não vale o sopro

Não há nota de rodapé que note.

obvious magazine

There are those that look at things the way they are, and ask why? I dream of things that never were, and ask why not?

e-mail a um jovem poeta

E-mail de resposta do editor a um jovem poeta.


máquina-de-escrever_600X400-600x330.jpgPrezado Lucas,

Recebemos seu original de poesias. Lemos, revisamos, levamos a debate e chegamos todos a uma só conclusão: não poderemos publicá-lo pela sua excessiva carga de felicidade. Infelizmente, Lucas, a política editorial da nossa empresa crê que todo poeta e, por consequência, toda poesia não deve cometer excessos de felicidade. A felicidade, segundo nosso editor-chefe, é o câncer da poesia. Nossos conselheiros, infelizes, ressaltam ainda que “a felicidade mata todo poema - de verso em verso - até não restar coisa que rime”. Nossos autores, até hoje, nunca foram felizes, nunca passaram de pobres depressivos que se autodenominam tristes e que jamais foram capazes de sentir a felicidade. Nossos autores, Lucas, jamais foram felizes - e se foram, o que é difícil, deixaram de ser nossos. Não aceitamos a felicidade no mercado editorial; é importante que você saiba disso. E é por isso, Lucas, que, infelizmente, sua felicidade não nos interessa. Por isso é que sua poesia não nos interessa e, provavelmente, não interessa a mais ninguém além de quem a tem - você. Em outras palavras, Lucas, queremos dizer que não há demanda suficiente para a poesia que é feliz. Não há leitura que pague a felicidade que não é a de quem lê, que é alheia - do autor. Assim, nós, como editores responsáveis, temos a infeliz responsabilidade de dizer que isso já não mais se vende, a felicidade; e que, mesmo assim, quando você estiver infeliz de não se ver sorriso; quando estiver no fundo do fundo do poço gritando gritos de “já não posso mais”; quando estiver com vontade de não estar onde quer que esteja nesse mundo, fale conosco. Ficaremos felizes em recebê-lo para discutir sua publicação.

Atenciosamente, Carlos


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