o atirador de palavras

Nem sempre o axioma define tudo, é mais que um contexto é o amar de forma pura.

Gustavo Piffer

Um substantivo. Não dois. Amar o mundo. É correto caracterizar essa vida corriqueira? Sim, e também é correto vivê-la.

A Duquesa

Uma mulher de mimos para o século XIX, mas sua audácia e inteligência a colocaram em uma posição que foi além da de esposa, mãe, política, amante e amiga, foi muito mais relevante a sua imagem perante a sociedade, tornando-a então, a irresistível Duquesa.



Keira-as-G-keira-knightley-as-georgiana-spencer-cavendish-17429693-1600-1071.jpgKeira Knightley como Georgiana em "A Duquesa" (2008).

Senti vontade de abraçar Georgiana, senti o imprevisível desejo de propagar a afável imagem de sua pessoa. Não por ser uma política de paz e por transportar com toda elegância as ideias de que uma sociedade pode progredir-se amando ao povo e mesmo assim prevalecendo e sentindo o próprio patriotismo. Amando a vida, as artes, a família e amizades de alma. Um conforto incrível e arrebatador é sua biografia escrita pela ilustre Amanda Foreman pela qual me tornei também, loucamente apaixonado, e não poderia deixar de citar a tradução de Cristiana Paixão Lopes. Georgiana – Aduquesa de Devonshire é sem dúvida uma biografia esplendorosa, onde sua posição para o conhecimento de uma mulher com tamanha ascendência como a de Georgiana é expressivamente um autoconhecimento sobre o gênero feminino, é encontrar-se face a face com a sociedade retratada e o magnetismo de uma verdadeira mulher.

Ela era múltipla: como toda mulher. De maneira alguma aceitava que uma ama de leite usa-se seu seio para amamentar seus filhos, ato comum à época, ela mesma tratava de cuidar de seus filhos, e não deixava de se abrir com sua mãe e melhor amiga, que com o correr do romance percebe-se o mútuo amor entre as duas.

Entregou-se ao matrimônio tão jovem, tendo como proposta de sua inocência: amar o Duque, onde sob uma influência da época, um casamento como o de Georgiana favorecia o nome da família e dando-lhes direitos como os de um nobre. Tendo em toda a sua vida a presença constante de sua mãe, Lady Spencer, Georgina não só tinha uma mãe como uma amiga. Desde o nascimento sua mãe já demonstrara um afeto muito grandioso por Georgiana, ela era uma garota que já transpassava uma harmonia e inteligência rodeada de uma amabilidade indiscutível, tanto com os pais como para com os irmãos e amigos da família que expressavam seu encanto por G.

Ao decorrer da tranquila leitura, com conturbados debates, frustrações, vitórias e encantos ficam cada vez mais claro que os olhares estavam constantemente voltados para a Imperatriz da moda. Onde quer que fosse sua presença por ser estonteantemente agradável era o motivo pelo qual pessoas da sociedade buscavam como método de aparecer-se a apresentar-se junto de sua companhia. Sua relação com pessoas ambos os sexos era inviável para uma época em que a mulher era catalogada como uma donzela que poderia se dirigir somente a grupos femininos por se tratar até então de uma tradição e cultura, mas Georgiana quebrava paradigmas e transmutava essa relação social tendo grandes amizades masculinas como em proporções igualitária, amizades femininas.

Influentemente política, abraçava a bandeira de sua pátria e auxiliou em grande parte na expansão do partido Whig, colaborando intensamente e insaciavelmente para a propagação de seus ideais junto ao povo da época, saía as ruas e usava sua publicidade para adquirir votos. Promovia jantares e festas na então Devonshire House que recebia desde pequenos anfitriões da sociedade política a grandes nobres como Príncipe e Rainha. O príncipe por sua vez era seu confidente e amigo, que passou por grandes conflitos amorosos tendo como sua mentora Georgiana.

Georgiana-Duchess-of-Devonshire-at-Hardwicke-Hall-This-be.jpg Georgiana, A Duquesa de Devonshire.

O sofrimento seria talvez uma meninice para Georgiana? Eis a dúvida, em suas cartas finais ela não expressa qualquer sentimento desencantado, muito pelo contrário se demonstra fortemente satisfeita por deixar seu legado, se tratando (saliento) que para a época,como uma mulher, o seu papel foi igualável ao de um homem. Rumores, fofocas, imprensa, amizades de interesses e brigas de poder, tudo a rodeava e sobre isso ela surgia com traje mais comentado da noite, o que ela usasse em um evento público, dias depois as damas da sociedade já estavam a trajar. Viveu romance, sofreu pressões do Duque, seu esposo, que nos últimos dias a amou como jamais havia amado. Acobertou a amante do marido, sua melhor amiga, debaixo do mesmo teto, a amou até as últimas horas, deixou cartas pedindo-lhe aos filhos que a aceitassem como ela em seu lugar, Mas Lady Elizabeth Foster era fria e interesseira, invejou Georgiana até a perda de sua então melhor amiga.

Uma biografia singular, acobertada de reviravoltas e contextos de magnitude histórica imprescritível. Foram pesquisas feitas em Diários, cartas e manuscritos separados e minuciosamente analisados para compor uma história fascinante que com letras exala a essência saudosa de uma mulher como a Duquesa de Devonshire, a Georgiana.

Georgiana capa livro.jpg Livro, Georgiana, Duquesa de Devonshire (2012).

Baseando-se nessa biografia de uma riqueza literária impressionante o diretor Saul Dibb reúne no filme A Duquesa (2008), toda a elegância do século XVIII, além de singularizar o romance de Georgiana com o jovem político Charles Grey e sua perspicácia diante da corte Inglesa, o filme atribui em demasia seu valor afetivo constante e realça o título de Georgiana como Imperatriz da moda, trazendo ao longa o Oscar de melhor figurino. Interpretando a Duquesa, temos Keira Knightley, que deixa claro a beleza e o encantamento de Georgiana, e trás à tona a mulher símbolo de elegância, força e amor.

Gustavo Piffer

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