monólogos diálogos e discussões

Encontros (e desencontros) de ideias, coisas, pessoas, literatura, psicologia e cinema.

Luana Peres

Ser livre, leve e aberta as possibilidades. Já foi finita. Hoje, através dos seus escritos e delírios, preserva a pretensão de ser infinita e poder transformar o mundo

O que dizer diante da morte?

Deve ser este o toque peculiar da morte, calar os que vão e silenciar os que ficam.


luto.jpg

A morte causa um vazio imenso que não pode ser preenchido por palavras, e mesmo aquelas mais bonitas, num momento de luto, ainda parecem totalmente desnecessárias. Não importa quanto amor e solidariedade elas carreguem, elas ainda são apenas palavras. E palavras não trazem quem amamos de volta, palavras não curam dor, palavras não preenchem vazios! As palavras, quando muito, consolam ou - apenas - tentam consolar.

Nós nascemos, e ainda crianças, já descobrimos que a morte é dada para todos nós. Lidamos com nossa finitude presenciando o fim do nosso igual a todo o momento e sabemos desde sempre, que não há como escapar... que a sina é única, iminente, dolorosa, cruel e sorrateira. A psiquiatra Kübler-Ross ressalta em sua obra Sobre a Morte e o Morrer que “como somos todos imortais em nosso inconsciente, é quase inconcebível temos de enfrentar a morte” (p.47).

Pois bem, incrível sabermos tão pouco sobre o mistério da vida e carregarmos tudo sobre a certeza da morte! E, mesmo assim, mesmo sabendo, que cedo ou tarde, ela vai chegar... No momento que ela alcança quem amamos, nunca estamos preparados.

Então, o que dizer ou fazer diante da morte? Tenho a impressão que por mais que façamos ou digamos algo, nunca conseguiremos fazer com que a dor de alguém diminua. Nunca poderemos alcançar o sofrimento por qual a pessoa está passando e nunca seremos capazes de dizer algo que faça com que ela se sinta melhor ou mais segura diante do maior e mais temido destino. Diante do choque do luto, até mesmo falar do amor de Deus e de suas infinitas formas de agir, se torna cruel e inoportuno.

Então, como reagir diante de partidas? Como encontrar palavras que possam ser consoladoras? Como oferecer acolhimento e esperança diante de uma calamidade?

Não há fórmulas mágicas e eficazes.

No entanto, sigamos acreditando que, além de partilhar o sofrimento com o outro e permitir que todas as emoções sejam exteriorizadas até que, pouco a pouco, uma aceitação desta nova condição aconteça, o silêncio respeitoso e o ouvido atento atrelado a um coração aberto, ainda é a melhor forma de lidar com a dor da perda.

KLUBER-ROSS, E. Sobre a morte e o morrer. São Paulo: Martins Fontes, 2005.


Luana Peres

Ser livre, leve e aberta as possibilidades. Já foi finita. Hoje, através dos seus escritos e delírios, preserva a pretensão de ser infinita e poder transformar o mundo .
Saiba como escrever na obvious.
version 12/s/recortes// @obvious, @obvioushp //Luana Peres