monólogos diálogos e discussões

Encontros (e desencontros) de ideias, coisas, pessoas, literatura, psicologia e cinema.

Luana Peres

Ser livre, leve e aberta as possibilidades. Já foi finita. Hoje, através dos seus escritos e delírios, preserva a pretensão de ser infinita e poder transformar o mundo

10 lembretes para não pirar em tempos de isolamento

As pessoas estão desajustadas porque o mundo está abalado. Entenda que a nossa produtividade não será a mesma por infinitas variáveis que fogem do nosso controle. Tudo bem não fazer tudo e tudo bem querer fazer todas as coisas ao mesmo tempo. É um período de transição e instabilidade. Como tudo que já passou, passará.


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Sempre fui muito produtiva e agitada, sempre fui multitarefas, sempre fiz muita coisa, mas - agora - tô demais! E a questão é: Por quê? Se tenho muito mais tempo porque estou correndo? Porque estou fazendo várias coisas concomitantemente? Reflito que, apesar da variável tempo não ser uma preocupação, há no paralelo um apontamento importante: não é o tempo que nos falta, mas o tempo que nos resta. Diante da fragilidade da vida - que é jogada minuto a minuto na nossa cara - (ATÉ AGORA MAIS DE 8 MIL MORTOS) vem essa urgência de fazer tudo que sempre quisemos e nos é possível. E se a vida acabar amanhã? (E não que antes ela fosse inviolável, não é e também nunca foi). Mas, agora, com todo esse remelexo que nos atinge no cerne de nossa existência, querer fazer várias coisas também é uma resposta à angústia sobre a certeza da morte e incertezas da vida. De novo, cada um é um mundo, cada um reage de uma forma. Para que possamos respeitar nossos novos modos de ser e fazer diante do caos, tomei a liberdade de listar (porque sou a pessoa das listas e isso pode funcionar para algumas pessoas e em alguns momentos) lembretes para retornarmos ao nosso lugar de humanidade:

1.Primeiro, angústias e problemas interiores já eram presentes antes disso tudo. Ou seja, você tem um plus de questões em várias dimensões. É natural estar confuso e sobrecarregado.

2.Se você é pai, mãe ou responsável por crianças e/ou adolescentes, não minta sobre a verdade da situação. Estar em contato com a realidade é bom para você e para os outros. Algumas vezes, na angústia de proteger e fazer o melhor por nossos "pequenos" tiramos a angústia da frustração real de nosso filhos e, acredite, se fizer isso eles ficarão frustrados por outras tantas coisas menores que - possivelmente - prejudicarão seu desenvolvimento no futuro.

3.Existe uma situação que toca todos e alguns estão mais vulneráveis e em situação de maior fragilidade, o que - neste momento - nos impulsionaria a trabalhar aspectos como a interação e solidariedade. Em contraponto, se você não tem - neste momento - disponibilidade afetiva ou financeira para ajudar, tudo bem. De repente você é quem precisa de ajuda... Aceite.

4.É importante pensar sobre flexibilidade! Há a necessidade de uma "repactuação" no sentido que nossos pactos/contratos precisam ser revistos e refeitos. O método, a regra, a lei, a norma, o hábito... Tudo isso se torna questionável diante da urgência da situação. Precisamos olhar para nosso contexto e necessidade e estabelecer novos enquadres (isso vale para todos os campos e tipos de relações).

5.Retornamos Para o momento de valorização da palavra. Então, que possamos neste campo verbal ressignificar o seu valor e também respeitar nossos silêncios que são capazes de dizer tantas coisas.

6.A criança pode não verbalizar, mas ela intui a verdade e pode apresentar a angústia através de sintomas. Assim, é importante que estejamos bem para dar suporte à eles que, apesar de bastante resilientes, podem sofrer este impacto de forma relevante.

7.Alguns estão - pela primeira vez - vivendo o que só compreendiam a partir das narrativas de guerra, pestes e catástrofes. A cena de medo, morte, dor, dúvida e desamparo já foram presentes na humanidade e continuarão sendo. A pergunta é: como fica o mundo e como fico eu depois disso tudo?

8.As pessoas estão desajustadas porque o mundo está abalado. Entenda que a nossa produtividade não será a mesma por infinitas variáveis que fogem do nosso controle. Tudo bem não fazer tudo e tudo bem querer fazer todas as coisas ao mesmo tempo. É um período de transição e instabilidade. Como tudo que já passou, passará.

9.Não se deixe levar a obsessão de que não podemos ter perdas. Teremos! Estamos tendo e elas continuarão até que possamos estabelecer novos modos de fazer.

10.Continue sonhando! Sonhar pulsiona a vida! Mas não esqueça de pensar que metas e planejamentos de longo prazo não convém neste momento de alta instabilidade e incerteza. Um dia de cada vez e um tiquinho de sonho pra ter esperança.

-Essa reflexão parte do vídeo produzido por Christian Dunker: Para pais em quarentena.


Luana Peres

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