monolito azul

Tentando desvendar o cinema, e, talvez, as outras coisas também.

Italo Lobo

Apreciador de humor, futebol, filmes, números, chocolate, dormir, comer, procrastinar, crônicas, livros de suspense/investigativos. Se ganhasse cada 1 real para cada asneira que diz ou escreve, não precisaria trabalhar.

Há Tanto Tempo Não Ouvimos Um Disco!

Algumas pequenas ponderações sobre mudanças de hábitos, adequadas à tecnologia.


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Há alguns anos, antes de o fenômeno da internet atingir diversos lares, todos nós ouvíamos com frequência CD’s, seja nos carros, aparelhos de sons ou CD Players (e, anteriormente, o mesmo ocorria com as fitas tape e LP’s, cada um em sua época). Torcíamos para a mídia não estar corrompida, para que não travasse tudo no meio de uma música.

Logo, as maneiras de desfrutar das canções, isso quando não eram compilados humorísticos ou cursos de idiomas – ou outras variações – eram diversas: no quarto deitado na cama, à beira de janelas ou portas (à noite então, era de um charme indescritível) ou até mesmo ao realizar tarefas domésticas. E o pensamento trabalhando só naquilo que chegava à audição, ou em qualquer outra coisa mais vaga.

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Com certeza, as músicas que decoramos até hoje, em sua maioria, foram na base da repetição ou dos encartes que acompanhavam algumas mídias. Não lendo nos Vagalumes e Kboings da vida ou nos vídeos legendados do Youtube. Fazíamos coleções dos nossos artistas favoritos, ou arriscávamos alguns novos. Às vezes caminhando com as próprias pernas, às vezes por influência de pais, amigos, irmãos. Há casos e casos, que dependem de idade, personalidade, etc.

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Mas longe de condenar as tecnologias. Muito longe disso. Acontece que hoje em dia é comum a ação de várias atividades simultaneamente. Tomemos como principal exemplo a internet: é possível achar quase todos os álbuns, faixas soltas, coletâneas, tudo a poucos cliques. A diferença consiste somente no quanto dispomos a atenção em cada um: você pode ouvir a música enquanto estuda ou lê notícias e curiosidades. Com um tantinho de força de vontade é possível separar e focar somente em um item. Mas enquanto você tem acesso a um mundo dentro de sua própria casa, quer saber logo notícias sobre seu time, seu artista favorito ou aquela informação que está para chegar via email.

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Creio ser grande a diferença no tratamento mental musical deste último caso com o primeiro citado. Falando de maneira pessoal: a apreciação, o gozo das melodias e atenção nas letras tornam-se mais dispersos quando misturados a outras atividades. Se você consegue total assimilação em todas as atividades que executa ao mesmo tempo, tem minha total admiração – e certa inveja.

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Também pode ser aplicado de maneira inversa: talvez sua leitura de um livro possa perder experiências enquanto toca um som. O mesmo vale para o filme/série que é assistido enquanto responde às notificações no Whatsapp ou Facebook. Não vamos aqui criticar ou ditar regra, apenas constatar. Cada geração, cada pessoa funciona de um jeito. Podem-se citar pontos positivos e negativos em cada caso, pode-se argumentar a favor do livro de papel x livro digital, sobre a propagação de falsas notícias web afora ou sobre o fim da demanda nas locadoras. Vamos agradecer por termos liberdade de expressão.


Italo Lobo

Apreciador de humor, futebol, filmes, números, chocolate, dormir, comer, procrastinar, crônicas, livros de suspense/investigativos. Se ganhasse cada 1 real para cada asneira que diz ou escreve, não precisaria trabalhar..
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