nati nogueira

Para que o mal prevaleça basta que os bons façam nada. Edmund Burke

Natália Nogueira

Publicitária e pós-graduanda em semiótica, amante dos animais e da arte. Não sabe se aquietar e se arrisca a desenhar, pintar e cantar. Ama dormir e doces. Seu maior sonho é mudar o mundo.

Falta um: Coreia e o não à estandartização

Seu território foi ocupado pelo Japão e, após a Segunda Guerra (1948), o país conseguiu expulsar as tropas japonesas e se reerguer econômica e socialmente, levando em consideração a relatividade que este desenvolvimento pode ter. Desde então, com o país dividido (a Coréia do Sul ocupada pelos Estados Unidos), a nova Coréia “adotou” o regime socialista iniciado pelo líder dos Partido dos Trabalhadores, Kim Il Sung. Com sua morte em 1988, seu filho é seu sucessor, Kim Jong-Il.


Desde a imposição do regime socialista, o país, naturalmente se fechou para o resto do mundo. Suas relações são limitadas ao ponto de o país receber ajuda alimentar da Organização das Nações Unidas (ONU) e as atividades se restringem à produção agropecuária e bélica. Os quase 24 milhões de habitantes não são subdivididos em classes sociais, portanto têm uma sobrevivência comum, pelo menos em tese.

O documentário “The Propaganda Game”, dirigido pelo espanhol, Álvaro Longoria, mostra um pouco dos artifícios usados para manter a população norte-coreana sob os cuidados de um único e soberano homem. A visita do diretor e produtor do filme é guiada pelo único estrangeiro com um cargo no governo, o delegado Especial do Comitê de Relações Culturais da Coreia do Norte, Alejandro Cao de Benós.

É óbvio que se tratando de um documentário, existem verdades, bem como intenções de quem produz algo. A teoria da persuasão, apresentada por Laswell sugere a intencionalidade, a aceitação, a memorização seletiva, dentre outros aspectos. Essa breve explicação se faz pertinente para entender o que nos faz aceitar uma informação como verdade e para que as conclusões sobre minha percepção a respeito do documentário possa ser questionada.

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Álvaro é levado aos locais mais importantes do país e a todo momento é acompanhado pelo militante comunista, Benós. Aparentemente a sociedade se apresenta organizada de maneira satisfatória, entretanto é notória a “introversão” dos cidadãos. Não é preciso ser um expert em leitura corporal para notar o receio em interagir com as câmeras do cineasta. O historicismo romântico da Coreia do Norte apresentado pelos guias no documentário é realmente assustador. O nacionalismo representado nas crianças, nas ruas e até pelos cidadãos é inacreditável. Não há outras palavras que melhor descrevam os olhares capturados pelas câmeras. O povo norte-coreano acredita piamente que seu líder e a ideologia de autossuficiência, Juche, atendem de suas necessidades mais básicas às aspirações de vida.

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Em entrevista nas ruas, Álvaro pergunta a um jovem estudante que será graduado a motorista de locomotiva qual o seu maior sonho. Após alguns segundos buscando uma resposta, ele responde que é ser motorista de locomotiva e trabalhar para seu grande líder.

É fato que a República é acusada de inúmeras violações dos direitos humanos, como trabalho forçado, liberdade de expressão etc., mas como os cidadãos não veem isso? Na verdade, desde criança eles são monitorados e trabalhados para aceitarem as condições e adorarem seus líderes como soberanos. Muitas pessoas não têm outra experiência de realidade, diariamente eles são programados para não conhecerem o mundo ocidental chamado de imperialista pelo Governo. Mas por que a Coreia do Norte se fechou para o resto do mundo? Qual sua real intenção? Não podemos excluir a loucura megalomaníaca de seus imperadores, mas o “protecionismo” sem dúvida pode ser uma das principais causas de as “portas” estarem fechadas ao resto do mundo. O histórico que temos inclui o fantasma imperialista por eles representado pelos Estados Unidos.

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A relação entre Estados Unidos e Coreia do Norte não é de paz desde a invasão das tropas americanas, há mais de 60 anos, e perdura até hoje como uma troca de farpas e ameaças quase que diárias de testes de armas nucleares de curto e longo alcance, ataques comandados por líderes, como Keneddy e Bush, às produções de comodities, barragens etc.

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Mas qual o interesse dos Estados Unidos em interferir no poderio militar norte-coreano além da preservação da paz e da autoproteção? Vejamos bem. O Estados Unidos da América é a representação do poderio econômico para todo o resto do mundo. Muitas vezes não percebemos, mas as grandes marcas que consumimos, como uma simples lata de Coca-Cola, representa a hegemonia norte-americana. A cultura do país é um caso à parte. Mesmo reciclada ou oriundas de outras culturas, é levada a todo o mundo como “a boa nova” americana. Música, cinema (que merecem um estudo profundo devido à influência que exercem e regras que ditam), cultura, arte, etc. A estandartização do que consumimos recebe o toque do patriotismo histórico deste universo. Isto pode responder o porquê do interesse americano em estender seu poder a um país que se fecha ao consumismo, padrões e relação “dominador-dominante”. O aclamado cientista social, como também podemos chamar, Noam Chomsky, relata este histórico em suas entrevistas e observações, o que me permite acrescentar o ponto de vista cultural e “subjetivo” da situação como algo a ser analisado e compreendido em todos os âmbitos.

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Natália Nogueira

Publicitária e pós-graduanda em semiótica, amante dos animais e da arte. Não sabe se aquietar e se arrisca a desenhar, pintar e cantar. Ama dormir e doces. Seu maior sonho é mudar o mundo..
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