monolito azul

Tentando desvendar o cinema, e, talvez, as outras coisas também.

Italo Lobo

Apreciador de humor, futebol, filmes, números, chocolate, dormir, comer, procrastinar, crônicas, livros de suspense/investigativos. Se ganhasse cada 1 real para cada asneira que diz ou escreve, não precisaria trabalhar.

It - Uma Obra-Prima do medo (?)

Em clima de Halloween, vamos lembrar deste pequeno clássico baseado num livro de Stephen King.


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Qualquer um que se preze a ver filmes com frequência, seja pelo simples ato de entretenimento, seja para conhecer e se aprofundar sobre um cineasta ou movimento, tem seu(s) gênero(s) de preferência. Há também aqueles que não gostam de um, seja este terror, faroeste, romance ou qualquer outro. Sempre há os que desprezam um filme, por ele conter sangue, sexo, fantasia, melodrama, isso tudo sem antes vê-lo, apenas pelo simples direito de julgar. Triste isso, mas comum. É inerente ao ser humano. Acontece comigo, contigo, com todos.

Como se sabe, a tradução brasileira para títulos de filmes contribui, e muito, para afastar certo público. E também para enganar quanto ao gênero. Quem vê o título de Fargo - Uma Comédia de Erros vai pensar o quê? (claro, tem todo o humor negro dos irmãos Coen, mas uma coisa não tem nada a ver com a outra)

It - Uma Obra-Prima do Medo. Vamos lá: quais espectadores podem torcer o nariz logo de cara? Quem não gosta de terror? Sim. Crianças (ou até crescidinhos) que têm medo de palhaços e veem um feio pra burro sendo apresentado como símbolo? Com certeza. Tem mais: e os que se enojarem pelo título tendencioso (autodenomina-se uma Obra-Prima? Tô fora.)?

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Baseado na aclamada obra de horror do escritor Stephen King, It (o livro foi traduzido como "A Coisa", nada mal até) conta a história de um palhaço que aterrorizou uma cidade (Derry, no estado do Maine, palco para quase todas as histórias de King) há cerca de 200 anos, e que sempre volta, sendo responsável por sequestros e mortes de crianças.

A Coisa (ou Pennywise, como é chamada a sua personificação em forma de palhaço) comete seu mais novo ataque, chocando a população. E um indivíduo em especial, que trabalha na biblioteca da cidade, começa a dar seus telefonemas, para pessoas distantes, avisando que "A Coisa voltou".

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Então o que vemos durante quase metade do filme são adultos, cada um com sua vida, morando em lugares diferentes, recebendo a notícia do ataque do palhaço, e todos começam a se comover. Todos têm algo em comum. Todos conhecem a presença daquela criatura maquiada e oferecendo balões.

Um dos acertos do filme é mostrar, sem pressa, como cada um dos sete amigos conheceu a criatura maligna, bem como mostrar como eles eram e o que faziam quando crianças. Ficamos conhecendo as angústias, as frustrações, os medos de cada um. Todos eram perdedores (aos olhos da sociedade), formaram o clube dos perdedores, os sete sortudos, que escaparam de ser apanhados pela Coisa. Fizeram um pacto: se a Coisa voltasse, eles se reuniriam novamente para combatê-la. Vale comentar que King é mestre também em criar lindas histórias de amizade (Um Sonho de Liberdade, Conta Comigo).

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A época da infância é inesquecível e talvez a melhor de nossa vida. Acompanhamos a amizade fortalecida das crianças rejeitadas, e fica impossível não sentir empatia. Durante certo ponto do filme, percebemos que somente eles veem a Coisa porque eles ainda acreditam nela. Os adultos não acreditam mais nessas coisas e vivem num mundo muito mais distante. E por mais que nossos heróis tenham crescido, ainda têm parte da infância em suas mentes.

A menos que você tenha medo de palhaços, podemos que dizer que It como terror é medíocre e não assusta. Mas os laços de amizade, os dramas, as marcas do passado, as rejeições, os medos, todos esses elementos que nos colocam lá, junto com eles, dentro da história, fazem com que a experiência de ver o filme seja recompensadora.

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Junte isso àquilo que comentei e todos sabem sobre os títulos tendenciosos e concluímos: It é uma obra-prima? Não do medo, mas pode até ser...


Italo Lobo

Apreciador de humor, futebol, filmes, números, chocolate, dormir, comer, procrastinar, crônicas, livros de suspense/investigativos. Se ganhasse cada 1 real para cada asneira que diz ou escreve, não precisaria trabalhar..
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