o atirador de palavras

Nem sempre o axioma define tudo, é mais que um contexto é o amar de forma pura.

Gustavo Piffer

Um substantivo. Não dois. Amar o mundo. É correto caracterizar essa vida corriqueira? Sim, e também é correto vivê-la.

John Brosio - “e se?”

Entre outras coisas, o que não se admite é tirar a paz, o sossego e a rotina. Mas, ante a tudo isto num contexto bem pacato, tão sóbrio, John Brosio põe-se a perturbar a quietude de seus personagens e suas cidades, seus lares, seus lugares de entretenimento e suas vidas.


A fotografia já fala por si, sobre momentos, questões debatidas, ilusão representável de uma mente perturbada entre mil e uma ideias de um cotidiano negro ou demasiadamente belo. Então Concentrar na forma pincelada de uma pintura, diria ser de uma leveza e naturalidade indescritível, até porque uma pintura demonstra muito mais do que a instantaneidade de uma fotografia, uma pintura é a forma mais livre de expressão de um sentimento que é por momento castigado lentamente até sua expulsão, a cada pincelada, rastros, pontos e tons na conclusão extirpada numa tela com conexões suaves de tinta por toda sua extensão. Talvez, para John Brosio, a maneira estável é inexistente, traz em suas pinceladas, situações inimagináveis as que seus personagens se encontram, e cria um debate informal, que gera desequilíbrio e faz pensar “e se?”.

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E se um dia qualquer, diante da mesa de um café da manhã, com um sanduíche pronto, seja ele qual for, encontrar-me com um escorpião sobreposto ao “sanduba”?

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E se diante de uma pose para aquela foto de uma reunião familiar típica de um fim de semana, algo catastrófico perpassa-se por detrás da residência de um vizinho, o tempo fecha-se, e uma grande tempestade forma-se, diante de um sorriso simples, sem alusões ao que de ruim poderia ocorrer?

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E se um furacão apresentasse sua magnitude dentro de um ambiente, como um parque, que representa fielmente motivo de alegria e diversão, um estrondoso visual de horror?

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A inserção de dúvidas prevalece, mas claro que suas conclusões podem ser a mais julgáveis possível, e só existe um parêntese a ser acrescentado, John por mais enfático que seja estabelece um jogral de cores e reflexos imprescritíveis, a combinação de horror com a rotina, recria a monotonia, traz uma desenvoltura complexa, ir ao café da esquina, torna-se a cena mais dramática do dia porque para seus personagens nada mais é do que o “meu dia-a-dia”.

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O ritual encontra-se numa posição onde os personagens se deparam com algo fora do lugar, com total naturalidades eles se colocam ao questionamento do “por quê?” ou do “como?”, mas ao mesmo tempo os personagens tomam caráter duvidoso e imaginário, e age natural e de forma pacifica a tudo o que os submetem. “E se chegasse à minha rua e me deparasse com um polvo gigantesco apoderando-se de minha casa?”. Fica a critério de o espectador decidir o final. John Brosio não se limita a nenhuma ideia que não fuja do imaginário maldoso e irônico humano, ele cria momentos em que seus personagens não se dispõem a liberar tal furor, tal ira e a preocupação seria “uma menina ante a estrada” que não os incomodassem, e tudo ao redor fosse proposital e premeditado, uma forma distinta de querer aquele momento substancial.

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São situações inusitadas, porém costumeiras numa imensidão obscura, uma manifestação de desastres naturais e a sobriedade das expressões humanas num meio tão confuso. As bases de sua inspiração se vem no ato, e na sua formação, a princípio sob influência de uma família convencional, que tem grande representatividade em seus trabalhos. Ele não tem base concreta, mas acredita ter como inspiração à sua infância no qual passava as horas vagas assistindo a série “Os Simpsons” e mais adiante foi “induzido” pelas matérias vindas do canal “National Geographic” lhe remetendo as noções de estado, físico e de espírito entre as pessoas e o tempo, e o que as rodeia. Tem a percepção de confusão, e é esta confusão que o difere e torna seu trabalho um tanto abrangente. Catástrofes e pessoas em meio a características bem comuns.

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Gustavo Piffer

Um substantivo. Não dois. Amar o mundo. É correto caracterizar essa vida corriqueira? Sim, e também é correto vivê-la..
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