nati nogueira

Para que o mal prevaleça basta que os bons façam nada. Edmund Burke

Natália Nogueira

Publicitária e pós-graduanda em semiótica, amante dos animais e da arte. Não sabe se aquietar e se arrisca a desenhar, pintar e cantar. Ama dormir e doces. Seu maior sonho é mudar o mundo.

Okja. O porquê de não assistir

Quando apareceu na atualização dos lançamentos da Netflix, minha primeira reação foi “jamais assistirei”. Horas depois recebo o convite para assistir o temido filme. Não, não estou falando de terror, suspense, ou um gore. É algo bem pior àqueles que são sensíveis e amante dos animais. O nome do meu pesadelo é Okja, e a sinopse do meu medo tem cara de final quase feliz da Disney.


1200.jpg

A história acontece nos tempos atuais e remonta um cenário comum do cotidiano da era da informação. Onde temos ativistas que defendem os animais e indústrias tentando ser pioneiras e angariar mais lucros. O que foge ao que estamos acostumados é o estilo de vida de Mija, a melhor amiga de Okja, o superporco. Neste contexto temos um ambiente bucólico, na Coreia do sul, que relembra o início da humanidade: caça e pesca para sobrevivência.

Okja, na verdade, é um hibrido com a finalidade de fornecer mais carne de melhor qualidade, e que satisfaça a necessidade de mercado e a demanda populacional do mundo todo. No total, 10 superporcos são criados e enviados para diferentes partes do mundo. O intuito da empresa Mirando é manter o posto de líder mundial e descobrir em que parte do mundo o animal melhor se desenvolve.

A conexão entre Mija e Okja é a melhor possível, e o estilo de vida das parceiras as colocam no topo do desenvolvimento do animal. Assim, as empresas Mirando querem o superporco de volta para dar início à produção em massa. E é aí que as lágrimas escorrem.

Durante toda a ação da história vemos traços de fanatismo, estereotipação, e podemos encontrar reafirmado o único e verdadeiro objetivo de qualquer empresa: gerar lucros. Na “ala” do ativismo, vemos como pode ser difícil gerenciar outras pessoas e nossos próprios sentimentos em relação aos nossos objetivos. Mas todo o contraste faz pensar e pode despertar nuances de autoanálise.

Mas toda essa explicação e enrolação para qual finalidade? Mostrar que os filmes que confrontam nossos piores medos são os que mais nos servem de lição moral. Recomendo? Primeiro pergunto: é um pseudocomunista amante dos animais e que sonha com a proteção da Mata Atlântica? Não assista. Okja é salva por Mija, porém milhares de outros superporcos são gerados e caminham para o abate, como sabemos que acontece todos os dias. Então, não. O final não é feliz e continua acontecendo agora.


Natália Nogueira

Publicitária e pós-graduanda em semiótica, amante dos animais e da arte. Não sabe se aquietar e se arrisca a desenhar, pintar e cantar. Ama dormir e doces. Seu maior sonho é mudar o mundo..
Saiba como escrever na obvious.
version 5/s/cinema// @obvious, @obvioushp //Natália Nogueira