não matarás

O hediondo e banal

Paola Rodrigues

Concorda com Salinger, todos batem palmas pelas razões erradas

Arte, a palavra que nomeia o inexistente

O que é Arte? Uma das questões discutidas por estudiosos pomposos ou leigos em mesas de bar é desmembrada de forma simples. Poderia ela, a mãe de tudo, apenas não existir?


Duchamp_Fountaine.jpg Marcel Duchamp assinando R.Mutt a obra Fountain, 1917.

Em História da Arte de Sir Ernst Gombrich, famoso historiador, inicia sua introdução respondendo uma das questões mais discutidas por artistas, historiadores e entusiastas de nosso tempo: O que é Arte? É admitido com 15 palavras o fato "Uma coisa que realmente não existe é aquilo que se dá o nome de Arte", ainda complementa "Existem apenas Artistas".

Inicialmente Arte vem do Latim ars, que significa técnica/habilidade, restringindo a palavra ao ato único de criação por um individuo capaz, não explicando nada e questionando tudo. Marcel Duchamp, chocou o mundo com uma latrina, na qual é visitada e apontada por muitos como arte, colocando mais um ponto de interrogação sobre o conceito e a habilidade. Terá sido dele o trabalho que resultou? Definitivamente Duchamp não moldou a porcelana ou produziu, os criadores e inventores do mesmo dificilmente partiram para um processo criativo de um recipiente para dejetos humanos pensando em museus e conceitos artísticos. O ato de intitular e mostrar a "obra" transformou-a em arte.

Milhares de pessoas anualmente contemplam latas, vasos quebrados, cores, linhas e tantos outros itens banais e chamam de obra de arte, questionam e dizem encontrar o porquê. Apontam a profundidade de chamar uma latrina de Fonte, usando de explicações Freudianas ou apenas apontando o autor. Aqui temos a constatação do quão verdade pode ser a explicação de Gombrich.

duchamp.jpg

A Arte em sua forma mais ampla já não pode ser explicada pela Estética, o artista quando aponta, automaticamente transforma aquilo em verdade e a questão retorna em outro sentindo. Afinal, quem é o artista? Quando nos livramos de todas as amarras de conceitos que já se mostraram atrasado ou não aplicáveis, ficamos com a citação de Apollinaire, crítico de arte e escritor romano, pai da palavra Surrealismo:

"Cheguem à borda, disse ele; Eles responderam: Temos medo. Cheguem à borda, ele repetiu, Eles chegaram, Ele os empurrou… e eles voaram."

A qualquer um que esteja disposto a voar pode ser permitido a alcunha de artista e assim temos uma explicação muito íntima, onde impera a opinião de cada um sobre e percebemos mais uma vez que Arte é algo muito mais amplo que latrinas ou arranjos.


Paola Rodrigues

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