não matarás

O hediondo e banal

Paola Rodrigues

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F. Scott Fitzgerald indica 22 livros obrigatórios

No dia 21 de dezembro de 1940, na cidade de Hollywood morria um dos maiores escritores americanos do século XX e seu último legado seria uma lista rabiscada por sua enfermeira, com 22 títulos de leitura obrigatória.


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Um dos maiores escritores americanos do século XX, F. Scott Fitzgeral narrou uma geração perdida em bebidas e festas, que naufragou em 1929 e chegou ao auge da depressão durante a busca pelo real sentido do ser. Natural de Saint Paul, no Minnesota, iria encontrar seu fim em Hollywood no dia 21 de dezembro de 1940, deixando sua mulher, Zelda, e filha.

Meu primeiro contato com o escritor foi com o livro Este lado do Paraíso e mesmo depois de ler o conto " O Curioso Caso de Benjamin Button", O Grande Gatsby, 24 Contos de F. Scott Fitzgerald e Os Belos e Malditos, ele se manteve o preferido.

Senti muitas coisas por Amory Blaine e talvez tenha compreendido um pouco dos dramas da geração que seria denominada decadente. O livro se passa antes, durante e após a Primeira Guerra Mundial, seguindo os passos do jovem Amory, que inicia a vida com a desilusão amorosa, fruto da decadência financeira e por final a sarjeta que encontra a face de nosso "mocinho". Fitzgerald me ganhou neste livro não porque carrega um nome ou pela história que de certa forma cativa, mas pela frase fatídica que sela o final do enredo "I know myself, but that is all--".

O autoconhecimento vem com largas doses de bebida, uma boa tragédia patrocinada pela ressaca imposta na Lei Seca e um coração partido, que faz parte de quase toda grande história. Mas nenhum desses aspectos me tocou a ponto de coloca-lo na minha lista pessoal, o que me fez acreditar em Fitzgerald veio da pesquisa bibliográfica que fiz depois.

Ele havia começado a escrever em 1920, lançando Este lado do Paraíso, que se popularizou e rendeu alguns frutos, como colunas e artigos bem sucedidos em jornais. Os Belos e Malditos viria em 1922 e não seria um fracasso de vendas, após aconteceria a mudança para a França e no ar bucólico que o envolvia a paisagem ele escreveria sua suporta obra prima. O Grande Gatsby foi lançado em 1925 e se havia alguma dúvida sobre o talento, ele arremataria qualquer um com seu último romance, O Grande Magnata, que foi lançado um ano após a morte de Fitzgerald, mas para o espanto geral, apenas o primeiro romance havia feito sucesso, Gatsby ficou meses no porão das livrarias, se tornando um grande prejuízo.

zelda.jpg A Família Fitzgerald.

Toda a ordem cronológica das obras citadas acima pode ser descrita como livros afogados em álcool e depressão, suas histórias cheias de libertinagens, festas e paixões, uma sociedade com um rosto lindo e uma alma podre descrevia o casal Fitzgerald e Zelda finalmente sucumbiria em 1930, sendo internada num hospício na Suíça. A loucura tão narrada finalmente batia a porta e a crítica tão bem construída na verdade era a si mesmo.

A frase de Amory Blaine em seu primeiro livro poderia muito bem ter sido a última de Fitzgerald, mas não, debilitado pela bebida, perderia a vida para aquilo que tanto escreveu e seu último ato seria listar 22 títulos, que sua enfermeira, Richardson, rabiscaria num papel, colocando no topo: “These are books that Scott thought should be required reading.”(Estes são os livros que Scott pensou que deveria ser de leitura obrigatória)

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*os livros com links para download ou leitura online são provenientes de sites que disponibilizam livros de domínio público.

Fonte:Universidade da Carolina do Sul, EUA.


Paola Rodrigues

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