monólogos diálogos e discussões

Encontros (e desencontros) de ideias, coisas, pessoas, literatura, psicologia e cinema.

Luana Peres

Ser livre, leve e aberta as possibilidades. Já foi finita. Hoje, através dos seus escritos e delírios, preserva a pretensão de ser infinita e poder transformar o mundo

13 Filmes sobre Ser Humano

Em um mundo onde a Humanidade apresenta-se cada vez mais frágil e sua dignidade cada vez mais violada. Vale parar e se abastecer de histórias que te fazem refletir e acreditar na árdua e sofrida tarefa de SER humano.


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Atualmente, muito se ouve sobre a decadência que a humanidade enfrenta. O senso comum, dominado por tragédias que pipocam na mídia, lamenta. A frase adotada para definir nossa condição parece ser: Antigamente é que era bom! Como se “antigamente” não houvesse nenhum mal e todas as pessoas fossem puras, dignas, honestas e pacíficas.

Há quem diga que não existe mais nenhum princípio moral ou sentimentos sinceros e, para quem já sofreu um bocado nesta vida, sabe que acreditar no outro é uma tarefa árdua e sofrida.

Entretanto, diante deste pessimismo crescente frente a humanidade, vale pensar: Afinal, o que é ser humano? Para Fenomenologia existencial, o homem é um ente privilegiado que pode extrair o sentido do ser. Neste sentido, o homem existe, enquanto as outras “coisas” apenas são (POMPEIA, 2011).

De acordo com Sarlet (2002), o ser humano possui a dignidade como qualidade intrínseca e inseparável. Para autora, é a presença desta dignidade que o define como tal. Silva (1998), ao falar da dignidade da pessoa humana como valor supremo da democracia, coloca que, a ausência de dignidade permite a identificação do ser humano como instrumento, como coisa. Logo, toda ação que agrida a dignidade atinge o cerne da condição humana, promove a desqualificação do ser humano e fere também o princípio da igualdade.

O mesmo autor ressalta que a dignidade da pessoa humana não é uma criação constitucional e os ordenamentos normativos não concedem dignidade. Para Rocha (1999), o que eles fazem é apenas o reconhecimento da dignidade como dado essencial da construção do universo jurídico. Assim, o Direito apesar de ser fundamental na proteção e promoção da dignidade humana, não pode criar ou conceder dignidade, mas produzir mecanismos para que ela seja reconhecida e promovida.

Pensando que existe em todos nós, de maneira intrínseca, a dignidade que nos torna entes e humanos ao invés de coisa ou produto que pode ser violado e vendido, compartilho uma lista com filmes que assisti e me fizeram pensar que HOJE AINDA PODE SER MELHOR QUE ANTIGAMENTE e que SER Humano ainda é possível.

1. O Contador de Histórias (2009) é um filme biográfico brasileiro, que conta a história de um contador de histórias. Trata-se de Roberto Carlos Ramos, ou Roberto Carlos Contador de Histórias, como é conhecido em Belo Horizonte.

2. O filme Questão de Tempo (2013), produzido no Reino Unido, conta a história do jovem Tim Lake e suas descobertas numa emocionante viagem ao tempo.

3. O filme Canção para Marion (2013), apresenta Arthur, morador de uma pensão para idosos que nunca gostou de cantar e que é posto a prova quando sua esposa fica doente e ele decide honrar uma das suas atividades favoritas: participar de um coral.

4. Em um mundo melhor (2010) é um filme escandinavo que narra a vida de Anton (Mikael Persbrandt), um médico que trabalha em um campo de refugiados na África e divide seu tempo entre os dias que passa trabalhando e os dias que passa em casa numa pacata cidade na Dinamarca.

5. O filme Prova de Redenção (2013), conta a história de Diego (Emile Hirsch) e Gemma (Pelélope Cruz) e os conflitos que passam a ter depois que descobrem sua infertilidade.

6. O filme americano Ninguém é perfeito (1999), mostra Walter Joontz (Robert De Niro) como um guarda de segurança aposentado, ultraconservador e orgulhoso, e uma estranha amizade com sua vizinha, uma drag queen chamada Rusty (Philip Seymour Hoffman).

7. O filme Regras da Vida (1999) é baseado no best-seller de John Irving, e conta a história de Homer Wells (Tobey Maguire), um garoto sem parentes que passa a ter como mentor um médico de um orfanato, Dr. Wilbur Larch (Michael Caine).

8.O filme francês Intocáveis (2011) narra a amizade entre Philippe (François Cluzet), um aristocrata rico que após sofrer um grave acidente fica tetraplégico e seu cuidador Driss (Omar Sy), um jovem problemático que não tem a menor experiência em cuidar de pessoas no seu estado.

9. O filme Histórias Cruzadas (2011), se passa numa pequena cidade no estado do Mississipi nos anos 60 e narra a luta de Skeeter (Emma Stone) ao entrevistar as mulheres negras da cidade que deixaram suas vidas para trabalhar na criação dos filhos da elite branca, da qual a própria Skeeter faz parte.

10. Minhas tardes com Margueritte (2010) traz um encontro inusitado entre duas forças. De um lado, ignorância, e do outro, ternura. Entre eles, uma diferença de décadas de idade e, em comum, o encanto pelos livros.

11. O drama O Milagre de Anne Sullivan (1962) narra a história real da incansável Anne Sullivan (Anne Bancroft), uma dedicada e corajosa professora, que com métodos nada usuais entra em confronto direto com os pais de Helen Keller (Patty Duke), uma garota cega, surda e Muda.

12. O filme Lições para toda vida (2003) conta a história de Walter (Haley Joel Osment), um garoto introvertido, que passa o verão na fazenda de dois tios que mal conhece, Garth (Michael Caine) e Hub (Robert Duvall). Ambos têm passados recheados de mistérios, que Walter começa a decifrar aos poucos e que fazem com que o garoto se aproxime cada vez mais dos tios.

13. Os indomáveis (2007), apresenta o jovem rancheiro Dan Evans (Christian Bale), que enfrenta dificuldades financeiras e está prestes a perder as terras onde vive com sua família e o perigoso Ben Wade (Russell Crowe) que segue para uma pequena cidade do velho oeste após ter sido preso.

Não há dúvidas que a vida imite a arte e vice-versa. A lista de filmes é variada e extensa e, aposto que muitos filmes bons o suficiente para entrarem nesta seleção ficaram de fora. De qualquer forma, já temos uma pequena amostra de como a sétima arte pode nos fazer refletir sobre nosso papel como ser humano e o cuidado com a nossa dignidade.

Afinal, a humanidade nos é dada, mas cabe a nós a sua promoção e reconhecimento.

REFERÊNCIAS

POMPEIA, João Augusto; SAPIENZA, Bilê Tatit. Os dois nascimentos do homem: escritos sobre terapia e educação na era da técnica. 1. Ed. Rio de Janeiro: Via Verita, 2011.

ROCHA, Carmen Lucia Antunes. O princípio da dignidade da pessoa humana e a exclusão social. Interesse Público, v.1, n. 4, p. 23-48, out-dez, 1999.

SARLET, Wolfgang Ingo.Dignidade da pessoa humana e direitos fundamentais na Constituição da República de 1988.Porto Alegre: Livraria do Advogado, 2002, p. 26.


Luana Peres

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