música ao pé da nota

Apenas uma conversa sobre os sons que andam / ressoam por aí

Luciano Pontes

Músico, matemático, poeta, cinéfilo . Um pouco de cada falta em cada sobra. Vive viajando parado por achar que não é deste mundo.

O Frio intimista de Bruno Berle

O cantor alagoano Bruno Berle, em seu primeiro disco intitulado "Arapiraca, Maceió, 2013" vem sendo pauta de grandes revistas especializadas sobre sua música com simplicidade e sofisticação melódica. Recentemente, Bruno lançou o clipe da música "O Frio", ficando entre as surpresas da semana ao lado de grandes artistas como Lucas Santtana, Emicida, Paulinho Moska, João Capdeville e Rafael Castro.


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Foi bem efêmero o sincronismo que alcancei ao escutar as primeiras músicas do Álbum do Bruno Berle (chamo apenas de Berle nas entrelinhas, por ter tal ousadia\liberdade). O intimismo que sempre procurei em letras sinceras e com pouca duração, pois não precisamos de repetições desgastadas em canções e sim de coração nelas. Arapiraca, Maceió, 2013, trouxe um pouco do que eu senti a ouvi pela primeira vez o Cavalo do Amarante, o In between dreams do Jack Johnson e por ai vai.

De cara simpatizei com Anti-amor. Letra forte e melodia que gera algo saudosista e infinito. Lembrou-me muito as tardes ouvindo música e tocando alguns acordes que não soavam direito, mas eram sinceros e bonitos a meu ver. Daí eu passei por "O Frio". O que a priori parecia algo que sugerisse tristeza, apenas surtiu efeito com o insight do meu último relacionamento. A parte que me doeu me fez estremecer foi quando o Berle fala: Quando você me deu um beijo e sorriu/ Eu sinto o cheiro das suas ondas daqui/ Mas não vou mudar . Tudo estava interligado com o que eu sentia então a música, a melodia casou com o meu retrair, isolar, de não mudar mesmo assim.

Confesso que quando o clipe saiu eu pestanejei bastante pra ter coragem pra olhar. Não queria ter que fazer alusões erradas sobre a música e sua representação cinematográfica. Quando me deparei com tal singeleza, como uma garagem e uma guitarra Fender Telecaster branca, o microfone e a cidade no fundo, acho que fiquei desnorteado. Então foi que Anti-amor perdeu o posto (risos). O momento era "o frio" e o que ele reflete em que vos escreve.

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O clipe segue com a mesma simplicidade e honestidade da letra e da melodia. Nada de coreografias, nem mocinhos extravagantes, nem roteiro de filme hollywoodiano. Apenas o artista, nu, mostrando o quanto a música representa, sem máscaras. O frio intimista, interior e sucinto do Berle que me fez ouvir umas vinte vezes seguidas a música e umas trinta, o clipe.

O frio. Nada mais singelo para algo que fisicamente não existe. Nada mais interno para definir alguma falta, a ausência de calor, seja ele qual for. Deixo vocês com "O frio" do Berle. Sintam-se aquecidos (ou não).

Namastê!


Luciano Pontes

Músico, matemático, poeta, cinéfilo . Um pouco de cada falta em cada sobra. Vive viajando parado por achar que não é deste mundo..
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