monólogos diálogos e discussões

Encontros (e desencontros) de ideias, coisas, pessoas, literatura, psicologia e cinema.

Luana Peres

Ser livre, leve e aberta as possibilidades. Já foi finita. Hoje, através dos seus escritos e delírios, preserva a pretensão de ser infinita e poder transformar o mundo

O amor também acaba

Leminski precisa saber! O amor também acaba. Ele vira rima, ele vira raiva. E entre cometer um crime passional e escrever um poema. Melhor ficar com a poesia!


tumblr_lqgiy44nQQ1qbsz3ko1_500_large.jpg

Ela

Lembra quando ele ficava nervoso, começava a gaguejar e você achava fofo a sua timidez e insegurança? Lembra quando ele abriu a porta do carro, puxou a cadeira para você sentar e você achou aquilo extremamente gentil? Lembra quando ele sempre atendia o telefonema da mãe e você achava a coisa mais meiga do mundo? A barba por fazer era charmosa. O futebol no domingo não era problema. Aquela camisa velha o deixava atraente. Você adorava a maneira como ele segurava o cigarro. Achava sedutor. E aqueles discos antigos que ele insistia em ouvir nos momentos que estavam sós? Parecia tão romântico. O sotaque. A maneira como pronunciava as palavras. O jeito de escrever. Lembra quando ele te mandou mensagem às 2h da manhã, bêbado, dizendo que te amava e você se sentiu a mulher mais feliz do mundo?

Tudo era lindo. Seu cachorro. Seu skate. Sua cicatriz. Seus pelos. Suas manias. Suas pintas. Você pensava (e também dizia um milhão de vezes para todas as suas amigas) Como não amar este homem?

tumblr_mftgnlk7111ruvwe5o1_500.png

Ele

Lembra como ela sorriu timidamente na primeira vez que se viram? Lembra que você achou irresistível o charme que ela fez até te dar o primeiro beijo? Lembra como se sentiu atraído por sua fragilidade e delicadeza? A maneira como mexia no cabelo. Os óculos na ponta do nariz. As unhas sem esmalte. Você não conseguia acreditar como alguém tão simples podia ser tão sensual. Lembra que se sentia o cara mais privilegiado do mundo por encontrar alguém que gostasse tanto da sua mãe quanto você? Lembra que achava sexy e extremamente irresistível toda vez que ela desfilava de lingerie na frente da TV na hora do jogo?

Seus gatos. Seu perfume. Sua camisola. Seus pelos. Suas manias. Suas pintas. Você pensava (e também dizia, bêbado, para os amigos no bar) Como não amar esta mulher?

tumblr_ltivlplkTf1qamfhqo1_500.png

Ela

Acontece que, no meio do caminho, você começou a se irritar com a sua gagueira inoportuna. Era só perguntar onde ou com quem ele estava que já começava a gaguejar. Não parecia falar a verdade. Extremamente inseguro. Como poderia confiar no que ele dizia se ele próprio parecia não confiar? E aquelas besteiras de cavalheirismo? Ele não sabia que você era uma mulher moderna, que não precisava de um homem que abrisse portas e desmerecesse sua capacidade de fazer qualquer coisa sozinha? Sua submissão à mãe. Sua necessidade de atender o telefone toda vez que ela ligava. As incontáveis vezes que ele teve que te deixar para “socorrê-la”. Como se não bastasse, ainda tinha a barba por fazer e aquela camisa velha que ele insistia em usar toda vez que saíam. Será que ele não percebia que parecia mais um pobretão cafona com ar de artista falido do que seu namorado? Isso sem falar do vicio do cigarro. Aquele cheiro que impregnava roupas e paredes. Como ele podia ser tão desleixado com a saúde? O futebol? O futebol era só desculpa para encher a cara com os amigos!

Seu cachorro. Seu skate. Sua cicatriz. Seus pelos. Suas manias. Suas pintas. Você pensava (e também dizia um milhão de vezes para todas as suas amigas) Como pude amar este homem?

tumblr_lcrakeAu5J1qdxj5oo1_500.png

Ele

Com ela não foi diferente. Aqueles joguinhos infantis que ela fazia. Desde a primeira vez que se viram. Sempre se colocando no lugar de vítima. Sua passividade. Sua falta de ambição. Por acaso ela não sabia que o mundo precisa de mulheres fortes? Donas do corpo. Donas da situação. A mania de ficar mexendo no cabelo enquanto comiam. Aqueles óculos que a envelheciam. A pouca vaidade. Custava passar um esmalte vermelho e caprichar um pouco mais no visual quando saíam com os amigos? Ela era simples demais. Nada sensual. Isso sem falar de quando vocês brigavam e ela ia logo ligar para sua mãe. Enquanto tentava ver a partida de futebol as duas se juntavam para falar mal de você como se a sua presença fosse indiferente.

Seus gatos. Seu perfume. Sua camisola. Seus pelos. Suas manias. Suas pintas. Você pensava (e também dizia, bêbado, para os amigos no bar) Como pude amar esta mulher?

20131214-500-dias-com-ela-95-488.jpg

Você vai ver e, infelizmente, viver esta situação mais de uma vez durante a vida. Caso seja uma pessoa privilegiada, e extremamente rara e sortuda, poderá viver esta experiência através da arte e desgraça dos amigos mais próximos. Mais uma vez, se tem dúvida sobre o que acontece com o amor depois que ele decide partir, veja os filmes que aparecem por aqui:

ABC do amor (2005) e 500 dias com ela (2009), são apenas algumas das dicas de filme relacionados ao tema.

Além da sétima arte, você também pode recorrer a uma lista vasta e extensa de música, desde os clássicos até os pagodes dor de cotovelo. Se nada der certo. Apele para a poesia. Leia e escreva poesia. Afinal, Leminski precisa saber! O amor também acaba. Ele vira rima, ele vira raiva. E entre cometer um crime passional e escrever um poema...

Melhor ficar com a poesia!

10410495_472890682854271_2472737078962494968_n.jpg


Luana Peres

Ser livre, leve e aberta as possibilidades. Já foi finita. Hoje, através dos seus escritos e delírios, preserva a pretensão de ser infinita e poder transformar o mundo .
Saiba como escrever na obvious.
version 3/s/recortes// @destaque, @hplounge, @obvious, @obvioushp //Luana Peres