monolito azul

Tentando desvendar o cinema, e, talvez, as outras coisas também.

Italo Lobo

Apreciador de humor, futebol, filmes, números, chocolate, dormir, comer, procrastinar, crônicas, livros de suspense/investigativos. Se ganhasse cada 1 real para cada asneira que diz ou escreve, não precisaria trabalhar.

Ash Vs. Evil Dead: Um Desabafo

Se você é admirador da franquia A Morte do Demônio, que marcou o cinema trash nos anos 80, não perca o primeiro episódio dessa nova releitura.


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Mais de três décadas se passaram desde que nosso insano herói Ash descobriu com seus amigos o livro dos mortos, que invoca demônios. Como único sobrevivente, Ash tenta tocar uma vida aparentemente comum, numa cidade pacata. Mas nunca esqueceu de todos os eventos malucos pelos quais passou. E, após um “acidente”, ele espalha pela cidade a maldição. Deverá ele fugir ou enfrentar o mal que novamente ataca?

Screenshot-004.jpg Eventos do filme original aparecem em fragmentos enquanto Ash conta sua história

Não sou de ver séries, embora admire, e muito, as poucas que acompanho. Mas como alguém que ama o gênero terror, encontrar uma adaptação para a TV de um clássico com a mesma dupla Raimi/Campbell é algo imperdível. E, ao menos neste início, o resultado ficou digno.

Screenshot-002.jpg Uma policial que presencia e sobrevive de um ataque do demônio. Seu colega de serviço não teve a mesma sorte

Difícil dizer algo sem fugir do óbvio, mas, para quem tem se decepcionado com o gênero nos últimos anos, encontrar o mesmo Sam Raimi que subverteu o cinema com vinte e poucos anos de idade ou o mesmo Bruce Campbell com uma canastrice ainda maior é de derramar lágrimas.

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Talvez o cinema esteja se tornando mesmo meramente produto, quando cada vez mais há orçamentos absurdos, remakes, reboots, continuações. Falta a veia de criatividade de alguns caras. E não é difícil concluir que esses trinta e poucos minutos lançados pela TV norte-americana há poucos dias são melhores, sim, que qualquer longa-metragem do gênero nos últimos sabe-se lá quantos anos.

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Aqui temos aquele mesmo Evil Dead de mais de trinta anos atrás de volta, com Ash, o livro maldito, as entidades malignas, sustos e risos intercalados, e talvez seja até melhor que os filmes, por termos um diretor mais amadurecido. É o que o reboot deve ter tentado resgatar ano retrasado e não conseguiu. Fracassou, tornando-se apenas mais uma fita descartável dentre as várias de hoje em dia.

Sei que pode ser mera empolgação e que os episódios seguintes sejam inferiores a esse primeiro, mas agora vejo que o audiovisual não está morto. O cuidado com os episódios seguintes pode não ser o mesmo do piloto, e Raimi talvez nem venha a dirigí-los. Mas podemos ter esperança de que ainda há salvação para a sétima arte, em especial para algo difícil como é o terror. Nem que esta salvação dependa de respiros de veteranos, voltando com suas poucas aparições para mostrar aos novos como se faz o serviço. Raimi ainda dirigiu dois filmes nos últimos anos. Mas onde estão John Landis, Joe Dante, o Cronenberg do grotesco, Carpenter? Por outro lado, é fácil entender porque nomes como esses, verdadeiros rebeldes em suas épocas de ouro, têm cada vez menos espaço atualmente.


Italo Lobo

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