nati nogueira

Para que o mal prevaleça basta que os bons façam nada. Edmund Burke

Natália Nogueira

Publicitária e pós-graduanda em semiótica, amante dos animais e da arte. Não sabe se aquietar e se arrisca a desenhar, pintar e cantar. Ama dormir e doces. Seu maior sonho é mudar o mundo.

Deep Web: não estamos prontos pra ela

Antes de chegar ao ponto alto desta discussão, é necessário entender o que é a Deep Web e o por quê ela é objeto para as mais novas lendas urbanas que saem do mundo real.


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Primeiramente, vamos definir a função do site de buscas Google que, na verdade é um organizador de índice para acesso ao que se procura. Simplificadamente, o buscador torna possível encontrar algo, como notícias, imagens, vídeos, documentos etc., apenas pela identificação de palavras-chave. Ou seja, não é necessário que você tenha o endereço virtual completo. É possível que, por meio de significações, se encontre o que está dentro de uma página.

A partir desta definição chula, pode-se dizer que, o que buscamos através do Google, é distribuído em um índice que classifica as posições (1º, 2º, 3º e, assim sucessivamente) de acordo com a frequência de acessos e outros fatores, como publicidade. Ou seja, a popularidade de um site o faz aparecer no topo das buscas.

Os resultados, em índice, apresentados pelo site só estão visíveis aos navegadores por não ter um conteúdo impróprio, não infringir leis comuns e específicas para internet, dentre outras questões que não afetam nenhuma pessoa, empresa, ou a sociedade, em geral.

Deste modo, todo conteúdo impróprio, sigiloso, criminoso, ilegal fica abaixo da linha de buscas, portanto “escondido” das buscas. Para acessá-lo, é preciso um navegador próprio, conhecimento e estômago.

O que há de tão ruim na Deep Web?

Na verdade, não seria nada ruim se pessoas não a alimentassem com conteúdo ilegal, ou a utilizassem como meio de se manter anônimo, portanto, livre para compartilhar do que quiser. O benefício de se estar na Deep Web é não poder ser identificado pelo IP do computador. Partindo disto, facções, gangues, terroristas, pedófilos, necrófilos, redes de prostituição, assassinos a utilizam e oferecem seus serviços livres dos olhos da lei, da ética, da moral, do respeito, da compaixão e de todos os aspectos que são necessárias para se viver em sociedade.

O que há de bom?

Entretanto, coisas positivas já surgiram deste lugar, como o Wikileaks, fundado pelo sueco Julian Assange. O jornalista esteve na mira do governo norte-americano depois de publicar documentos que comprovariam o massacre do exército dos EUA sobre civis, no Afeganistão. Outro episódio, foi a exposição do vídeo de uma cerimônia da igreja da Cientologia, em 2010. Os atos religiosos eram mantido sob sigilo, pelos seus membros, porém vieram à tona com os Anonymous. Muitas outras manifestações em prol de direitos cívicos são organizadas na DW.

Porque não acessá-la?

A informação é o que move o mundo, principalmente nos dias de hoje. Entretanto de que serve deter a informação sem poder compreendê-la? Adorno e Horkheimer já questionavam o esclarecimento e seu papel como verdade absoluta para justificar os nossos atos. Existe real justificativa para explicar o acesso a searas que não deveriam ser alcançadas? É como querer tocar o lado mais sombrio do homem. Já não vemos o bastante no dia a dia?

A popularização da Deep Web pode significar a formação de uma nova sociedade. O virtual, tão real como nunca, traria nova significação ao mundo que conhecemos. Esta mutação já ocorre, mas ainda mantém intocável a construção da sensibilidade humana em relação ao seu contato com o mundo. Estaríamos prontos para despir mais uma camada de humanidade? Por isso, ainda sugiro que fiquemos longe do que nos corrompe.


Natália Nogueira

Publicitária e pós-graduanda em semiótica, amante dos animais e da arte. Não sabe se aquietar e se arrisca a desenhar, pintar e cantar. Ama dormir e doces. Seu maior sonho é mudar o mundo..
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