música ao pé da nota

Apenas uma conversa sobre os sons que andam / ressoam por aí

Luciano Pontes

Músico, matemático, poeta, cinéfilo . Um pouco de cada falta em cada sobra. Vive viajando parado por achar que não é deste mundo.

Papai quero ser músico!

Então um dia, você decide dizer ao seu patriarca que não quer mais fazer o que ele sempre desejou que você fizesse ou os quatro anos de faculdade foram por água abaixo e agora você quer viver apenas tocando, enchendo a vida dos outros de beleza. Menos pra quem queria que você fosse um advogado.


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Então finalmente você decide o que quer fazer da vida. Você decide que quer ter o risco como seu companheiro de viagem. Que não quer simplesmente ter que ir a reuniões enfadadas e anotar um bocado de papéis sem sentido algum. Que não tem que aguentar uma pessoa te enchendo o saco e dizendo o que você tem que fazer. Que você tem um dom artístico e quer ganhar a vida, ou pelo menos pagar as contas com esse seu dom. Quer dizer que você quer ser artista?

Bem, como já pratico a profissão, coloquei a especificação. Quero ser músico. Mas você sabe que seu pai odeia essas pessoas que "ficam com o cabelo grande e não tomam banho". Besteira, você pensa. Por que eu devo ser classificado pelo o que eu aparento ser? Ora, por motivos que eu, você e todos estão cansados de ouvir, ler, saber enfim. Somos condicionados a viver entre uma linha tênue da segurança de poder ir a praia com conforto e um conversível ou simplesmente ter uma porção de aventuras com seus contemporâneos. Não quero ser demasiado crítico da vida "trivial", apenas discordo do abrimento de mão da felicidade.

Como diria alguém em algum lugar, ser artista parece que gera certa arrogância. Um privê da produção da arte. E que está em outro nível com relação às pessoas "comuns". Será? Bem, acho que um bom artista é aquele que cumpre um papel social tão relevante quanto um policial, um advogado. Somos formadores de opinião ao escrever, sejam músicas, poemas ou textos. Somos e estamos condicionados ao lirismo demasiado por conta do estereótipo alheio. Daí também nos condicionam um ostracismo.

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Então serei músico. Fiz quatro anos de faculdade, peguei o diploma, mas não me satisfiz. Sabe por quê? porque serei feliz quando agir por mim, se querer nada em troca dos demais. E quando puder dar algo que realmente vem de mim, de lá de dentro e o outro me agradecer por isso, então saberei que estou fazendo a coisa certa. Quero ter mesmo a segurança de que serei feliz. Papai quero ser músico, não quero viver a vida que você viu nos filmes. Quero viver a vida, isso sim.

E todos os outros que não entendem por algum entrave, dirão que estou querendo expor minha arrogância. Bem, se a arrogância virou sinônimo de arte, então ignorância virou sinônimo de inteligência. Analogias a parte, vou fazendo aos poucos o que gosto, para não dizer que falei de flores, ou de armas. Ou de liberdade condicionada, ou de segurança de vida pós-morte. São tantos lados da mesma moeda que ninguém estará a salvo quando se um dia tivermos que prestar nossas contas. Vamos viver o amor, o sentimentalismo e não o arquétipo do "social". Sejamos mais humanos.

Bom, essa é a minha história e de tantas outras pessoas.


Luciano Pontes

Músico, matemático, poeta, cinéfilo . Um pouco de cada falta em cada sobra. Vive viajando parado por achar que não é deste mundo..
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