monólogos diálogos e discussões

Encontros (e desencontros) de ideias, coisas, pessoas, literatura, psicologia e cinema.

Luana Peres

Ser livre, leve e aberta as possibilidades. Já foi finita. Hoje, através dos seus escritos e delírios, preserva a pretensão de ser infinita e poder transformar o mundo

Bolsonaro: representatividade e terceirização

É preciso reconhecer, independente do nosso posicionamento ideológico/político, que a situação do país é de imensa fragilidade e desorientação. Nos falta o básico. Nos privam do mínimo. Há medo, desigualdade, violência, abuso e exploração em todos os setores possíveis e imagináveis. Agora me diz... Que tempos são/serão esses que desejamos evoluir para um mundo melhor sem o mínimo de respeito pela diversidade que a condição humana produz?


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Há, nesta época, um milhão de problemas para lidarmos. Precisamos pensar em economia, saúde, educação, segurança, reforma política... Precisamos traçar soluções efetivas e transformadoras capazes de mudar a estrutura de toda uma sociedade. Precisamos ser "inteligentes", "competentes", "éticos", "ágeis", "carismáticos"...

- ficha limpa, anti Lula, FORA TEMER, fora Dilma, fora Cunha, Juiz herói, a culpa não foi minha, viva coronel Ustra -

Temos que limpar a "sujeira" - dos muros e das ruas. Delimitar terras e espaços. Sacudir a grade educacional, dar pitaco na família "anormal/atual" e limitar o orifício alheio... temos que trazer GESTOR, MILITAR, PASTOR e qualquer conservador/fundamentalista/heterossexual/homem/rico/cristão/acadêmico que possa fazer por nós o que nós - enquanto cidadão comum sem privilégios políticos - não podemos fazer.

Por muito tempo, enxerguei o Deputado Jair Bolsonaro como “meme” até que, para minha surpresa, comecei a atuar em conjunto com jovens e pude perceber a contradição mais bizarra de todos os tempos: Uma juventude moralista que apoia o candidato e o enxerga como grande salvador do mundo (que, segundo eles, jaz nas garras da esquerda imoral, corrupta e defensora de bandido).

O possível candidato é apoiado e defendido por inúmeras pessoas. E, meu espanto maior é ter que dialogar sobre sua possível chance de presidiar um país com pessoas que não compreendem um pressuposto básico: respeito ao próximo.

Sabendo que a mídia deturpa e cria personagens, tive o cuidado de nunca fazer um julgamento do político sem antes ouvir seu próprio discurso. Não tive dificuldades em encontrar inúmeras falas do mesmo a respeito do seu posicionamento com relação à sociedade e seus meios para torná-la um lugar habitável para o “cidadão de bem”.

Constatei, com tristeza profunda, que o deputado é querido por seu posicionamento extremista, misógino, homofóbico, agressivo e moralista. Compreendi que o país perfeito, segundo seus eleitores e admiradores, é um país em que mulher, gay, negro e bandido sabem ficar nos seus respectivos lugares. Sua ação – RASA, VIOLENTA, REDUCIONISTA é baseada numa moral "cristã inversa" que prega medidas absurdas contra o ser humano sem que este possa ter qualquer chance de êxito no processo de transformação.

Eu já perdi a conta de quantas vezes perdi a discussão com seus fãs. Por que? Porque não tem o que discutir! Afinal, me parece que a ideia é terceirizar o preconceito, o ódio, e a falta de HUMANIDADE, porque se ela vem do grande "MESSIAS/2018" toda ação contra o ser humano passa a ser legitimada através da sua representação.

É preciso reconhecer, independente do nosso posicionamento ideológico/político, que a situação do país é de imensa fragilidade e desorientação. Nos falta o básico. Nos privam do mínimo. Há medo, desigualdade, violência, abuso e exploração em todos os setores possíveis e imagináveis.

A GENTE TEM QUE MUDAR!

Agora me diz... Que tempos são/serão esses que desejamos evoluir para um mundo melhor sem o mínimo de respeito pela diversidade que a condição humana produz?

Quem vota Bolsonaro 2018 deve saber.


Luana Peres

Ser livre, leve e aberta as possibilidades. Já foi finita. Hoje, através dos seus escritos e delírios, preserva a pretensão de ser infinita e poder transformar o mundo .
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