não vale o sopro

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There are those that look at things the way they are, and ask why? I dream of things that never were, and ask why not?

Não-Manifesto da Desvontade de Manifestar

Prefiro não me manifestar.


venezuela-flag.jpgA todos que manifestam sob manifestos a vontade absurda e indelével de manifestar, escrevo – contra toda e qualquer vontade absurda e indelével de manifestar – meu não-manifesto da desvontade de manifestar. E a todos aqueles que compartilham de minhas ideias desvontadiosas sobre como dá trabalho manifestar-se com algum tipo sincero de vontade de manifestar, doo – com o trabalho exaustivo da (boa) má vontade de se manifestar – as seguintes linhas do meu não-manifesto.

E começo não-manifestando a minha não-indignação sobre os não-manifestantes que hoje cercam duas aldeias – uma azul e outra vermelha – do habitat suficientemente quente que há quatro meses me rodeia. E rodeia, e rodeia, e rodeia, e rodeia, e rodeia até fundir a minha não-consciência do que se passa e do que não se passa. E nada passa, nada muda. Continua, meu mundo de duas cores, meu mundo azul e vermelho, rodeando, rodeando, rodeando, rodeando e nós, não-manifestantes que adoram não-escrever não-manifestos sobre suas próprias desvontades, continuamos rodeando com esse mundo confortável, aconchegante, que se mantém rodeando, rodeando, rodeando, e nós, vagabundos não-manifestantes, rodeando, rodeando, rodeando, rodeando, rodeando, rodeando. E, de novo, mais uma vez, no mesmo lugar, rodeando, rodeando, rodeando, rodeando – rodeando. Por fim, rodeando até chegar no princípio básico e fundamental da ideologia do rodear: rodear cada vez e cada vez mais. Um bom princípio, não fosse a minha, a nossa desvontade de ter princípios – inclusive o do rodear. E é por isso, pelo rodear e rodear com tais princípios baseados na ideologia do rodear, é que tomo a importante decisão de não mais ser rodeado por rodear nenhum. Nenhum. E, também por isso, hoje, aos doze dias do mês de julho do ano dois mil e treze, declaro – com forte não-entusiasmo – que uma nova não-ideologia acaba de ser não-criada. Acaba, uma nova não-ideologia, de ser não-manifestada. Acaba, com toda e qualquer desvontade do mundo, uma nova não-ideologia de ser, enfim, não-interessada.

Essa é minha desvontade. Essa é a nossa desvontade. Esse é o nosso não-manifesto sobre nossa desvontade de manifestar. Aceitos ou não, não interessa a não-manifestação. Nossa desvontade começa aqui. E aqui nossa desvontade também acaba por terminar. Só, incrivelmente só, e sem vontade nenhuma de manifestar.


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