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Porto Alegre: A enchente de 1941

em história por em 04 de fev de 2013 às 12:58

A maior enchente já registrada na capital gaúcha.

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Tem gente que só de molhar a sola da bota já fica doido, pê da vida. E tem. Muita gente. Mal sabe essa gente, gente de sorte, da vida boa que tem: não teve de presenciar a úmida época de guerra e de enchente dos anos quarenta da capital gaúcha. E põe úmida nisso.

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Na Breve História de Porto Alegre (Editora da Cidade, 2012), o historiador Charles Monteiro sintetiza em poucas linhas o que foi esse momento único na memória da cidade de Porto Alegre:

Entre abril e maio de 1941, choveu sem parar em Porto Alegre e as águas do Guaíba subiram mais de quatro metros e meio além do nível normal. O Centro da cidade ficou inundado e só era possível deslocar-se nele usando barco. Os bairros mais atingidos foram Cidade Baixa, Menino Deus, Azenha, Santana, Floresta e Navegantes. A enchente deixou cerca de 40 mil pessoas desabrigadas. As autoridades montaram postos de atendimento para acolher flagelados e vacinar milhares de pessoas contra o tifo, varíola e difteria. Os cinemas fecharam, os trens pararam e houve muita dificuldade em abastecer a população de água potável e alimentos. As chuvas cessaram a partir da metade do mês de maio e as águas foram descendo lentamente. A Revista do Globo fez uma cobertura fotográfica especial da grande enchente com cenas impactantes de bairros inteiros cobertos pelas águas e de famílias com crianças pequenas dormindo em alojamentos coletivos criados pela prefeitura. A enchente ficou na memória dos porto-alegrenses. (...) Nos anos 1970, seria construído um sistema de diques e um muro na avenida Mauá para controlar os efeitos das cheias do Guaíba.


E pra ilustrar um pouco do que o autor falou, mergulhemos, enfim, nas imagens:

Mercado Público (e úmido) de Porto Alegre
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O Memorial do RS e a Praça da Alfândega sob a água
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O Guaíba engolindo a Praça da Alfândega
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O Cais do Porto mergulhado
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O Centro sobre o espelho da água
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A ambulância que ficou pra trás
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Os flagelados no abrigo
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O único veículo que ainda funcionava era o barco
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A Praça da Alfândega e o Cinema Central - que parou de funcionar
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A ilha chamada Mercado Público
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Barcos que vinham do Porto para auxiliar os atingidos
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A Prefeitura Municipal com a água quase na porta
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O centro e o Guaíba - uma coisa só
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Artigo da autoria de Lucas Reis Gonçalves.
Lucas Reis Gonçalves é poeta e articulador cultural. Novo-hamburguense morador da capital gaúcha, foi finalista do Prêmio AGEs de Literatura com o seu primeiro livro, Se soubesse o que dizer, diria em prosa (Paco Editorial, 2011), e, através dele, criou, juntamente com o músico Dado Vargas, um novo projeto de declamação poética: Eletropoeteria. Lucas nasceu em 1990 e atualmente escreve para sites de literatura (públicos e independentes)..
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