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Recorte de histórias a formar um composto textual

Ana Célia Ellero

Transformar o mundo real em palavras é utopia, mas escrevê-lo pode ser uma forma de, por alguns momentos, olhá-lo nos olhos.

"Guernica" - 78 anos: história, detalhes e desdobramentos da obra

O painel, em que estão simbolizados os horrores causados pelo bombardeio à vila de Guernica, tornou-se a obra mais importante de Picasso.


Guernica.jpg Uma das imagens mais fortes produzidas a partir do Guerra Civil Espanhola (1936-1939) foi o painel "Guernica", pintado por Pablo Picasso, em 1937, completando, portanto, em 2015, 78 anos de existência.

O painel retrata as ações militares das forças conduzidas pelo general Franco, em 26 de abril de 1937, contra a população que habitava o território espanhol, principalmente a vila de Guernica, situada na região norte da Espanha, ocupada por cerca de 6 mil habitantes. Os ataques foram feitos pelos aviões da Luftwaffe (Força Aérea Alemã), vinculados a Franco. Os alemães usaram os ataques a Guernica como experiências para ataques posteriores contra os inimigos na Segunda Guerra Mundial.

Alguns historiadores consideram que a escolha do ditador espanhol em bombardear Guernica foi um ato simbólico, pois essa vila estava localizada em uma das províncias do País Basco e, em 1936, os bascos haviam assinado um tratado de autonomia com o Governo Republicano Espanhol, a quem Franco tinha declaro guerra.

O que Franco não esperava era uma repercussão internacional tão ampla sobre o fato. Na ocasião do bombardeio, estavam presentes na Espanha um grande número de correspondentes de guerra, jornalistas que cobriram o ataque no mesmo dia em que ele aconteceu.

Imediatamente a notícia se espalhou pelo mundo, e foi através dos jornais que Picasso, radicado na França nessa época, tomou conhecimento do fato. Picasso havia recebido um pedido do Governo Republicano Espanhol para produzir um quadro que comporia o pavilhão espanhol na Exposição Internacional de Paris de 1937 e, diante da tragédia, teve a ideia da elaboração da obra "Guernica".

Os detalhes da Obra:

"Guernica" foi produzido em menos de um mês. No painel, estão simbolizados os horrores causados pelo bombardeio. Na obra que veio a se tornar a mais importante de Picasso, o artista buscou fazer propaganda contra a insurreição franquista. O painel tem 3,49 m de altura e 7,76 m de comprimento.

Picasso pintou a obra Guernica trinta anos após sua primeira obra Cubista, Les demoiselles d’Avingnon. "Guernica" é considerada uma pintura cubista, sendo possível notar na obra as características do cubismo ao apresentar as figuras de forma desarmoniosa, subjetivas.

Segundo a historiadora Lilian Maria Martins de Aguiar, o observador vê no painel figuras que expressam aflição, dor, insegurança, sofrimento, como a mulher com a criança no colo e o cavalo. As cores usadas por Picasso apresentam tons acinzentados. Também são usadas as cores preta e branca de maneira a remeter o pensamento de quem está diante da imagem à morte, ao horror, ao desumano, à guerra e à destruição.

Para a historiadora, os aspectos simbólicos da obra expressados pelas figuras do touro, da flor, da mão que segura uma espécie de lamparina dão a ideia da luta, da violência acontecida na vila de Guernica, representando concomitantemente o recomeço, a esperança de um povo massacrado pela ambição de outros.

No lado direito superior do painel "Guernica", há um homem de braços abertos, voltados para cima, num momento de desespero, como que para deter as bombas que caem do céu. Muitos pesquisadores acreditam que Picasso inspirou-se em uma obra do ano de 1808 do também pintor espanhol Francisco Goya, o quadro “Os Fuzilamentos de 3 de Maio”, onde um homem que vai ser fuzilado estendo os braços para os atiradores.

"Guernica" permaneceu muito tempo em Paris. Picasso pediu que o painel só fosse enviado à Espanha quando o país novamente fosse uma democracia. Hoje, "Guernica" encontra-se no Museu Nacional Centro de Arte Reina Sofia, em Madri.

Releituras de "Guernica":

"Guernica" vem inspirando outros artistas a fazerem releituras da obra, como a do brasileiro Alex Frechette, que, em 2014, trouxe Guernica para o Rio de Janeiro dos dias atuais: “onde uma mãe é arrastada por uma viatura, as remoções são constantes, o número de desabrigados é alarmante, Amarildo desaparece (...)” Alex Frechette.jpg

Outras releituras:

pollock 02.jpg Grupo Art & Language - estilo Jackson Pollock (1980)

thomas zipp 02.jpg Thomas Zipp (2011)

robert longo 03.jpg Robert Longo (2008)

gary hume 02.jpg Gary Hume (1992)

Imagens: Internet

Colaboração de RODRIGO CORDER (facebook.com/rmcorder)

Fontes: brasilescola.com; coletivocarranca.cc; mundoeducacao.com


Ana Célia Ellero

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