monólogos diálogos e discussões

Encontros (e desencontros) de ideias, coisas, pessoas, literatura, psicologia e cinema.

Luana Peres

Ser livre, leve e aberta as possibilidades. Já foi finita. Hoje, através dos seus escritos e delírios, preserva a pretensão de ser infinita e poder transformar o mundo

O amor dura três dias

Pois bem, se o que buscamos é viver um amor mágico, destes contados no cinema, estou certa de que o amor dura apenas três dias. O que se vive depois deste período? Eu ainda não sei o nome.


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Talvez, amor seja aquilo que acaba antes do fim ou aquilo que tem fim antes de acabar. Grande parte das histórias de amor que acompanhamos é assim, quanto mais iminente e trágico o final, mais verdadeiro e intenso parece o amor.

Romeu e Julieta, um clássico do amor romântico, durou três dias. Jack e Rose, durou um naufrágio. Ao menos, 70% dos casais no cinema, duraram o diagnóstico de uma doença terminal. Lagoa azul, não resistiu a saída de uma Ilha. Outros, não resistiram nem a uma ponte aérea.

“Tristão e Isolda”, “O Morro dos ventos uivantes”, “Um dia”, “Apenas o fim”, “Apenas uma vez”, “Pronta para amar”, “Casablanca”, “Cidade dos Anjos”, “Tudo por amor”, “O Curioso caso de Benjamin Button”, “Doce novembro”, “Outubro em Nova York”, “Moulin Rouge”, “Meu primeiro amor”, “Hamlet”...

Há uma lista infinita de exemplos e, de Shakespeare a Nicholas Sparks, podemos ver como o amor romântico, este ideal utópico redundante, se ampara na profundidade do efêmero. Vale ressaltar que cada obra desta apresenta mil desdobramentos e leituras infinitas, no entanto, é curioso perceber, na análise que fazemos destes casais, como todos pareciam ser eternos e, ainda assim, sempre com as mais nobres razões (dignas de um "grand finale") acabaram antes do fim.

Este amor, visto no cinema e na literatura, e que por vezes se transforma em referência do que é estar e ser apaixonado, carrega uma fantasia latente que é alimentada por momentos mágicos.

Mágicos? Sim, mágicos.

Mágicos porque foram raros. Porque não se repetiram ao longo de 30 anos quando você dorme e acorda com alguém. Mágico porque não deu tempo de implicar com as manias do outro. De conhecer parte da família que preferia desconhecer. De brigar pelo lugar que as coisas deveriam ficar. Pela escola que os filhos deveriam frequentar.

Foi mágico porque não teve tempo de aparecer uma terceira pessoa e botar em cheque sua fidelidade. Mágico porque não dividiram as contas e as tarefas domésticas. Mágico porque você não vivenciou a tpm quando queria ficar com ela e o futebol com os amigos quando queria ficar com ele. Mágico porque não era real. Porque não durou mais do que alguns dias.

Pois bem, se o que buscamos é viver um amor mágico, destes contados no cinema, estou certa de que o amor dura apenas três dias.

O que se vive depois deste período? Eu ainda não sei o nome.

Obs.: Pra quem, como eu, ama filmes, o título deste texto deve ter lembrado um filme francês que se chama “O amor dura três anos”.

A indagação é válida.


Luana Peres

Ser livre, leve e aberta as possibilidades. Já foi finita. Hoje, através dos seus escritos e delírios, preserva a pretensão de ser infinita e poder transformar o mundo .
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