movimente

a mente em movimento

Jéssica Rocha

Movimente: a mente, o corpo, o olhar, a palavra, a escrita, o pensamento. Alimente, com curiosidade o seu conhecimento!

Viviane Mosé e a arte de se comunicar

Ela dançava com as palavras conforme pontuava sua linha de raciocínio. Suas palavras eram convidativas, como se pegassem nas minhas mãos e me levassem para passear em sua estante de saberes. Mostrando-me como e onde guardava seus preciosos conhecimentos - esses, que transmitia com desenvoltura.


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"Viver a palavra!" - Tenho me convencido cada vez mais, que essa expressão deveria ser praticada por todos nós falantes e Viviane Mosé - uma das respeitadas e solicitadas pensadoras contemporâneas do país, vive intensamente. Em meio à rotina, a gente se esquece deste instrumento poderoso que é a fala, tão inserida em nossas vidas e tão natural quanto respirar. Quem fala bem - leia-se, aquele que tem domínio sobre sua língua falada e saiba se expressar - é capaz de transmitir valores, sensações e dividir experiências que poderão mudar uma vida. Foi, bem próximo disso, o que senti ao ouvir pela primeira vez esta incrível filósofa.

Em uma de suas palestras no Café Filosófico, o especial sobre Nietzsche me chamou a atenção. Curiosa pelo filólogo, que nos últimos meses tenho ouvido e lido muito a respeito de seu universo, quis conhecê-lo. Estava, então, assistindo-a, quando ao invés de sair encantada com o pensador em questão, saio inspirada por aquela mulher que falava e gesticulava de forma estruturada e deliberada. Conseguia, com facilidade, compreender o entendimento que ela compartilhava, ao mesmo tempo que o que me prendia a atenção era sua expressão corporal unida a uma oratória impecável. Ela dançava com as palavras conforme pontuava sua linha de raciocínio. Suas palavras eram convidativas, como se pegassem nas minhas mãos e me levassem para passear em sua estante de saberes. Mostrando-me como e onde guardava seus preciosos conhecimentos - esses, que transmitia com desenvoltura.

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Mulher, mãe e profissional de mão cheia, Mosé é dessas mulheres que nos inspiram de tanto talento e compromisso que assumem sendo apenas uma. Nascida em Espírito Santo e de família simples, tem desde cedo uma base onde a valorização dos estudos, do saber, o valor da vida e dos afetos eram imprescindíveis. Poeta, filósofa, palestrante, especialista em Políticas Públicas, psicóloga, apresentadora de TV, consultora... (ufa!) a princípio desenvolvendo diferentes atividades. Porém, logo nos faz perceber a correlação entre elas: a linguagem! Seu principal instrumento de trabalho é a palavra, a linguagem poética, filosófica, psicanalítica e cotidiana.

Sua facilidade para falar com o grande público levou-a à televisão e atualmente ao rádio, onde atua como comentarista no programa "Liberdade de Expressão", na Rádio CBN. Estudiosa da linguagem, deixa estampar sua paixão pela fala e ao contrário daqueles que se negam a mostrar a fonte de suas aspirações, ela nos convida até seu mundo, permitindo-nos absorver um pouco dele. A arte de sua fala consegue nos envolver em realidade, ao mesmo tempo que sua liberdade em se expressar nos provoca a imaginação.

Mediante a todo esse malabares de ser mãe com sua vida profissional, Mosé tem projetado seus estudos e trabalhos à educação. Movida pelo desejo em estimular o pensamento vivo, corajoso e criador de valores, em vez da repetição e da passividade, ela vê a mudança acontecer quando nos permitimos a pensar "fora da caixa", dando movimento à nossa imaginação e criatividade. Não é por acaso, que o seu trabalho pela educação brasileira, retirando-a da estagnação, mereça generosa atenção por parte dos governantes - mudando os valores, elaborando-a em conjunto com a sociedade, colocando-a em prioridade.

Para nós, que estudamos comunicação, visualizamos o quanto sua influência é importante em diversos campos de ensino, principalmente esta, que tem como instrumento fundamental de trabalho a linguagem verbal e visual. Transmitir um pensamento de maneira a englobar qualquer um que venha a consumí-lo, sabendo construir através da palavra caminhos que nos ajudem a trafegar pela diversidade, chegando a soluções básicas e necessárias, ou apenas movendo e reajustando pensamentos e ideias (assim como Mosé vem se movendo em prol de uma educação mais completa e atraente a todos).

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Inspiração não falta quando se trata de ver a vida e seus desdobramentos por meio das palavras. Atualmente, em "O Homem Que Sabe" - livro de sua autoria que estou lendo (e o primeiro) - é possível aproximar-se desse novo olhar sobre as coisas em que tanto nossa escritora vislumbra para a nossa sociedade brasileira: mudança, movimento. Deixarei aqui um trecho, de sua contracapa,a qual sabiamente assinalou:

"...nossa criatividade, tipicamente brasileira, continua existindo apesar da escola, que nos ensina história da literatura antes mesmo de nos inserir no universo estético da escrita. Síndrome dos subordinados que nasceram para decorar, repetir os gestos dos grandes, dos que pensam, dos filósofos, nós os broncos. Mas estamos todos, hoje, condenados a inventar mundos menos desiguais, onde o valor da vida seja a grande moeda, em vez da exploração, do consumo, da ausência de densidade humana, e de alegria. Foi assumir esta impossibilidade, a de fazer filosofia hoje, que me impulsionou a escrever este livro: não importa a filosofia, mas a vida."


Jéssica Rocha

Movimente: a mente, o corpo, o olhar, a palavra, a escrita, o pensamento. Alimente, com curiosidade o seu conhecimento! .
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