musical insane

Sons em trânsito

Irene Leite

Jornalista. Prestes a fundar um jornal de música e com um livro prestes a ser lançado , falta-lhe apenas a arvore e o filho. Apadrinha causas (imp)ssiveis e adora histórias de pessoas comuns, shoppings e supermercados.

O que esteve na origem da Ziggy Brown

O livro “Ziggy Brown e os felinos de Vénus” está finalizado. Mas o que esteve na origem desta história de fantasia e mistério? Cinco filmes, dois álbuns, três músicos. Confira quais.


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Texto/Irene Leite Ilustração/Ana Quirino

Os últimos seis meses têm sido intensivos na escrita da história “Ziggy Brown e os felinos de Vénus”. Esta narrativa de ficção cientifica teve como principal inspiração os filmes Cat People , Labyrinth e o álbum The Rise and Fall of Ziggy Stardust and Spiders from Mars. Cat people (1982)

Natassia Kinski é Irene em «A Felina», uma bela jovem que ao descobrir o seu primeiro amor apercebe-se que esta explosiva experiência trazer-lhe-á trágicas consequências. Esta poderosa paixão ultrapassa todo o caos à sua volta, incluindo as bizarras exigências do seu próprio irmão (Malcolm McDowell). A situação agrava-se quando Irene descobre que ambos são descendentes de uma estranha linhagem de homens-felinos que só podem amar e reproduzir-se entre si , entrando de imediato num conturbado dilema.

Labyrinth (1986)

A jovem Sara deseja acidentalmente que o seu meio-irmão, Toby, vá para o reino dos Goblins, para junto do poderoso rei Jareth. Tal desejo concretiza-se, apesar de ter sido um desabafo. De forma a salvar o irmão, Sarah tem de percorrer o labirinto em 13 horas. Pelo caminho esperam-lhe muitas aventuras, que só o mundo da fantasia sabe proporcionar.

Starman, O Homem das estrelas (1984)

Um verdadeiro conto de fadas. Mimo de John Carpenter. Filme atípico na filmografia de John Carpenter, "Starman" é um "E-T." para adultos, um conto de fadas em que o príncipe é um extra-terreste. Pela primeira vez Carpenter relega a ficção científica para segundo plano e dá-nos um filme na linha de um "It Happened One Night”, de Frank Capra, uma espécie de road-movie que atravessa o sudoeste dos EUA. Serenamente intenso, o filme equivale a uma visão da América pelos olhos de uma criança e por isso resulta na obra mais pura e mais bela do realizador norte-americano. A criança é aqui um alienígena que chega à Terra na sequência de um convite («Venham visitar-nos!») formulado muitos anos antes pelas autoridades norte-americanas, quando em 1977 a nave Voyager II tinha sido lançada para o espaço. Afim de passar despercebido toma a forma do corpo do marido recém-falecido de Jenny Hayden, uma jovem viúva que habita sozinha uma casa perto do local onde a nave se despenhou.

A mutação é presenciada diante dos olhos incrédulos de Jenny, que acaba por desmaiar na sala de visitas. Quando acorda julga que tudo não passou de um pesadelo, mas rapidamente se dá conta de que algo de extraordinário ocorreu ao deparar-se de novo com a réplica perfeita de Scott. É esta a sequência que vai despoletar o desenrolar do filme. Mas à semelhança dos filmes de Hitchcock, esta descida à Terra de um extraterrestre não passa de um mcguffin, ou seja, de algo que só serve para fazer evoluir a história. O importante no filme, a ideia que Carpenter teve ao realizar “Starman”, é a aprendizagem recíproca de um casal em corrida contra o tempo, na tentativa urgente de encontrarem as razões pelas quais a vida merece ser vivida num mundo dominado pela intolerância.

In: http://ratocine.blogspot.pt/2010/08/starman-1984.html

O fabuloso destino de Amélie Poulain (2001) O fabuloso destino de Amélie” é um fabuloso exercício de poesia cinematográfica. Como os filmes de René Clair. Como os filmes de Jacques Tati. Sobretudo como a poesia de Jacques Prévert de quem Jean-Pirre Jeunet reclama a inspiração desta obra. No dia da rodagem da primeira cena de amor entre Amélie e Nino, Jeunet entregou a Audrey Tautou um envelope com um poema de Jacques Prévert. “Porquê?? Não sei. Senti apenas uma apetência em fazê-lo … a referência a Jacques Prevert esteve lá todo o tempo”. Curiosamente o filme estreou-se em França no dia 25 de Abril e se em nada acho de exagerada a afirmação de Claude Lelouch de que “haverá no cinema um antes e um após Amélie” e se como dizia Einstein “não há acasos todas as coincidências são significativas” também não acho nada exagerado afirmar-se que “O fabuloso destino de Amélie” foi o 25 de Abril do cinema francês. Ao som da fabulosa banda sonora de Yann Tiersen, observo Amélie Poulain enquanto escrevo e reconheço naquele seu olhar, naquele seu sorriso, naquela sua expressão uma imensa cumplicidade. Como se tivéssemos acabado de desfrutar um dos pequenos prazeres ainda não esquecidos da vida. Como se tivéssemos acabado de reparar um qualquer pedaço da vida de alguém. Como se tivéssemos atrasado os despertadores, trocado a maçaneta das portas, trocado a pasta de dentes por creme para os pés, posto sal no whisky, dito “mas você, você nunca chegará a ser uma hortaliça, pois até as alcachofras têm coração” a todos os Collignons que por aí circulam

In Som à Letra (Espaço Kino) http://www.somaletra.com/espaco-kino-3/

Clube dos Poetas Mortos (1989)

Corre o ano de 1959, quando na capela da Academia Welton (E.U.A.) o reitor preside a cerimónia de abertura do novo ano lectivo. Trata-se de uma instituição privada que acolhe jovens rapazes de famílias abastadas com o intuito de lhes ensinar o se entendia por «Tradição», «Honra», «Disciplina» e «Excelência». Sentados ao lado dos orgulhosos pais, os alunos sentem do quanto lhes é exigido: tornar-se os melhores alunos para ingressarem numa das universidades da Ivy League (consideradas as melhores universidades dos E.U.A., como por exemplo: Harvard e Yale) e vingarem em carreiras profissionais que lhes assegurassem um bom rendimento. O reitor apresenta a todos John Keating, que viera substituir o professor de Inglês que se tinha reformado.

Keating surpreende os alunos ao empregar métodos pouco ortodoxos que rompem com a rigidez da instituição onde ele próprio estudara. A sua visão liberal do ensino e da vida desde logo cativa um grupo de amigos: o sonhador e aspirante a actor Neil, o apaixonado Knox, o alegre e irreverente Charlie, os divertidos Meeks (Allelon Ruggiero) e Pitts (James Waterson) e até Cameron (Dylan Kussman), que representa o típico aluno que segue as rígidas normas da academia. A este grupo junta-se o tímido Todd, um novo aluno, cujos pais pretendiam que seguisse as pisadas do irmão mais velho, que fora um dos melhores alunos daquela academia. Keating encoraja-os a viver uma vida plena de sentimentos e emoções, a libertarem-se dos invisíveis grilhões das convenções sociais que a academia lhes impunha e a sentirem verdadeiramente a poesia, quebrando as regras dos grossos manuais, que a reduziam a algo apenas mensurável e quantificável.

Inspirados pelo conceito clássico que o novo professor de Inglês lhes apresenta: Carpe Diem (Aproveita o dia - excerto de um poema de Horácio), o grupo de amigos liderados por Neil decide “reactivar” o «Clube dos Poetas Mortos», grupo do qual o seu “Capitão” – a forma descontraída com que Keating pede que o tratem – fizera parte nos tempos de aluno. Nas reuniões secretas numa gruta do bosque perto da academia, mais do que recitar poemas, os adolescentes fortalecem o espírito com a convicção de que podem ser verdadeiramente livres se tiverem a coragem de tornar os seus sonhos realidade, mesmo que estes sejam contrários ao que os pais esperam e exigem deles.

In: http://cine7.blogspot.pt/2005/10/o-clube-dos-poetas-mortos.html

Dois álbuns: uma aventura

The Rise and fall of Ziggy Stardust and Spiders from Mars (1972)

O álbum conta a história de um alienígena chamado Ziggy Stardust, que vem para salvar a Terra ,que seria destruída em cinco anos . Ziggy , perante tal missão acaba por formar uma banda chamada "Spiders from Mars". Resultado: torna-se numa estrela e acaba por embarcar nos exageros do Rock n' Roll (“he is a rock n` roll suicide”). O álbum termina com o suicídio de Ziggy.

Making movies (1980)

Trata-se de um álbum apaixonado cujos temas se encaixam que nem uma luva na primeira aventura de Ziggy Brown, tais como Romeo and Juliet, Tunnel of Love e Expresso Love. Making Movies é o terceiro registo da extinta banda de rock inglesa Dire Straits, lançado em 1980.

Porquê Ziggy Brown?

O nome Ziggy Brown remonta a três músicos que investigo diariamente, e com quem cada vez mais me surpreendo: Iggy Pop, Frank Zappa e David Bowie. Como e porquê? Terão que ler a história.


Irene Leite

Jornalista. Prestes a fundar um jornal de música e com um livro prestes a ser lançado , falta-lhe apenas a arvore e o filho. Apadrinha causas (imp)ssiveis e adora histórias de pessoas comuns, shoppings e supermercados. .
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