não matarás

O hediondo e banal

Paola Rodrigues

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Dobri Dobrev, o mendigo que doa esmolas

Aos 99 anos, Vovô Dobri, vive num pequeno vilarejo situado a 10 quilômetros de Sofia, na Bulgária, de forma simples e com apenas 80 euros cedidos pelo Governo. Todo o dinheiro que arrecada nas ruas doa para a preservação de Igrejas e Mosteiros num ato de extrema generosidade.


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A Primeira Guerra Mundial foi responsável por 19 milhões de mortes entre militares e civis, dentre eles estava o pai de Dobri Dobrev ou Vovô Dobri para os mais íntimos, nascido num pequeno vilarejo na Bulgária chamado Baylovo.

Restou a família Dobrev apenas a mãe, que como tantas outras viúvas da Guerra tiveram que buscar trabalhos exaustivos para garantir o sustento dos filhos. Com a chegada da Segunda Guerra Mundial calamidades afligiram a Bulgária e mais uma vez Dobri seria vítima do embate, durante um dos bombardeios ficaria surdo, de ambos os ouvidos, por toda a vida.

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Em 2000, após uma vida muito simples e calma, Dobri iria tomar uma atitude mais drástica, doando tudo que tinha, ficando apenas com o básico e se mudando para pequenas acomodações no fundo de uma Igreja. Vivendo onde nasceu, todos os dias ele caminha 10 quilômetros para chegar a cidade de Sofia, onde coleta doações - ou mendiga, se preferir - porém, para espanto geral ele não fica com o rendimento, ele doa toda a soma a Igrejas e Mosteiros, contribuindo para o restauro e preservação.

Em todos esses anos já arrecadou mais de 40 mil euros e vive com a pensão base que o Governo concede, uma soma que não ultrapassa os 80 euros, tendo atualmente 99 anos . Vive da generosidade e propaga doações por onde vive, veste roupas muito simples e calçados feitos com pele de animais, à moda antiga, produzidos em casa.

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Acho histórias assim não só válidas para se compartilhar, mas uma forma de demonstrar que grandes atitudes podem comover pequenas causas e assim acontece a mudança. Dobri não se esforça apenas para manter a história de seu País - já que Igrejas e Mosteiros na Bulgária são tão antigos quanto a própria nação -, mas para manter o local onde milhares de pessoas encontram abrigo. Por mais que muitos acreditem que religião é uma fraqueza, uma muleta, não há tanto mal nisso. Ter fé não é um aspecto de imbecilidade, geralmente é o combustível para belas causas e a vasão para a bondade humana. A espiritualidade faz mais bem que mal quando agregada a reflexão e a consciência que nenhuma verdade é absoluta.

Um relato que de certa forma me lembra o Notas sobre uma escolha, costando sobre pessoas que optaram por uma vida mais simples, para ter uma família unida ou como trabalho de uma vida a generosidade. Pessoas que nos fazem acreditar em dias melhores, que nos questionam porque não podemos ser mais simples e gentis no nosso dia a dia.

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Para quem acredita ser absurdo o ato de doar tudo que recebe enquanto vive de forma humilde, talvez dispor de um pouco de tempo para alguém que precise, ser gentil com um estranho, ceder o banco para alguém mais velho ou dar um Bom dia ao sair de um local pode acrescentar generosidade ao dia a dia. A sensibilidade é uma opção e a empatia se torna necessária.


Paola Rodrigues

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