o atirador de palavras

Nem sempre o axioma define tudo, é mais que um contexto é o amar de forma pura.

A Significância do passado

por em 29 de ago de 2012 às 06:10 | 1 comentário

Em meio a conflitos, perturbações, escolhas imediatas e imaturas, somos levados a invalidar um futuro não planejado, consequências que degeneram o afeto e o carinho. Somos obrigados a viver no submundo porque simplesmente não damos importância aos fatos e conjugamos o verbo “ser” sem saber a insignificância de aplicá-lo a própria história. Um olhar humano. “Paris, Texas” nos mostra o erro de forma construtiva e indutiva. A crise não desvencilha o passado.

foto 1.jpg

Uma história, que logo a princípio nos leva a um personagem, que de uma maneira inerente se encontra em um deserto tanto a sua volta quanto a seu íntimo, é um estímulo de vazio emocional que o deixa desnorteado e a ausência de palavras é a sua mais forte expressão. Ao remeter-se de que algo duramente o fora arrancado, e de um todo o resta somente um vazio. É Neste contexto em que a “crise da vida” entra em cena, é elaborado um teatro na intenção de encontrar o erro. Por vezes a falta de questionar-se, questionar o próximo ou apenas esclarecer as dúvidas de uma relação mútua, poderia pleitear o elo entre Travis e Jane. Mas a intervenção preeminente do ego, e a dura certeza de que não existe possibilidade de caminhar com a mesma história, o leva ao conhecimento, de que necessita de uma intervenção chamada amor.

foto 2.1.png

Em “Paris Texas” do diretor Wim Wenders tem como desenrolar um contexto de pai obsoleto, é a volta do personagem Travis ao mundo real. Ele é encontrado, após quatro anos, por seu irmão Walt em um hospital no deserto do Texas, com um físico abalado e com amnésia. Logo, é levado a Los Angeles e tem um encontro com o seu filho de apenas oito anos, e de um início tímido entre os dois, surge uma amizade e um afeto ambos retribuídos. Travis em busca da integridade, ora perdida, num deserto, criado por si, sente-se obrigado a reverter esse futuro e junto de Hunter, embarca numa busca por Jane, sua antes amada mulher e mãe de seu filho.

foto 2.jpg

Nesta busca ele á encontra, em um peep-show, é chegado o momento em que se anexa em cena todas as justificativas que desalinharam a história, partindo por Travis. Ora, no início era perdidamente apaixonado por Jane, uma ninfeta, jovem e bonita, que retribuía sua paixão por este, no qual buscava segurança e aconchego. Um casal que não pensara em nada, exceto estarem juntos. Ir à mercearia para eles se tornava uma aventura. Mas, no entanto ela engravida, e Travis toma esta situação como prova de amor. E com o passar do tempo Jane sofre mudanças, tudo á irritava.

foto 3.jpg

Então vieram as crises, os ciúmes tornam-se irremediáveis. Por parte de Travis houve incansáveis tentativas de perdurar este sentimento, e de forma brutal a imaturidade domina a relação, Travis á abandona e segue no amplo mundo, sem rumo, sem fé. Jane sozinha neste universo que ela jamais planejara, busca com o filho um motivo para viver. Abalada de tal forma, sem saber por onde caminha Travis, presume que não há nada que preencha seu vazio gerado idoneamente pelas etapas do tempo. Com a obrigação de sustentar o filho, ela o deixa com a família do irmão de Travis, e parte sem deixar qualquer referência de para onde seguiria.

foto 4.jpg

Por fim um encontro entre os dois marca essa história encantadora e entende-se o que tanto significou um ao outro as escolhas e atitudes cometidas. Travis sente-se na obrigação de unir a família novamente, ele jura para si e para sua própria alma, que seu objetivo nesse universo, é ligar as duas pessoas que mais ama, suas “duas partes vivas”, que estejam juntas, e inteiramente felizes. Um sentimento benévolo que de um surgimento tão cru, moldado em uma sociedade tão patética, revoga-se num tom hábil e volta ao sentido natural, o amor entre os personagens é a inteira ligação, do inicio ao fim.

foto 5.jpg

Um destaque grandioso à fotografia de Robby Muller, com tons sóbrios, mas que são fiéis ao roteiro da dupla L. M. Kit Carson e Sam Shepard e que juntos deixam a história harmônica, envolvente e encantadora, os diálogos são de emoções fortes e a trilha sonora é hipnotizante.

 

Artigo da autoria de Gustavo Piffer.
Um substantivo. Não dois. Amar o mundo. É correto caracterizar essa vida corriqueira? Sim, e também é correto vivê-la..
Saiba como fazer parte da obvious.

Comentários

Os comentários a este artigo são da exclusiva responsabilidade dos seus autores e não veiculam a opinião do autor deste site sobre as matérias em questão.

RlqTDp riqywpbfxjax, [url=http://lykbnkptuykh.com/]lykbnkptuykh[/url], [link=http://pdxkxjuzjyye.com/]pdxkxjuzjyye[/link], http://rghsirilgxgu.com/

Deixe o seu comentário

O e-mail é obrigatório mas não será mostrado no site ou cedido a terceiros. Seja cordial e educado. Comentários ofensivos ou pouco dignos não serão publicados.


Site Meter site statistics