Leonor Fernandes

Vivo numa ânsia constante de fotografar tudo o que vejo, e de escrever sobre o que penso. Acredito firmemente que não devemos guardar a beleza das coisas para nós, mas sim aprender a encontrar essa beleza e mostrá-la aos outros.

Waits' Wild Years

Em 1973, o mundo da música ficaria um pouco mais rico, com o lançamento de Closing Time, o primeiro álbum de Tom Waits. 40 anos depois, Waits continua a ser um dos músicos mais carismáticos que o mundo conheceu. Um artigo sobre este aclamado artista americano.



Poucos são os músicos que se podem orgulhar de serem inconfundíveis: tanto pela sua imagem, carisma e, claro, pela própria música e por aquilo que foram capazes de oferecer ao mundo da música. Poucos são aqueles que conseguiram, e conseguem, descolar-se de mecanismos pré-concebidos com o intuito de vender e criar algo de verdadeiramente belo. De entre esses poucos, destaco um: o músico americano Tom Waits.

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A fórmula de Waits é tudo menos convencional: ma mistura de vários estilos musicais (blues, rock, jazz, experimental), a voz rouca, profunda, atraente, letras ora divertidas, ora sentimentalistas, sempre com um toque de crueza que relembra a poesia de Bukowski, cantada. Este músico, nascido em 1949, na Califórnia, tem vindo a deixar a sua marca na indústria musical de uma forma muito distinta – com quase 20 álbuns de estúdio, todos eles igualmente inovadores, Waits tem mostrado saber como jogar tanto com a música como com as palavras.

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Há sempre muito, e muito diferente, por onde escolher: das mais belas baladas a músicas com mais groove, a obra de Waits é vasta o suficiente para comportar quase qualquer tipo de música. As letras não ficam atrás da sonoridade: normalmente remontando a personagens e a lugares, encontramos nas palavras de Waits histórias com o seu quê de urbano, de caótico, de mágico, até. E, sem que nos apercebamos, damos por nós a sentirmo-nos como Frank (da sua música, Frank’s Wild Years), a apaixonarmo-nos por Ruby (de Ruby’s Arms), ou a querermos visitar as cidades sobre as quais canta.

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E não há como confundir Waits com qualquer outro músico – nele encontramos sempre a peculiaridade aparentemente necessária a um artista para que este se consiga destacar de todos os outros. Não se trata apenas de fazer música mesmo muito boa, que o é; Waits tem, para além disso, toda uma imagem que o torna ainda mais carismático – barba por fazer, o chapéu característico, o cigarro quase (ou mesmo) indispensável. Não é, portanto, difícil ver Tom Waits enquanto um artista completo, que tem sido uma inspiração para tantos outros artistas e que ficará, certamente, para a história da música.

Leonor Fernandes

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