Viviane Franco

Formada em Letras/Italiano e Pós-Graduanda em Tradução, sou apaixonada por Literatura, música, cinema, psicanálise e toda a forma de arte que salva almas.

5 motivos para você ler Memórias Póstumas de Brás Cubas

Deixando de lado todos os traumas causados pelo Ensino Médio e sua tentativa frustrada de nos introduzir ao mundo de Machado de Assis, é fácil encontrar milhões de razões para adorar esse defunto autor. Um de seus livros mais divertidos, Memórias Póstumas de Brás Cubas esbanja motivos para se lido e nenhum "spoiler" é capaz de acabar com o prazer dessa leitura.


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Aproveitei a moda do "5 coisas que..." para explicitar alguns dos motivos pelos quais Machado de Assis é considerado um dos maiores autores do Brasil e do mundo.

1- A história é narrada do além

E nem foi psicografada. Num livro de introdução ao realismo, Machado consegue inovar logo na inauguração. Como pode um livro realista ser narrado por um morto? O protagonista é um "defunto autor" e, aproveitando que está "do outro lado", resolve contar tudo, sem medo de recriminações por parte dos vivos. E ainda faz uma dedicatória bem divertida: "Ao verme que primeiro roeu as frias carnes do meu corpo dedico com saudosa lembrança estas memórias póstumas"

2- Tem um momento LSD que comprova que quem tem literatura jamais precisará de qualquer alucinógeno

Enquanto hoje nos divertimos com os surtos psicodélicos de Stephen King, Machado já narrava em seu tempo cenas do tipo. O protagonista, Brás Cubas, narra o próprio delírio. Mas é delírio mesmo, com direito à mãe natureza em forma humana, cavalgadas em hipopótamo e viagem no tempo.

3- O protagonista é gente como a gente (ou talvez pior que a gente)

Nada de protagonista herói. Brás Cubas não hesita em mostrar seu dark side. Narra momentos em que não quis devolver dinheiro achado na rua, abandonou uma moça, mesmo gostando dela, só porque era coxa (manca), retribuiu mal a quem salvou sua vida, gastou fortunas com uma prostituta e matou uma borboleta só porque não era azul (entre outras más condutas). Além disso, enquanto nos conta suas atrocidades, Brás Cubas procura justificar para o amigo leitor os motivos que o levaram a tais atitudes. E você ainda se vê torcendo para que o moço alcance tudo o que deseja.

Não tem Walter White nem Frank Underwood. Brás Cubas veio antes.

4- A teoria do nariz

O livro é cheio de teorias que o autor vai desenvolvendo ao longo dos capítulos. A mais bombástica é a teoria do nariz.

"Cada homem tem necessidade e poder de contemplar o próprio nariz, para o fim de ver a luz celeste, e tal contemplação, cujo efeito é a subordinação do universo a um nariz somente, constitui o equilíbrio das sociedades. Se os narizes se contemplassem exclusivamente uns aos outros, o gênero humano não chegaria a durar dois séculos: extinguia-se com as primeiras tribos."

5- Tem adaptação para o cinema

Vale a pena assistir. A leveza do livro e a cumplicidade do autor conosco foram mantidas. Agora: não vale ver o filme antes de ler o livro!


Viviane Franco

Formada em Letras/Italiano e Pós-Graduanda em Tradução, sou apaixonada por Literatura, música, cinema, psicanálise e toda a forma de arte que salva almas..
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