nude but not naked

Reflexões sobre arte, imagem e hiper-realidade na contemporaneidade (e outras cositas más) ...

Viviane Rodrigues

Fotógrafa, docente, jornalista, apaixonada por arte. Passa a vida como "voyeur": olho no ecrã. Tem sempre disposição para prosa e poesia.

AMENIZANDO OS DANOS: CÃES NA PRAIA (E OUTRAS ELUCUBRAÇÕES PRAIANAS)


Eu sempre torci o nariz para cães na praia. Sempre achei muito complicado levá-los porque, geralmente, quem o faz, é sempre [email protected] No entanto, hoje – depois da Barbarella - me parece que é como ir para um lugar muito legal e não levar alguém que você ama e sabe que vai curtir demais. Quem é a Barbarella? Ela é uma cadelinha SDR (sem raça definida) pequena, muito frágil e ativa que aportou em minha casa há seis meses e que, sem muita cerimônia: adotei. Mesmo sendo uma mulher independente - alfa-dona-do- meu-espaço- convicta da minha liberdade e ainda me achando meio despreparada para adotar, o fiz.

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Não sei se é assim para você. Mas adoção para mim é coisa muito séria. Não importa se é de cão, gato, papagaio... Admiro então, profundamente, as pessoas que adotam crianças Principalmente aquelas que entendem o compromisso sério que vem a reboque, que é de se melhorar como ser humano (mais tolerância, amor, respeito à individualidade, etc, etc, etc.) porque as crianças e o mundo, precisam de gente progressista e bem-intencionadas. Claro, que nem todos pensam sobre a questão: só querem o título de pais, e muitas vezes, nem o querem, deixam acontecer. Para mim, nunca funcionou assim. Mesmo que seja com um cão. Imagine com uma criança.

Well, quanto a Barbarella é bom dizer que ela não veio sozinha. Adotei uma e no dia seguinte haviam quatro cães em minha garagem. Brinco que o nome dela deveria ser Kinder. Ao invés de um, ela trouxe três presentes dentro. Na minha garagem: ela mais o Godzilla, o Docinho e o querido Xpecial (nessa ordem nas fotos) - que tinha, soube mais tarde, hidrocefalia. Todos foram devidamente adotados por famílias amorosas, embora, infelizmente (e felizmente, já que não acredito que viemos para este lugar para sofrer), Xpecial, muito frágil e com muitas dores – também muito amado, cercado de cuidados - tenha morrido com menos de cinco meses.

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A Barba, mesmo com seis meses de convivência, ainda é extremamente suscetível a qualquer movimento mais inesperado e ao menor sinal de agitação desabrida, se esgueira, com o rabo entre as pernas, até primeiro esconderijo que consegue achar, geralmente sob um sofá. Ela ainda é extremamente arredia com estranhos e parece ser muito desconfiada dos humanos. Talvez porque não tenha tido boas experiências com eles. Em recente jantar em minha casa – ela se postou incrédula a alguns metros da porta, com a perspectiva de tanta gente estranha invadindo o território dela. A noite toda acompanhou a movimentação do sofá do escritório e se negou a agraciar os convidados com a presença dela, por mais simpáticos que fossem. Enfim, ela é uma cadelinha de modos delicados, que não gosta de música alta, vassouras na faxina e que ama correr, buscar a bolinha e de ser provocada para brincar. Com uma convivência mais permanente, ela se sente confortável o suficiente para estar sempre ao redor.

(Se quiser ver o link abra em outra guia)

Barbarella na praia.

Importante mesmo aqui é dizer que Barbarella também melhorou minha vida. Como é ativa, sou obrigada a caminhar com ela. No cotidiano, a acolhida dela depois de um dia estressante é sempre bem-vinda. Na praia, ela me obriga a me mexer constantemente, já que também não basta ser dona, tem que participar.

Barbarella e a bolinha vermelha.

Sem contar que a lealdade dos cães é paquidérmica, espartana. Quando me lanço mais violentamente ao mar ou mergulho, ao retornar à tona, a vejo já rondando a beira da praia, ansiosa. Quando se cansa de esperar – já que não é atoa que o sobrenome da dona é Peixe - e vendo que tudo está sob controle, ela se retira e senta ao lado da cadeira de praia (ou atrás-à sombra), ainda alerta.

Cão salvando vida do dono.

Penso que a convivência com ela é também, porque não, um diálogo, uma troca, um exercício de tolerância e responsabilidade: afinal, você espera dela o melhor, mas ela vai ser o retrato do que você é (ou não). [email protected] [email protected] bunda-mole: um cão estressado ou manipulador, diria César Milano rsrsrs, e é óbvio. Portanto, é preciso exercer o papel de alfa com maturidade porque, embora você seja “@ [email protected]”, os animais contam com seu bom senso. Você decide, mas elas e eles sempre tem “voz”.

Bom, mas voltando ao assunto deste relato-crônica-artigo, cães na praia... Tive então, por conta da Barba, que rever meu comportamento e assim, me reeducar e reeducá-la. Pensei sobre o assunto, antes das férias chegarem, com minha viagem iminente para visitar a família e o Oceano Atlântico. “Devo minorar os danos”, pensei. Para ir à praia estimulei-a ir ao banheiro cedo durante um período – e sempre levo saquinhos de plástico na bolsa (na verdade, durante o verão aproveitei e levi, todos os dias,vários sacos, no caso de 50 litros para juntar o lixo deixado, geralmente plástico, no retorno das caminhadas) porque você não controla eventualmente o seu intestino, o que dirá o alheio. Quanto ao estímulo: funciona. WC cedo. Praia depois.

Eu tenho também o prazer de ter uma praia com pouca frequência à disposição nas férias – sem querer fazer inveja rsrs - escolho um lugar mais isolado para incomodar o mínimo possível outras pessoas. É interessante, no entanto, perceber que os frequentadores jovens, olham com naturalidade, eram calorosos e sorriam quando viam a Barba naquele desespero pela bolinha vermelha. Os mais velhos já não davam atenção. Penso que anteriormente, cães serviam para garantir segurança, enquanto que novas gerações os veem como parte da família...

Bem, gente de qualquer maneira, não dá para colocar o animal em um lugar lotado. Bom senso, bom senso, sempre. Além disso, Barbarella foi desverminada e usa um anti-pulgas mensal, tudo de boa qualidade. Ela também foi castrada, para evitar qualquer possibilidade de uma nova gestação. Então depois de refletir muito, ao chegar à praia, entrevistei a veterinária muito simpática que atende os cães de minha família. Ela não quis o nome publicado porque não concorda com uma ação contra a lei, digamos (que é levar cães a praia) mas garantiu que tudo o que faço ajuda em minorar o impacto de cães em quase 100%... Recomendou também que eu levasse sempre água para duas, porque [email protected] sentem muito mais calor que os humanos. Também que não ficasse ao sol muito tempo, coisa que faço sempre, já que tenho a pele clara: duas horas no máximo, ao sol, mesmo que enfiada dentro da água e muito filtro solar (em mim, não nela, já que tem o pêlo preto.

O resultado é que a Barbarella, em mais de 30 dias de praia – o verão em Santa Catarina foi espetacular – se divertiu imensamente, correu, pulou, fuçou e esperava todo o dia que eu mostrasse a mochilinha - na qual eu levava nossos pertences - ser sacada do porta-bolsas atrás da porta do quarto.

Por fim, cães ( gatos...) são [email protected] tão queridos quanto qualquer humano pode ser e como as pessoas, merecem grande consideração. Você, que já partilhou os dias com uma ou com um, sabe disso. Aqui, então, eu faço pública minha homenagem a Nestor, um daschund mal humorado e imensamente amado, que tivemos o prazer de conviver por 14 anos. O único amigo que sempre que me via chegar de viagem se urinava rsrsrs ... O vídeo foi feito, dois dias antes dele nos deixar... Ele não era muito afeito a carícias, mas nesse dia, meu amigo curtiu o agrado.

Saudades, querido.


Viviane Rodrigues

Fotógrafa, docente, jornalista, apaixonada por arte. Passa a vida como "voyeur": olho no ecrã. Tem sempre disposição para prosa e poesia..
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