nati nogueira

Para que o mal prevaleça basta que os bons façam nada. Edmund Burke

Natália Nogueira

Publicitária e pós-graduanda em semiótica, amante dos animais e da arte. Não sabe se aquietar e se arrisca a desenhar, pintar e cantar. Ama dormir e doces. Seu maior sonho é mudar o mundo.

A balela da inteligência

Este artigo não intuito de afrontar crenças, desmerecer ou diminuir pessoas e suas habilidades. A intenção é provocar reflexão de maneira mais filosófica que científica. Esta, portanto, é uma oportunidade de discutirmos nosso desenvolvimento de habilidades e intelectuais.


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Este artigo não intuito de afrontar crenças, desmerecer ou diminuir pessoas e suas habilidades. A intenção é provocar reflexão de maneira mais filosófica que científica. Esta, portanto, é uma oportunidade de discutirmos nosso desenvolvimento de habilidades intelectuais e genéticas.

Sabe-se que Mozart, aos oito anos de idade, já havia composto algumas canções dignas de seu título de gênio, e anos mais tarde, já na fase adulta, vivia de seus concertos e composições aclamadas como grandes obras de arte até os dias atuais. Seria Mozart um gênio com talentos inatos, ou um simples objeto fruto de um processo para se “produzir” o artista? Vamos utilizá-lo como objeto de análise sem fins científicos, levemos em consideração sua trajetória.

No site Universia é possível encontrar algumas curiosidades sobre o compositor classicista e, uma delas, destaca seu pai, Leopold Mozart. Ele era o segundo mestre em uma capela, simples compositor, entretanto, um experiente professor. Já nesta primeira observação podemos apontar de onde surgiu a predileção de Amadeus para a música. Com a iniciação de seu patriarca no empenho para que seu filho obtivesse mais sucesso, a música lhe foi uma imposição e não uma escolha.

Com esta afirmação já é possível imaginar como o pai iniciaria o filho para obter o êxito que não teve. Outros artistas passaram pela mesma situação para alcançar a excelência, como o eterno rei do pop, Michael Jackson, que, sob a autoridade de seu pai, se tornou um ícone mundial.

A questão central de todos estes exemplos é sugerir que o talento não passa de mera circunstância. Talvez, se o pai de Mozart fosse carpinteiro, ele não seria uma referência musical do período clássico e, sim, um carpinteiro. “O gênio entre nós”, de David Shenk, afirma que superestimamos o talento, o que na verdade, seria uma combinação genética unida a um processo de desenvolvimento. Ele não diz que não existem as predisposições a algo, mas que existem a capacidade de usá-las. Veja um trecho do livro.

“Isso não quer dizer que não tenhamos diferenças genéticas importantes entre nós, que geram vantagens e desvantagens. É claro que temos, e essas diferenças trazem consequências profundas. Porém, a ciência contemporânea sugere que poucas pessoas conhecem seus verdadeiros limites, e que a grande maioria delas não chega nem perto de utilizar o que os cientistas chamam de “potencial irrealizado”. Ela também apresenta uma visão profundamente otimista da raça humana: “Não temos como saber quanto potencial genético irrealizado existe”, escreve Stephen Ceci, psicólogo do desenvolvimento da Universidade Cornell.”

Talvez este pensamento da não-existência do talento e da quebra do paradigma da inteligência, vejamos mais e mais pessoas empenhadas em conquistar seus objetivos independente da inclinação familiar, e os pais, sociedade e governos, mais interessados em propiciar ambientes propícios à evolução de maneira a aproveitarmos o que nos há de latente, pois a inteligência pode não passar de uma balela.


Natália Nogueira

Publicitária e pós-graduanda em semiótica, amante dos animais e da arte. Não sabe se aquietar e se arrisca a desenhar, pintar e cantar. Ama dormir e doces. Seu maior sonho é mudar o mundo..
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