coisa.

Agora, por mais que o riso seja algo universal, o que pode provocá-lo é subjetivo. Uma piada ou situação que levam um indivíduo “x” a cair da cadeira de tanto rir pode deixar indivíduo “y” indiferente e ao mesmo tempo também provocar a ira no indivíduo “z”.

Vamos direto ao ponto: os irmãos Peter e Bobby Farrelly são conhecidos por seu humor politicamente incorreto e escatológico, características que algumas vezes atingem níveis elevados em seus filmes. Quem já viu Quem vai Ficar com Mary? ou Eu, eu Mesmo e Irene deve ter uma noção do que falo.

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Debi & Loide (com o aposto nacional “Dois Idiotas em Apuros”) é o longa de estreia da dupla de diretores, protagonizado por um simpático Jeff Daniels e pelo até então iniciante Jim Carrey, respectivamente interpretando os dois amigos inseparáveis Harry Dunne e Lloyd Christimas, dois caras, digamos, pouco dotados de inteligência.

No começo do filme vemos que Lloyd trabalha como motorista de limusine, e fica encantado com a moça que ele terá de levar ao aeroporto, e bastaram apenas os poucos minutos de viagem para ele se derreter por ela (e em sua cabeça, aquilo representa uma paixão ardente). Enquanto admira a bela moça no aeroporto, percebe que ela deixou sua maleta no chão e corre para devolvê-la, mas o voo sai e ele fica com a maleta em mãos. Na verdade, a maleta contém dinheiro para um resgate e foi abandonada propositalmente, e o casal de sequestradores que receberia o dinheiro começa a seguir Lloyd.

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Harry e Lloyd perdem seus empregos e estão cansados de suas miseráveis vidas, e decidem se mudar para Aspen (Lloyd tem a esperança de encontrar sua “amada” e devolver-lhe a mala).

A trama é absurda desse jeito sim, como o filme todo. Os dois protagonistas são dois idiotas inocentes sobrevivendo numa sociedade normal, e por onde passam levam loucuras consigo, o que é um presente pra nós já que é desencadeada uma série de situações hilárias. Temos o carro furgão vestido de cachorro, pés pegando fogo, confusões, perseguição, um guarda bebendo… bom, chega.

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O humor-negro e politicamente incorreto já citado está presente, pois vender um pássaro morto para uma criança cega não segue muito os princípios morais, bem como duvidar da utilidade de pessoas idosas. O humor escatológico também é atingido com o uso de laxante em café, com uma guerra de bolas de neve, com veneno de rato, enfim, é um prato cheio. Situações que hoje em dia se repetem à exaustão nas desgastadas comédias, mas não era tanto assim há 20 anos.

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Carrey está muito bem no papel do sonhador e apaixonado Lloyd. Aqui ele já abusa e usa de suas caretas que viriam a se tornar sua marca registrada (como numa cena de luta em um restaurante). E Daniels não fica atrás interpretando o carinhoso e mais realista Harry, que às vezes tem que emprestar um pouco de seu (pouco) cérebro para o espontâneo amigo.

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Revendo por esses dias, surpreendi-me por ter dado mais risadas do que das outras 15 ou 20 vezes que já assisti. Durante todos os cerca de 100 minutos há muitas, mas muitas situações que tentam provocar o riso e, bom, voltando à parte pessoal, comigo funciona perfeitamente até hoje, e é claro que também tem aqueles que não dão uma única risada, tamanho o apelo e excesso de gags. Inclusive, boa parte do filme é resultado de improvisos.

Se você ainda não viu Debi & Loide (o que eu duvido muito) fica aqui o aviso: se você tem um lado patético e louco dentro do seu cérebro (e eu digo que é saudável isso), essa comédia é pra você. Se você se ofende fácil, não digo o mesmo. Ou melhor, pra falar a verdade eu recomendo esse filme pra todo mundo. Pode ser que a película tenha me cegado de tantas vezes que assisti, mas não enxergo Debi & Loide como um trabalho que deva ser levado a sério ou que deveria ter sido um sucesso de crítica. Longe de querer ser saudosista, mas atualmente é muito difícil sair uma comédia tão boa quanto esta.

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Há um mês estreou em território brasileiro a tão aguardada por tantos sequência, com os irmãos Farrelly, Carrey e Daniels juntos novamente (esqueçam aquele prequel feito em 2003 traduzido absurdamente para cá como Debi e Loide 2). Se você gosta deste primeiro filme, pode ver o novo tranquilamente. Não supera o original, mas mantém a mesma estrutura. Ter esperado tanto tempo para ver essa dupla aprontando novamente valeu a pena.


Italo Lobo

Apreciador de humor, futebol, filmes, números, chocolate, dormir, comer, procrastinar, crônicas, livros de suspense/investigativos. Se ganhasse cada 1 real para cada asneira que diz ou escreve, não precisaria trabalhar..
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