nati nogueira

Para que o mal prevaleça basta que os bons façam nada. Edmund Burke

Natália Nogueira

Publicitária e pós-graduanda em semiótica, amante dos animais e da arte. Não sabe se aquietar e se arrisca a desenhar, pintar e cantar. Ama dormir e doces. Seu maior sonho é mudar o mundo.

A reinvenção da infância

Dancemos o funk, aceitemos e respeitemos gêneros, classificações sexuais, culturas, preferências, raças etc., é o mínimo que devemos fazer. Mas antes de tudo, respeitemos a infância.


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É óbvia a preocupação contemporânea em realizar pesquisas e estudos que melhorem o desenvolvimento infantil. Na fase que vai até os 12 anos incompletos, o indivíduo recebe uma torrente de informações e estímulos para os próximos níveis. A fase adulta é a consequência de todo este trabalho, portanto, é o início da comprovação de que, nos períodos anteriores, algo foi feito de maneira correta. Mas a pergunta que paira é: “isto está sendo feito de maneira correta?”. Não foi à toa que no pós-idade-média, a criança foi reconhecida como um ser que necessita de cuidados especiais, seja em sua formação, como no apoio físico. Será que estamos perdendo esta noção? Em tempos de ícones sexualizados, tanto os pais como a sociedade, podem começar a se questionar se estamos trabalhando de maneira correta. Evolução, consequências da inclusão digital, ou descuido e irresponsabilidade?

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Uma breve síntese da obra de Phillipe Ariès, por Colin Heywood, aponta que a criança já foi vista como um ser impuro. Já foi obrigada a trabalhar (é claro que ainda existem casos não regulamentados que são classificados como exploração), porém, depois de muito buscar o entendimento da fase de formação do ser, a educação foi substituída pelo trabalho, mesmo que leve e de apoio à sobrevivência da família.

Como não havia diferenciação de trajes, tratamento e necessidades, pode-se imaginar que a criança era negligenciada? Talvez. Os estudos levaram a observações desta preocupação. Toda evolução pode exigir certos sacrifícios. Para ser mais clara, podemos estar em meio a uma transição, onde a criança não está sendo observada. Seria a causa de gravidez precoce, proliferação de DSTs, desenvolvimento de vacinas para tais etc.

O ponto alto da discussão deste texto é a formação do ser nas fases de absorção de conhecimento. Atualmente, em todo o mundo, em especial no Brasil, a criança, começa a receber estímulos de sexualização imposta como algo cotidiano. Músicas, TV, conteúdo inapropriado para a idade, na internet. Isto pode ser visto como negligência?

Os referenciais de um indivíduo, assim como as pessoas à sua volta formam sua identidade. Hoje temos a contribuição da cultura musical. Não pense apenas em Pablo Vittar, Anitta e as superproduções de Kondzilla, vá além. Inclua o sertanejo universitário e tantos outros ritmos que ditam o nosso país. A questão não é o desrespeito às preferências culturais, mas este conteúdo foi feito para seu filho? As novelas são produzidas para seu desenvolvimento pessoal. Lembrando que, o que nos é visto como entretenimento, para a criança é aprendizado. E pode até ser que os clipes da Anitta tenham sido feitos para conquistar as crianças, mas você quer se responsabilizar por oferecer este alimento intelectual às crianças? A responsabilidade é tão sua quanto minha.


Natália Nogueira

Publicitária e pós-graduanda em semiótica, amante dos animais e da arte. Não sabe se aquietar e se arrisca a desenhar, pintar e cantar. Ama dormir e doces. Seu maior sonho é mudar o mundo..
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