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Recorte de histórias a formar um composto textual

Ana Célia Ellero

Transformar o mundo real em palavras é utopia, mas escrevê-lo pode ser uma forma de, por alguns momentos, olhá-lo nos olhos.

Grupo Corpo comemora 40 anos com novo espetáculo e mostra sua história em canal da internet

Com uma técnica apurada, somada à sensualidade, ao lirismo e à alegria que caracterizam a companhia, o Grupo Corpo permanece há 40 anos mostrando o resultado da fascinante combinação do clássico à dança popular brasileira


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A companhia de dança contemporânea Grupo Corpo, de Belo Horizonte, está completando 40 anos em 2015. Considerado um dos melhores grupos do Brasil, ele celebra a data com a criação de uma nova obra - cuja primeira apresentação acontecerá em agosto na capital mineira -, e com um canal no YouTube, onde conta sua história, apresenta suas obras de repertório e o making of do novo espetáculo.

O espetáculo de 2015, que ainda não tem um nome - segundo Rodrigo Pederneiras, coreógrafo da companhia, esta é a última coisa a ser decidida –, terá duas coreografias: a primeira é do próprio Rodrigo Pederneiras, com música de Marco Antônio Guimarães, interpretada pelo grupo mineiro Uakti e pela Filarmônica de Minas Gerais; a segunda é de Cassi Abranches, com música de Samuel Rosa. A ideia, conta Pederneiras, foi juntar os mineiros.

A companhia se formou em 1975 e, no ano seguinte, estreou nos palcos apresentando o espetáculo “Maria Maria”. A canção consagrada de Milton Nascimento era a base para o roteiro de Fernando Brant e coreografia de Oscar Araiz. Com esse espetáculo, o Grupo Corpo ficou seis anos em cartaz e passou por 14 países.

Maria Maria.jpg Maria Maria (1976)

Teve início, então, uma nova fase que trouxe uma das principais características do grupo: a combinação da técnica da dança clássica (em que as composições de Strauss, Villa-Lobos e Edward Elgar são referências) com a releitura de danças populares.

De 1976 a 1982, o Grupo do Corpo colocou no palco 6 coreografias assinadas por Rodrigo Pederneiras. Seu irmão, Paulo Pederneiras, se tornou diretor artístico do grupo. Foi em 1985, com "Prelúdios", que a companhia conseguiu consolidar o sucesso de crítica e de público. O espetáculo apresentava a leitura cênica da interpretação do pianista Nelson Freire para os 24 prelúdios de Chopin.

“Missa do Orfanato” estreou em 1989, tendo como trilha sonora a Missa Solemnis k.139, de Mozart. missa do orfanato 02.jpg Missa do Orfanato (1989)

Em 1992, o coreógrafo Rodrigo Pederneiras resgata a ideia de trabalhar com trilhas especialmente composta para o grupo e de abraçar influências tipicamente brasileiras. Nasce "21", com música de Marco Antônio Guimarães, do grupo Uakti. 21 B.jpg 21 (1992)

"Nazareth", de 1993, tem a inspiração nos contos e romances de Machados de Assis e na obra do músico Ernesto Nazareth. No palco, os bailarinos mostram a sensualidade das danças brasileiras de salão. nazareth.jpg Nazareth (1993)

Movimentos que aparentam ser uma série de esboços ou estudos coreográficos compõem "Sete ou oito peças para ballet", em 1994. São oito temas surgidos da fusão do trabalho do compositor norte-americano Philip Glass e do grupo Uakti. Os bailarinos apresentam um espetáculo que retrata movimentos que vão desde os característicos dos ensaios (treinos, esboços) até os próprios do acabamento das coreografias. sete ou oito.jpg Sete ou oito peças para ballet (1994)

De 1996 a 1999, o Grupo Corpo se faz companhia residente da Maison de la Danse, em Lyon (França), com os espetáculos "Bach", "Parabelo" e "Benguelê". bach 02.jpg Bach (1996) paralelo.jpg Parabelo (1997) benguelê.jpg Benguelê (1998)

Uma nova sequência de espetáculos com aprimoramento técnico, beleza, criatividade e excelentes composições coreográficas e musicais conquistam ainda mais o público e a crítica.

"O Corpo" (2000): Com música de Arnaldo Antunes, o cenário urbano e suas marcas nos corpos são o tema. o corpo 3.jpg

"Santagustin" (2002): O mote é a luta da luxúria contra a castidade. A trilha é de Tom Zé. santagustin.jpg

"Lecuona" (2004): É um hiato nas trilhas sonoras especialmente compostas para o grupo. As músicas deste espetáculo são 12 composições do cubano Ernesto Lecuona, dançadas com muita sensualidade por cada casal de bailarinos que protagoniza as músicas. lecuona.jpg

"Onqotô" (2005): Marcou os 30 anos de atividades do grupo. A implacável existência diminuta do Homem diante da imensidão do Universo são o tema do espetáculo. As canções são de Caetano Veloso e José Miguel Winisk. onqotô.jpg

"Breu" (2007): Com trilha sonora de Lenine, o espetáculo mostra a barbárie dos dias atuais. Nas coreografias, os baliarinos assumem a potência e a rispidez nos movimentos. breu.jpg

"Ímã" (2009): apresenta a interdependência e complementaridade das relações humanas. A obra é composta por solos, duos, formações de grupos que se juntam e se dispersam, como nas relações entre as pessoas. Música de Moreno, Domenico e Kassin. imã.jpg

"Sem Mim" (2011): O mote é o mar que leva e traz a pessoa amada. Pode-se ver a alternância de movimentos que expressam calma e fúria. As músicas são releituras de canções medievais feitas por Carlos Nuñez e José Miguel. sem mim.jpg

"Triz" (2013): Obra mais recente do Grupo Corpo que já foi ao palco. Com trilha de Lenine, o jogo acontece em torno da relatividade do limite e da tensão, onde um "triz" de imprecisão pode ser fatal. triz.jpeg

Atualmente, o Grupo Corpo conta com 36 obras, já passou por centenas de cidades, mais de 40 países, mantém 10 balés em repertório e realiza, aproximadamente, 70 apresentações anuais.

As apresentações das obras do repertório, a história do grupo e o making of do espetáculo 2015 podem ser assistidos através do endereço: http://grupocorpo.com.br/blog/2015/05/

Fotos: José Luiz Pederneiras

Fontes:

REIS, Sérgio R."Rodrigo Pederneiras e o Grupo Corpo: Dança Universal". Coleção Aplauso/Série Dança. Imprensa Oficial (IMESP): São Paulo, 2008.

BOGÉA,Ines. "Oito ou nove ensaios sobre o Grupo Corpo. Cosac Naify: São Paulo, 2007.

Site oficial Grupo Corpo


Ana Célia Ellero

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