não matarás

O hediondo e banal

Paola Rodrigues

Concorda com Salinger, todos batem palmas pelas razões erradas

Você não vai conhecer o homem dos seus sonhos

Branca de Neve, Cinderela, Rapunzel, Julia Roberts, Pequena Sereia, etc. O que elas tem em comum? Te fizeram acreditar numa ilusão.


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Branca de Neve, Cinderela, Rapunzel, Julia Roberts, Pequena Sereia, etc. O que elas tem em comum? Primeiro, a história sempre começa com nossas protagonistas numa situação de fragilidade ou injustiça. Depois, acontece "algo" e elas conhecem o salvador, um ser maravilhoso, durante o evento principal, que pode ser composto por abóboras mágicas ou fugas. Por fim, aos poucos, o Príncipe Encantado começa a mostrar atributos fantásticos como beleza, um passado sombrio, talvez, riqueza, gentiliza e, o mais importante, a proteção.

Ele quer proteger, cuidar e mudar a vida da nossa jovem heroína.

Seria lindo, se não fosse potencialmente trágico, porque não existe esse homem e esse sistema não deseja realmente nos proteger, mas deixar as gaiolas mais bonitas.

Deixando algumas camadas de lado, me mostre uma mulher que sinceramente jamais desejou uma perspectiva de vida desenhada pela Disney. Não estou culpando, porque a culpa não é nossa, mas é a realidade. Nossa criação nos preparou para a busca eterna e desesperadora de um Príncipe que irá nos salvar da vida real e nos levar para o mundo de sonhos.

E provavelmente a maior decepção da vida adulta seja ir descobrindo por meio de relacionamentos conflitantes que isso não existe. Toda uma bagagem de literatura, cinema, histórias de família baseadas na fragilidade do feminino. Como se já não fosse absurdo essa abordagem, ainda nos colocam a culpa, pois não somos magras o suficiente, encatadoras na medida, bem sucedidas para complementar as lacunas.

Não é que não existe o homem dos seus sonhos, é que você não é digna dele ou sortuda o bastante.

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Felizes para sempre

Branca de Neve, uma mulher branca, delicada e bondosa foge da madrasta má que quer destrui-la por sua beleza. Após se perder em uma floresta pra lá de doidona, termina sendo salva por 7 anões, mas no fim ainda é vítima da terrível maça envenenada e fica lá, esperando o senhor Encantado. Casta, passível, bela e mais branca ainda.

Demorou alguns anos para perceber como a madrasta, outra mulher, era colocada como rival numa disputa por beleza. Essa mesma beleza que encanta a todos e ajuda nossa Branca a ser salva duas vezes por homens.

Até a Bela [oi?] encontra seu exemplar de beleza e riqueza depois que algumas camadas de pêlo e maldições são retiradas.

Por um longo tempo, quando já percebia esse ar de disputa e fragilidade mostrado em tantos filmes e livros, ainda ficava muto insegura de finalmente assumir que fui alimentada desde criança com um Guia de como encontrar o homem dos seus sonhos.

E é isso que estamos reproduzindo para nossos filhos?

Apesar da mudança já estar acontecendo com cada vez mais força, precisamos continuar dialogando sobre a geração que já cresceu com esses conceitos implantados e irá reproduzir esse comportamento sem perceber.

Ah, mas você está vendo pêlo em ovo, Paola! Será? Quantas vezes na vida você viu seu desenho preferido e como isso te influênciou sem você notar?

O mundo das meninas não precisa ser rosa, delicado, sentar com as pernas fechadas porque short é muito masculino, que nós não somos fortes o suficiente para ser o que quiser. Que não temos autonomia para escolher quem amamos e como amamos.

Precisamos aprender a ser a Princesa que salva a si mesma.


Paola Rodrigues

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