não vale o sopro

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A morte vende livros

O que Steve Jobs, Glauco, João Paulo II e Saramago têm em comum?


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Como o sexo, o amor e a violência, a morte também faz papel polêmico em nossa novela cotidiana. Por ela, muitos e muitos enredos são desenredados e outros tantos desenvolvidos. E, nesse processo de apagamento de algo e surgimento de outro, ela faz questão de, arteira, tornar comum o estado dos nomes acima citados.

Além dessa evidente (e aparente) constatação, um fato curioso atravessa as polêmicas mortes dessas personalidades. Todas elas, de alguma maneira, alavancaram a venda de certos livros.

steve_jobs_book_cover.jpg A primeira biografia autorizada de Steve Jobs, ex-executivo-chefe da Apple, teve um aumento de 42.000% em vendas no site da Amazon desde que sua morte foi anunciada, segundo o site The Hollywood Reporter. O livro Steve Jobs, de Walter Isaacson, que foi lançado em outubro do ano passado, foi produzido através de entrevistas realizadas com amigos, familiares e colegas de trabalho. Antes da notícia da sua morte, a biografia ocupava a 424ª posição na lista dos mais vendidos da Amazon. Depois dela, passou a ocupar a primeira.

glauco-villas-boas.jpg Logo depois da morte do cartunista Glauco Villas Boas, em março de 2010, houve, em todo o país, um súbito crescimento de vendas de seus títulos. Infelizmente, como já falaram os editores da L&PM, que distribuem três obras do autor, "esse é o tipo de boom de vendas que nenhum editor gostaria de ter". Mesmo assim, esgotaram-se os exemplares de Geraldão (Vol. 2): A Genitália Desnuda e Abobrinhas da Brasilôni, distrubuídos pela já citada editora ainda no mês de sua morte.

José Saramago 2.jpg As vendas das obras de José Saramago aumentaram quase dez vezes nos dias seguintes à morte do escritor, ocorrida em junho de 2010, segundo fontes de duas grandes cadeias de livrarias em Portugal. A FNAC, no primeiro final de semana, confirmou o aumento da procura, que atingiu 846 % em relação aos três dias anteriores. Já na Bertrand Editora, o crescimento registrado no mesmo fim de semana foi dez vezes superior ao ocorrido no fim de semana anterior à morte do escritor. Os títulos mais vendidos foram Caim, A Viagem do Elefante e Memorial do Convento.

capa.jpg A morte do papa João Paulo II, em abril de 2005, aumentou as vendas do livro Anjos e Demônios, de Dan Brown, autor de O Código da Vinci, publicação considerada uma ofensa para a Igreja Católica. Como a ficção fala sobre o conclave, reunião de cardeais que irá escolher o próximo sumo pontífice, a editora Simon & Schuster acredita que o assunto tenha chamado a atenção das pessoas. Até uma semana depois da morte do papa, o livro já havia vendido mais de 8 milhões de cópias.

É, pelo visto, no mercado editorial, morrer é um bom negócio.


Lucas Reis Gonçalves

Lucas Reis Gonçalves é poeta e articulador cultural. Novo-hamburguense morador da capital gaúcha, foi finalista do Prêmio AGEs de Literatura com o seu primeiro livro, Se soubesse o que dizer, diria em prosa (Paco Editorial, 2011), e, através dele, criou, juntamente com o músico Dado Vargas, um novo projeto de declamação poética: Eletropoeteria. Lucas nasceu em 1990 e atualmente escreve para sites de literatura (públicos e independentes)..
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