nati nogueira

Para que o mal prevaleça basta que os bons façam nada. Edmund Burke

Natália Nogueira

Publicitária e pós-graduanda em semiótica, amante dos animais e da arte. Não sabe se aquietar e se arrisca a desenhar, pintar e cantar. Ama dormir e doces. Seu maior sonho é mudar o mundo.

A virtualização por duas faces

O virtual se sobrepões ao real. Desta afirmação nós já temos quase certeza. O que resta questionar é se este fenômeno vai além da percepção humana e estaria criando uma desertificação do real e implosão social, ou a construção de um novo sentido sem perdas intelectuais, mas ganhos de novos horizontes.


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Mais uma vez, permito-me a falar sobre as redes sociais e seu papel na sociedade contemporânea. Desta vez, no entanto, partirei para a visão apocalíptica de Jean Baudrillard, em contrapartida com, o integralista, Pierry Lévy. Ambos os autores, em ocasiões que se cruzam, questionaram sobre a comunicação no período da virtualização. No início dos anos 90, a internet começaria o seu boom. A ideia de que cada pessoa poderia ter um microcomputador dentro de sua casa elevou a sociedade a uma nova concepção de informação, tempo e espaço. De acordo com Baudrillard, a interação por meio da internet estaria a provocar a desertificação do espaço físico, o chamado real e, mudando a percepção biológica do tempo.

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Para comprovar o que afirmava o teórico ainda apontou a mudança do comportamento das pessoas em relação à informação: os significados e significantes passaram a tomar rumos diferentes o que, segundo ele, provocaria e provoca o fim do conhecimento genuíno e o início das sabedorias superficiais. “Pois onde pensamos que a informação produz sentido é o oposto que se verifica. (...) Assim a informação dissolve o social num espécie de nebulosa voltada não a um aumento de inovação, mas muito pelo contrário, à entropia total.” (Baudrillard, Jean, 1982).

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Em contrapartida, Pierry Lévy acredita, não no fim do sentido, mas da criação de um novo. O filósofo defende que a virtualização corresponde a um novo modo de interação e tão eficaz para a construção de sentido e, consequentemente, conhecimento, que futuraliza a evolução social. A visão integralista de Lévy gera a construção do saber coletivo, o cérebro global.

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Lévy afirma que o real é apenas uma repetição do existente e o virtual é a realização de uma possibilidade num espaço paralelo. Além de julgar o novo meio cheio de possibilidade, ele ainda inclui as movimentações econômicas como área grandemente influenciada e influenciadora da construção de novos sentidos, significados e significantes. Após conhecer as duas linhas de pensamento, estudiosos da área da comunicação partem para uma visão positiva e também negativa da evolução das tecnologias da informação. No entanto, por se tratar do tempo real, nos resta questionar a realidade pela qual estamos passando e entender as essências de todas as vertentes possíveis para melhor se posicionar.


Natália Nogueira

Publicitária e pós-graduanda em semiótica, amante dos animais e da arte. Não sabe se aquietar e se arrisca a desenhar, pintar e cantar. Ama dormir e doces. Seu maior sonho é mudar o mundo..
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