não vale o sopro

Não há nota de rodapé que note.

obvious magazine

There are those that look at things the way they are, and ask why? I dream of things that never were, and ask why not?

sobre o sentimento do mundo


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Quando o mundo deixa de ser mundo é que a gente passa a sentir o mundo. É lógico, tá na cara: a dor, por exemplo. A dor é um gatilho claro pra se sentir o mundo. O que dói, e que antes não doía, agora é importante e só vai deixar de ser quando parar de doer. É matemático - lógico. Se caí e quebrei o braço, esse braço vai ganhar o dobro da minha atenção durante os próximos dois, três meses e, depois disso, vai ser só mais um braço. E não para por aí. Se eu quebrar o outro, aquele primeiro vai ter que fazer o trabalho dele e do quebrado e, pior ainda, sem a mínima atenção de quem controla. Assim se segue a rotina do corpo - um membro deixa de ser membro e, justamente por isso, acaba sendo visto como membro. A dor, se vê, é uma maneira simples e direta de se sentir o mundo. Até porque a dor é engraçada. Parece feita exatamente pra se medir o que importa. Se dói, se sente. Se dói, com certeza - de uma ou de outra maneira -, a gente sabe que vale.


Lucas Reis Gonçalves

Lucas Reis Gonçalves é poeta e articulador cultural. Novo-hamburguense morador da capital gaúcha, foi finalista do Prêmio AGEs de Literatura com o seu primeiro livro, Se soubesse o que dizer, diria em prosa (Paco Editorial, 2011), e, através dele, criou, juntamente com o músico Dado Vargas, um novo projeto de declamação poética: Eletropoeteria. Lucas nasceu em 1990 e atualmente escreve para sites de literatura (públicos e independentes)..
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