monólogos diálogos e discussões

Encontros (e desencontros) de ideias, coisas, pessoas, literatura, psicologia e cinema.

Luana Peres

Ser livre, leve e aberta as possibilidades. Já foi finita. Hoje, através dos seus escritos e delírios, preserva a pretensão de ser infinita e poder transformar o mundo

Todos temos dias ruins

Não era meu dia. Não era minha semana. Não era meu mês. Não era meu ano. Não era a porra da minha vida (Charles Bukowski)


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alguns dias, ria até chorar; outros, apenas chorava. na sua estante de livros transbordava títulos com todo romance que não poderia ter. apenas o drama, que não cabia nas prateleiras, esgueirava-se até a sua cama e tecia trágicas anedotas.

- destas que a gente finge não ligar, mas por dentro quer morrer -

para juntar-se aos seus sonhos e fantasias, filmes de Woody Allen com doses desmedidas de existencialismo. batidas fortes. música alta. poemas rabiscados. bloco de notas repleto de mensagens que nunca foram ou serão enviadas.

em dias de sol - sorriso. em dias de chuva - suspiro.

alguns dias não cabia nas horas, outros estendiam-se infinitamente de maneira dolorosa. num momento esta dor parecia pulsar como quem grita "ainda estou aqui"; em outros mal se lembrava das tristes tramas que havia protagonizado.

transas e traumas giravam numa ciranda gigante de modo colossal, arrebatador e desastroso. a desordem era ordem comum. ora via o pessimismo como uma espécie de realismo fundamental, ora vislumbrava no otimismo a chance de acreditar que no fundo – bem no fundo – sua sorte mudaria.

às vezes Chico fazia sentido, outras vezes era Cartola quem ditava a sina. no auge do precipício era Los Hermanos que tocava e quando queria permanecer no fundo escuro do abismo botava Edith Piaf e mesclava com doses de vinho e Jacques Brel. comia brigadeiro de panela, macarrão instantâneo e lasanha congelada. numa tentativa desesperada de imergir da dor Lia Bukowski e, perto de desacreditar no ser humano, se afundava em Nietzsche.

difícil saber quantos dias ruins seguem até que você volte a acreditar que dias bons virão. pode ser uma escala desigual e até injusta. o fato acalentador é que é passageira. como sentimentos efêmeros, pessoas provisórias, dores transitórias e sofrimentos temporários. Os dias passam. as pessoas passam. você fica. fica com o dever de acreditar que depois da tempestade surge um arco-íris com promessa de pote de ouro no fim.

mesmo que mais uma vez isso seja mentira, cabe a você acreditar que, entre os dias ruins, dias bons te darão impulso para crer e seguir.


Luana Peres

Ser livre, leve e aberta as possibilidades. Já foi finita. Hoje, através dos seus escritos e delírios, preserva a pretensão de ser infinita e poder transformar o mundo .
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