monólogos diálogos e discussões

Encontros (e desencontros) de ideias, coisas, pessoas, literatura, psicologia e cinema.

Luana Peres

Ser livre, leve e aberta as possibilidades. Já foi finita. Hoje, através dos seus escritos e delírios, preserva a pretensão de ser infinita e poder transformar o mundo

Quem tem medo do amor?

Quando somos crianças, temos medos absurdos. Tememos fantasias, monstros e fantasmas, mas em nenhum momento temos medo dos perigos reais da vida. Quando pequenos, não nos questionamos sobre qual a profundidade da água antes de fazer o mergulho, a gente se joga de cabeça. Não paramos pra pensar se o café está quente, a gente vai com tudo e queima a língua. Não paramos pra pensar se o amiguinho vai gostar do que dissemos, só falamos. Não tememos perder o amor, só amamos.


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A gente precisa decidir se vai mergulhar com tudo ou ficar no raso. Se vai imergir no sentimento profundo ou se vai ficar na segurança da superfície. Se vai se entregar, se inundar, se alagar ou se vai, simplesmente, recuar e distanciar-se do risco.

Distanciar-se do outro.

Distanciar-se do risco de amar o outro!

É difícil, mas, diante das peripécias da vida, a gente tem que escolher um caminho. Você precisa dizer se acredita ou se perdeu a fé. Se vê o copo meio cheio ou meio vazio.

Não é fácil.

Diante de cada pancada, uma ferida nova se instala. Junto com a dor, vem um aprendizado que a gente não sabe ao certo o que ensina, pois, basta o coração bater mais forte, e lá estamos nós nos fazendo as mesmas perguntas, dando os mesmos tropeços e caindo nas mesmas ciladas.

A escolha entre amar e temer requer maturidade. Maturidade que é construída ao longo do caminho e reforçada, ora para uma margem, ora para outra.

Quando somos crianças, temos medos absurdos. Tememos fantasias, monstros e fantasmas, mas em nenhum momento temos medo dos perigos reais da vida. Quando pequenos, não nos questionamos sobre qual a profundidade da água antes de fazer o mergulho, a gente se joga de cabeça. Não paramos pra pensar se o café está quente, a gente vai com tudo e queima a língua. Não paramos pra pensar se o amiguinho vai gostar do que dissemos, só falamos. Não tememos perder o amor, só amamos.

Na medida em que vamos crescendo, juntando hematomas, traumas e desavenças, o medo se instala. Ele se abriga e se apropria do território que antes você dominava com bravura e desejo. Você teme. Desde o risco de queimar a língua até o risco de perder o amor. A coragem foge e as pernas vacilam. Você até quer amar, mas teme.

Aos poucos, deixa de, simplesmente, sentir, para questionar o que sente e temer. Tenta ser otimista e ao mesmo tempo se preparar para a dor da decepção. Tenta ter controle e entrega. Um amor paradoxo. Um disparate governado pela razão. Uma tentativa de vôo com os dois pés no chão.

A gente quer viver o que não cabe: a sorte de um amor tranquilo com sabor de fruta mordida.

(Cazuza deve entender)

Nós não. Nós não entendemos. Nós não decidimos se queremos viver ou temer o amor.

Se o coração está meio cheio ou meio vazio. Se queimamos a língua ou se esperamos para viver um amor frio.


Luana Peres

Ser livre, leve e aberta as possibilidades. Já foi finita. Hoje, através dos seus escritos e delírios, preserva a pretensão de ser infinita e poder transformar o mundo .
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