monólogos diálogos e discussões

Encontros (e desencontros) de ideias, coisas, pessoas, literatura, psicologia e cinema.

Luana Peres

Ser livre, leve e aberta as possibilidades. Já foi finita. Hoje, através dos seus escritos e delírios, preserva a pretensão de ser infinita e poder transformar o mundo

A cultura do cancelamento precisa ser cancelada?

Não quero "passar pano" pra erros, mas será que colocar pessoas num altar de ataque e punição pública ensina? Quais emoções e ações geradas diante do cancelamento de alguém? A gente precisa entender suas consequências e efeitos antes de sair cancelando pessoas. Afinal, será que somos tão evoluídos quanto pensamos ser? Hoje talvez, amanhã provavelmente não.


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Não queremos mais nem ouvir falar de certas pessoas porque as consideramos preconceituosas e/ou retrógradas, ... Freud, Monteiro Lobato, Vinicius de Moraes, Chico Buarque, a lista é longa e … Deus nos livre, né? A gente não tem nada a ver com essas pessoas, a gente é a pura nata da desconstrução, certo? Totalmente despidos de preconceitos, somos uma nação de lacradores do erro alheio. Desde grandes marcas, famosos, pensadores, cientistas e políticos até cidadãos comuns - como eu e você - ninguém escapa da “cultura do cancelamento”.

A questão é complexa, envolve grandes debates, mas no fim das contas parece que na era digital, em que avatares de deuses digitais nos condenam, nada é suficiente para agradar a gregos e troianos. Aliás, nunca foi e nunca será! No entanto, diante da abrangência que a globalização digital pressupõe, num único clique mal pensado ou mal interpretado, você pode: perder o emprego, terminar um relacionamento, ter contratos de trabalho cancelados, sofrer agressões verbais, ameaças de morte... Ou seja, ter sua vida invadida e posta do avesso.

Vide último episódio do BBB.

No site Minasnerds é posto que "A ideia de cancelar/boicotar pessoas não é nem um pouco nova e no episódio White Christmas, de Black Mirror, a ideia de bloquear alguém é elevada a níveis extremos. O que é relativamente recente é a quantidade de pessoas brancas preocupadas com as consequências dessa cultura do cancelamento. Há uma quantidade considerável de análises, textos, vídeos, podcasts buscando entender as possíveis consequências de uma celebridade ser boicotada. Melhor dizendo, HÁ UMA QUANTIDADE CONSIDERÁVEL DE PESSOAS BRANCAS E DE HOMENS PREOCUPADOS COM O CANCELAMENTO DE OUTRAS PESSOAS BRANCAS."

O que esse fenômeno diz pra nós?

Vale pensar que - muitos desses aí que consideramos cancelar graças suas ações - sofreram fortes e duras críticas por se colocarem à frente do seu tempo em diferentes aspectos. Fico me perguntando se - daqui 100 anos - não seremos apontados e cancelados por jovens que enxergam o mundo a partir de outra perspectiva e em outros tempos. (Ao que se refere às questões ambientais, não tenho dúvida que seremos rechaçados). Não quero "passar pano" pra erros, mas será que colocar pessoas num altar de ataque e punição pública ensina? Quais emoções e ações geradas diante do cancelamento de alguém? A gente precisa entender suas consequências e efeitos antes de sair cancelando pessoas. Afinal, será que somos tão evoluídos quanto pensamos ser? Hoje talvez, amanhã provavelmente não.


Luana Peres

Ser livre, leve e aberta as possibilidades. Já foi finita. Hoje, através dos seus escritos e delírios, preserva a pretensão de ser infinita e poder transformar o mundo .
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