o atirador de palavras

Nem sempre o axioma define tudo, é mais que um contexto é o amar de forma pura.

Gustavo Piffer

Um substantivo. Não dois. Amar o mundo. É correto caracterizar essa vida corriqueira? Sim, e também é correto vivê-la.

A fotógrafa de Daguerre

Cris Bierrenbach, a fotógrafa brasileira possui um viés fotográfico ilimitável, seu imaginário é consequente a muito do objeto real propiciando uma desordem (Ora, proposital). Seu estilo e método impressionam pela falta de monotonia transportando-nos ao fascínio e impressionabilidade.



cílios.pngCílios © Cris Bierrenbach Quando nos permitimos observar fotografias, no contexto hoje queremos o contato com o “baque” do diferente nos propondo a conhecer e fazer abertamente valer o ato de sua nua e explícita função, ser observada. Toda a fotografia tem que entrar no consciente e ficar gravada, para que por obrigação exemplifiquemos (no imaginário ou mesmo no que chamamos de mente) em sua potência máxima.

O propósito é sequer escapar de um ângulo de visão imperfeito ou significante, não se escapa de nada. É a visão delineando seu trabalho, recuperando os sentidos e maquilando o resultado para a expectativa do ver.

meu consolo.png Meu Consolo - © Cris Bierrenbach

o encontro.png O encontro - Da série "Daguerreótipo".

O gosto por admirar o infinito. Há um tom exploratório nas fotografias de Cris, o seu conceito e fascínio pelo feminino de forma libidinosa apreendem o olhar e assustadoramente releva o estigma mulher sem paradoxos. É um escondido, o olhar e as pessoas.

Fogo, tons e saturações em alta, leveza e desequilíbrio astral. Se tudo o fizesse tornar o trabalho de Cris em algo desastroso, acrescenta-se o subjetivo, veja onde vamos parar. Ela nos conta uma história que padronizada ao seu mundo e volta e meia, nos deparamos que o retrato poderia ter vindo do mais próximo de si possível, é claro que humanamente descrevendo seu ponto de vista ela te leva a pensar o que temos ao lado, ao homem e do que somos formados, dentro de toda uma arquitetura.

retrato íntimo.png Da série "Retrato Íntimo".

retrato íntimo 2.png Da série "Retrato Íntimo". Surgem objetos e diferentes modelos de aplicações, o jogo de efeitos e a visão futura do retrato não deixam os olhos aquietarem-se. Com a tranquilidade que se trabalha o produto fotográfico de Cris Bierrenbach, a ausência de simetria e o colapso da ingenuidade transfiguram o simples.

Caracterizaria suas instalações como o polvo atual do contemporâneo nacional, existe um cotidiano não muito notado, e se notado muitas vezes é sem referência e ela acrescenta essas referências de forma original e seu trabalho enriquece ainda mais o que chamamos de apreciação artística. É como se tudo já estivesse ali e não déssemos ao distinto prazer de observar com o devido olhar apreciador. Passo a olhar então. Tornamos robóticos, tudo sempre esteve lá, mas Cris ousa em reeditar essa nossa falta de percepção e transcreve o nosso cotidiano de forma ilimitada, são as paredes (em tecido), os torpedos "sms" do dia a dia, as colunas no meio na cidade, o escondido, o segredo e o sexo.

instalação love seat.png Instalação "Love Seat".

o novo look.png O Novo Look

Seu estilo está concentrado no retrospecto do passado, utiliza-se do método daguerreotipo, uma maneira de obter uma imagem com uma câmera escura e uma folha de prata, conciliamos o seu desejo ao de estarem dentro do resgate da história da fotografia, submetendo os seus trabalhos a este estilo de captação.

infinito 2.png Infinito

xadrez série das camisinhas amores.png

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Gustavo Piffer

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