no divã

Pequenos ensaios sobre psicologia e cultura

Marcelo Marchiori

Psicólogo clínico, especialista em imaginação ativa e interpretação de sonhos. Realiza atendimentos individuais e coletivos, além de ser articulista do blog de sua clínica terapêutica, Descobrindo Sonhos.

Melhor na internet, melhor na vida

A internet trouxe facilidades, mas também é responsável por um tanto de problemas de comunicação entre seus usuários. Dá para fazer melhor? Como?


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Acredito que em todo comentário de internet prevalece a mesma lógica que funciona com uma pessoa embriagada: o que foi dito bêbado, foi pensado sóbrio. A distância, a proteção de estar atrás de um monitor, longe dos outros debatedores e o anonimato incentivam o menor cuidado com as palavras. O modelo de funcionamento da internet parece apoiar alguns lados ruins dentro da gente... o que não significa que eles não existam fora da internet, mas que não precisam ser expostos constantemente.

O contato maior com a maquina faz com que muita gente se esqueça de que do outro lado existe uma pessoa e essa pessoa se magoa tanto quanto se magoaria recebendo aquelas ofensas pessoalmente. Pouco a pouco a internet vai causando relações mais cruéis e, como vimos há pouco tempo, os resultados podem ser desastrosos.

A vida já é difícil e não precisamos de menos gentileza, precisamos de mais. O que podemos fazer para reverter [ou, pelo menos, minimizar] esse quadro? Começo com uma proposta utópica e, quem sabe, da utopia surjam outras ideias.

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Os judeus possuem uma data especial no calendário chamada Yom Kippur, o dia do perdão. Ao longo do ano, uma pessoa normal [entenda por pessoa normal toda variedade de sujeitos possíveis, exceto os homens santos] comete uma quantidade significativa de erros, falhas, sejam elas conscientes e deliberadas ou não. O Yom Kippur é o dia de "se livrar" dessa carga, pedindo perdão e ganhando um pouco de leveza para se continuar o caminho.

De acordo com o Talmud, a celebração só pode perdoar as questões entre o homem e Deus. Caso tenha ofendido ou feito algum mal ao outro, deve-se buscar essa pessoa nos dias que precedem o Yom Kippur e pedir perdão, tentar reparar o erro. Tudo o que se pode pedir é o perdão; mas o ato cometido não será anulado e a única maneira de pará-lo é alterando o comportamento, tentando não repetir as falhas. O castigo divino pode ser parado, mas a responsabilidade continua a seguir o homem.

Imaginemos um dia do perdão nas redes sociais... Para quem você deve pedir perdão? O que você tem de pedir perdão a si mesmo? Que tal começar!


Marcelo Marchiori

Psicólogo clínico, especialista em imaginação ativa e interpretação de sonhos. Realiza atendimentos individuais e coletivos, além de ser articulista do blog de sua clínica terapêutica, Descobrindo Sonhos..
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