não matarás

O hediondo e banal

Paola Rodrigues

Concorda com Salinger, todos batem palmas pelas razões erradas

10 músicas para escrever

A música, uma das artes mais antigas e necessárias para a prática da vida, não poderia desempenhar papel menos importante na rotina daqueles que ousam tentar se expressar com meras palavras.


20130613024752!Sigur_Ros_-_Valtari.jpg Valtari - Sigur Rós, num dos melhores álbuns da banda.

Eu e acredito que 80% da parcela que escreve com frequência admite que escuta música enquanto prática a arte. Pode ser um gênero específico que enquadre bem o tema ou apenas um som, algo que vibre enquanto a criatividade ganha lugar.

No meu caso, tenho uma seleção prática e rápida de músicas. Sinto uma grande inveja de quem consegue escrever ensaios complexos ao som de Chopin ou Bach, o que infelizmente não é o meu caso. Geralmente preciso de algo animado ou melancólico, talvez isso diga muito do tom que deixo passar em meus textos, o fato é que resolvi lista-los, caso alguém se interesse por algo semelhante. Aqui não terá nada brasileiro, a lista nacional merece atenção especial.

Acredito que se você não gosta de algo da lista porque já escutou e comprovou o ódio, ok, pode falar mal com alegria. Se não, talvez valha um play breve, acredito sinceramente que descobrir música é um prazer universal.

Sigur Rós

Meu mundo deu uma guinada no fim de 2010 e com isso meu gosto musical foi junto. Após um período negro, finalmente em meados de 2012 fui para o post-rock, que é agora meu gênero preferido e Sigur Rós está em primeiro lugar. A banda islandesa é a coisa mais linda que já se viu tocar, já não bastam seus vídeos serem quase curta metragens de fotografia e composição artística impecável, o senhor vocalista, Jónsi, proporciona um banho de sensações a qualquer um que trilhe este caminho.

65daysofstatic

Quase tudo que foi produzido por está autora, que vale a pena ser lido, foi embalado por esta banda de nome estranho. Algo no som aparentemente caótico coloca tudo no lugar, idéias que ficam flutuando geralmente encontram um caminho de vasão melhor ao som dos ingleses Paul Wolinski, Joe Shrewsbury, Rob Jones e Simon Wright.

Interpol

Paul Banks tem uma das melhores vozes que conheço. Não é doce, não é afinado ao extremo, nem impactante, mas ele canta e você entra na música. Quantos cantores te no mesmo tom proposto? Conheço poucas. Sou muito grata a esta banda que começou em 1997 em Nova York e embalou muito momentos bons e agora uma grande parcela de escritos nunca publicados.

Alt-J

Formada em 2007 em Leeds, Inglaterra, Alt-J se tornou mais uma das bandas da minha playlist europeia, por maior que seja o preconceito. Joe Newman canta e eu instantaneamente relaxo e as ideias ganham lugar. Algo no teclado, ritmo leve e vocal baixo podem trazer inspiração e foi uma das descobertas mais inusitadas do meu ano.

Elliot Smith

As composições de Elliot Smith falam por si só. Apesar de não ser um gênio ou ser autor dos maiores arranjos já descritos, algo na simplicidade aparente em algumas músicas, traz uma doce reflexão, que pode ser exatamente o que se precisa para escrever por vezes. É uma sensação entre pular do sétimo andar ou se afogar em palavras num caderno.

Andrew Bird

Você pode fazer longas caminhadas, cozinhar uma massa ou passar boas horas vendo o céu enquanto ouve Andrew Bird. Eu particularmente escrevo muito. Imitosis foi a primeira música e até hoje a preferida do compositor que tem os trocadilhos e arranjos mais geniais em minha opinião.

Patti Smith

Fico sinceramente triste quando alguém me diz que não conhece Patti Smith, pior, fico quase ofendida quando alguém diz que não está interessado em conhecer. A poetisa da música merece ser ouvida, no meu caso, o único problema é que a tendência de ofender alguém com um texto aumenta enquanto ouço Glória.

Daughter

De Londres, Inglaterra, saiu uma das bandas atuais mais lindas e dela surgiu Youth, que ouvi nas últimas semanas pelo menos umas 200 vezes, sem exagero. Elena, apesar de ter uma voz muito diferente de Karen O, tem lá sua semelhança e talvez por isso tenha se tornada minha cantora preferida desses novos tempos.

Arcade Fire

Sempre que preciso usar meu inglês, mas esqueço de algo patético, coloco o ritmo de alguma música do Arcade Fire na cabeça. Motivo: decorei a letra de quase todas e a associação me ajuda. Esse é o nível da minha dependência.

Balmorhea

Quando descobri que Balmorhea era do Texas, fiquei muito triste comigo mesma, já que em minha concepção atrasada, coisas assim só podiam sair da Finlândia ou Islândia. Para me defender, o som dessa banda sempre me remete a frio, ao calor de uma xícara de chá de camomila, mel e baunilha e boas composições.

O que me lembra da necessidade de um texto sobre sons semelhantes à Balmorhea, mas isso fica para outro dia.


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